Yvonne Bezerra de Mello, começou a se dedicar ao trabalho voluntário com crianças desde muito cedo, aos 13 anos, atuando no Instituto Benjamim Constant para cegos e, também, na Pestalozzi atendendo jovens com necessidades especiais.

Essa experiência foi um primeiro impulso que reforçou a inspiração de  Yvonne Bezerra de Mello no desenvolvimento de uma metodologia de ensino, batizada de pedagogia Uerê-Mello, para crianças com dificuldades de aprendizagem devido a traumas provocados pela convivência diária com a violência na comunidade, na família e nas ruas.

Localizada na favela da Maré, a iniciativa oferece a essas crianças o complemento do ensino formal, com aulas de português, matemática, história, geografia, ciências e idiomas, e mais oficinas de música, capoeira, canto, violino e informática. Além disso, são oferecidas três refeições diárias.

“O Projeto Uerê é uma escola alternativa usando essa pedagogia. Presencialmente são 317 crianças e jovens. Mas capacito professores no Brasil e no mundo, possibilitando assim alcançar muitas crianças vivendo em situação de risco.” explica Yvonne Bezerra de Mello.

Segundo sua constatação, mais de 300 escolas brasileiras usam a sua metodologia, mais de 18 mil professores foram capacitados e 200 mil alunos beneficiados. E há comprovação científica que o método funciona com 95% dos alunos.

Ela ainda confessa seu desejo de que todas as crianças possam ter acesso à uma educação de qualidade e que a escola pública seja para todos, já que acredita que só com educação é possível diminuir as diferenças sociais existentes.

A figura de Yvonne Bezerra de Mello ficou nacionalmente conhecida na noite do dia 23 de julho de 1993, quando ocorreu uma das mais tenebrosas chacinas do Brasil, na região da Candelária, no Rio de Janeiro, na qual cerca de 40 crianças em situação de vulnerabilidade em situação de rua foram alvejadas por homens, que no decorrer das investigações posteriores seriam identificados como milicianos.

O resultado desse triste episódio foi a morte de seis menores e dois maiores de idade. Yvonne Bezerra de Mello foi uma das primeiras a chegar ao local do massacre, justamente por que  liderava um projeto batizado de “escola sem portas e janelas”. Ela criou grupos de estudos com crianças nos bairros da Candelária, Copacabana, Madureira e Méier e tinha uma ligação forte com o grupo atingido pela violência armada.

 “Essas crianças nunca seriam inseridas em uma escola normal. Se você for esperar por uma estrutura, você nunca vai fazer nada. Então, eu fui com elas para debaixo do viaduto e as ensinei a ler e a escrever. A sociedade as vê como bandidos, mas eu as olhava com amor e dava carinho”, diz Yvonne Bezerra de Mello.

Por isso mesmo ela incentiva que cada um de nós, possa colaborar como agente transformador de uma sociedade que há muito está doente.

“Se você tem uma ideia, é só executá-la. Ou procure uma organização para exercer algum voluntariado. Querer é poder. Eu morei muitos anos fora e alfabetizava crianças imigrantes no arredores de Paris. Quando voltei ao Brasil decidi trabalhar nas ruas do Rio de Janeiro e fui encontrar os meninos e meninas jogados à própria sorte e pude para alguns oferecer outras possibilidades, até então distantes de suas realidade.”, declara Yvonne Bezerra de Mello.

Quem tiver interesse em conhecer melhor o projeto liderado por ela na favela da Maré, pode acessar ao site https://www.projetouere.org.br e ter contato direto com depoimentos e informações detalhadas sobre o trabalho desenvolvido por lá.

Pelo futuro das crianças mais vulneráveis e pelo futuro de todos nós, ter a proatividade, dedicação e empenho de Yvonne Bezerra de Mello é uma verdadeira lição que precisa reverberar e encontrar mais corações e mãos para sua ampliação e atendimento.

A gente pensa que não… mas fazer a diferença, na vida de uma única criança, nos permite imaginar que podemos sim, de forma coletiva, construir uma sociedade mais empática e responsável.

Que Yvonne Bezerra de Mello possa ser inspiração para muitos e reconhecida como uma mulher que acima de tudo enxerga e compartilha esperanças no futuro presente de nossas crianças!

Andréa Nakane é carioca, apaixonada pela Cidade Maravilhosa, relações públicas, professora universitária, Doutora em Comunicação Social e Mestre em Hospitalidade.Embaixadora do RJ. Vive há 20 anos em Sampa e adora interagir com pessoas singulares que possam gerar memórias afetivas construtivas.

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