Marcelo de Cesar Pedrosa Cunha, 56 anos, tem sua origem atrelada a um vilarejo de pescadores, em um município chamado Peixe Boi, no Pará e foi exatamente nesse lugar que ele precocemente iniciou sua jornada artística, tornando-se um dos mais requisitados pintores aquarelistas populares da atualidade.

Marcelo de Cesar mudou-se para o Rio de Janeiro em 1985 e hoje mora no bairro das Laranjeiras, onde tem seu atêlie, por muitos conhecido como Atêlie do Barba Azul, em referência a tonalidade que carrega discretamente em parte de sua barba.

São 25 anos de carreira e um número gigantesco de obras que já assinou. Apesar de ter sua formação em moda, Marcelo de Cesar realmente encontrou o seu prazer laboral e de existência nas telas, mas confirma que o universo que lhe foi apresentado pelo curso, intensificou seu olhar de maior sensibilidade para captar o belo e transformá-lo em uma arte atemporal.

As raízes de Marcelo de Cesar também foram fundamentais para lapidar sua identidade artística, que precocemente começou a ser despertada aos seis/sete anos, pelo olhar da sua mãe, que em sua vida humilde, buscava sempre trazer para sua casa a beleza, não de peças e acessórios de luxo, muito distante de sua realidade, mas com outro tipo de encantamento, aquele que criado pelas próprias mãos em cumplicidade com o que a natureza oferecia.

E assim, um dia, Marcelo de Cesar, ouviu sua mãe lhe dizer que tinha uns panos de pratos, muito simples, sem cores, sem “vida” e se ele não gostaria de transformá-los com algumas tintas que tinham no quintal da casa.

“Por mais que tivéssemos uma vida em preto e branco, em um cenário muito pobre, meu olhar sempre foi iluminado pelas cores da natureza e isso tornou-se a minha marca.” relata Marcelo de Cesar.

Quando o trabalho de Marcelo de Cesar é apreciado, é impossível não fazer alusão as suas heranças caboclas e na performance de sua arte, elementos viscerais e soberanos estão presentes como a água, chuva, terra, barro, sol, sombras, luzes envoltas em uma explosão de cores, até mesmo em uma tela em P & B, já que a mesma capta o próprio brilho natural do artista.

Ele confessa, ainda, que é apaixonado pelo RIO, cidade que considera o melhor lugar para se viver e estar e sente-se atraído pela ginga, pela malandragem, pelo jeito despojado do carioca way of life, e completa: “eu não sou carioca, mas eu tenho a alma do Rio.”

E realmente fica nítido em suas criações, que expressam uma força bruta, mas ao mesmo tempo suave, que delicadamente são acarinhadas por suas mãos e pelo seu olhar fecundo e livre.

Por ter essa visão, Marcelo de Cesar, além de expor em um dos mais charmosos e emblemáticos circuitos da arte popular da cidade, a Feira Hippie de Ipanema, na Praça General Osório, também marca presença na Feira do Lavradio, na Lapa, mas sem deixar de usar – de vez em quando – as calçadas da Marques de Abrantes, como espaços de exposição, transformando a rua em uma verdadeira galeria, ainda muito mais nobre, pois chega a contemplação de um coletivo grandioso, que muitas vezes acaba não tendo acesso a esses lugares pensados para exibir a arte, mas que a condena ao apreço de poucos.

Em 2020, Marcelo de Cesar confessa que trabalhou muito além do que podia imaginar, sobretudo em sua linha que retrata rostos reproduzidos em aquarelas, com tamanhos diversos e valores distintos conforme o tempo de dedicação. Ele usa da sua rede social no Instagram ( @art_marcelodecesar) para receber encomendas de todo o Brasil e adora receber o retorno com as reações das pessoas que são presenteadas com sua arte.

Marcelo de Cesar quando indagado sobre o futuro declara que seus planos são aqui e agora, sendo o amanhã um futuro distante, por isso se concentra no hoje e o que mais almeja é ter sua esperança renovada de vacinação para todos, possibilitando o resgate do viver intensamente cada dia de forma especial, junto e ao lado de muitos.

Andréa Nakane é carioca, apaixonada pela Cidade Maravilhosa, relações públicas, professora universitária, Doutora em Comunicação Social e Mestre em Hospitalidade.Embaixadora do RJ. Vive há 20 anos em Sampa e adora interagir com pessoas singulares que possam gerar memórias afetivas construtivas.

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