Luiz Carlos Souza, 57 anos, é carioca, nascido no Catete e atual morador da Laranjeiras, tem em sua veia a comunicação nata e ter trilhado o caminho da docência foi algo que desde cedo lhe despertou interesse, sobretudo por acreditar que estaria honrando a dedicação de sua mãe, que o criou sozinha, sempre com muitas dificuldades.

Frente a esse cenário, Luiz Souza, esforçou-se e conseguiu galgar uma formação acadêmica vasta e multidisciplinar, tendo cursos realizados, em sua maioria, em instituições públicas.

Em seu curriculum lattes, o curriculum específico para quem é da área de docência, Luiz Souza tem graduações em Letras (português-inglês) e Turismo, além de especializações em educação de surdos, ciência da linguagem, ensino de inglês e gestão sustentável em Turismo. 

Ainda completou o mestrado, também, na área de letras e infelizmente, interrompeu o doutorado pela incompatibilidade de horários, já que para sobreviver, professor no país, tem que ter jornadas até mesmo triplas para atingir uma remuneração razoável.

Ele leciona desde o início dos anos 80, com sua primeira experiência acadêmica ministrando aulas particulares, fato que, depois, lhe direcionou para dar aulas em colégios das redes privadas e em 2005, iniciou, então, sua trajetória em uma instituição de ensino superior.

Sim, Luiz Souza ratifica que está literalmente longe da prática da docência, não por sua vontade, mas pelas circunstâncias projetadas no momento, com perspectivas baixas de melhorias à curto e médio prazos.

Ele inclusive reforça que os cursos de licenciatura vem apresentando quedas vertiginosas de calouros, sendo um reflexo do próprio mercado, com chances raras de  desenvolvimento de uma carreira valorizada e com boa remuneração.  Fato que demonstra que a base está cada vez mais ficando fragilizada, corroída, sendo, portanto, latente um investimento emergencial na estrutura da educação básica, além de oferecer maior atenção ao ensino técnico, que no Brasil como um todo é bastante desmerecido.

“O ensino universitário no Rio tem dicotomias, como no resto do país, com a simbologia de uma pirâmide invertida, no qual nas esferas públicas há um contingente de público das classes sociais mais abastadas, que puderam investir em uma melhor formação fundamental e no ensino médio e nas esferas privadas a acessibilidade é maior nas classes mais baixas, que com muito sacrifício buscam pagar as mensalidades na busca de possíveis promoções e melhorias salariais.”, declara Luiz Souza.

Ele, também, testemunha sua preocupação com o ensino superior, de forma em geral, dando alguns exemplos que são estarrecedores:

 “Na formação superior em Turismo, as classes demonstram uma  ausência de bagagem cultural e chegam a desconhecer os principais atrativos turísticos da sua própria cidade, já em Letras, há alunos que abominam a leitura e já indagam se não dá para passar um filme em vez de um livro”, lamenta Luiz Souza.

Mesmo ciente de sua paixão pelo ensino, pela relação preciosa de troca com os alunos, tendo seu propósito transformador de vidas, Luiz Souza, está se virando como pode e já busca oportunidades em outras áreas, afinal precisa sobreviver.

Ele não sabe o que será do seu amanhã,  tem refletido, até mesmo de forma filosófica, mas busca na beleza do Rio, de sua natureza altiva, sua composição perfeita de mar e montanha, inspiração e forças para manter a cabeça erguida e bater no peito, que apesar de tudo e de todos, é professor e que por suas salas de aulas já passaram muitos, ou melhor evoluíram e que ter essa dádiva, o torna orgulhoso de si, afinal são poucas as profissões que podem diretamente mudar rumos, alterar histórias…

E por acreditar nisso, ele também confia, que em algum momento, seu conhecimento, patrimônio maior que um ser humano pode acumular,  irá colaborar para seu reencontro com o ofício de ser educador e propiciar novos horizontes para outros e também para si.

Que um dia possamos celebrar o 15 de outubro, como uma data em que a reverência aos mestres não seja utópica e que os mesmos  realmente ocupem de forma consagrada, uma distinção social extraordinária. Por enquanto, nossos aplausos e eterna gratidão aos abnegados professores desse imenso Brasil, que teima em oferecer às costas a quem pode lhe oferecer o mundo.Força, Luiz Souza! Torcemos por você, torcemos pela educação do Rio e da nação.

1 COMENTÁRIO

  1. Muito bom, à exemplo do Luiz temos inúmeros professores que transformaram nossas vidas e, como formadores de opinião e muitas vezes de caráter, continuam não reconhecidos e sem oportunidades merecidas. Nada pode substituir a bagagem e a experiência de quem interagiu por anos a fio com seus pupilos. Que venham melhores dias. Uma nação que não reconhece e apoia seus Mestres é uma nação injusta. Estes merecem toda nossa consideração e apreço.

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