Andréa Nakane: Vocação de Servir com Afeto, no Ar ou na Terra

Colunista do DIÁRIO DO RIO fala sobre Helaine Christina dos Santos Silva, que divide sua vida entre duas grandes paixões: a Comissaria de Bordo e a Veterinária

Helaine Christina dos Santos Silva, 44 anos, carioca, moradora da Tijuca, divide sua vida entre suas duas grandes paixões: a Comissaria de Bordo e a Veterinária.

Com mais de 21 anos dedicados aos serviços de aeromoça, e com três no ofício de veterinária, Helaine Silva, não consegue de imediato dizer o que mais faz seu coração pulsar mais forte, já que para ela seu trabalho no ar lhe permitiu conquistar seu outro título, além da graduação em Turismo, inclusive, sendo o meio que lhe proporcionou condições para idealizar e colocar em prática o projeto social AeroVet.

Esse projeto, cujo nome é a fusão dos trabalhos de Helaine Silva,  visa oferecer atendimento à pets, em domicílios, com valores mais acessíveis do que um atendimento domiciliar comum. A ideia surgiu concomitantemente ao ingresso na faculdade de veterinária, já que o amor aos bichos sempre a atiçou por buscar algo que pudesse explicitar tal prazer, ampliando seus cuidados aos animais abandonados, resgatados ou em condições de vulnerabilidade física.

O trabalho de veterinária fica condicionado à escala de seu trabalho na aviação, sendo a prioridade atender abrigos, protetores de animais, lares temporárias e tutores que adotaram e/ou resgataram bichos.

O resultado gera um atendimento mais tranquilo, sem stress para todos os envolvidos, sem falar que os valores acabam sendo muito mais acessíveis, incluindo consultas de clínica geral, dermatológica, exames laboratoriais, aplicações de vacinas, entre outros.

“Na pandemia, os atendimentos praticamente quadriplicaram, porque, muitas pessoas sentiram-se solitárias e acabaram por adotar bichinhos ou até mesmo adquirí-los” , esclarece Helaine Silva.

Na contramão desse cenário, Helaine Silva alerta sobre a questão do abandono dos animais, alegando que a situação sempre ocorreu, porém o que fica evidenciado na atualidade é a constatação de um maior número de animais perambulando pelas ruas, não só dos chamados vira-latas, mas também de animais de raça.

“ Os mais abandonados são Chow-Chow, Bulldog francês, inglês, até mesmo Yorkshires… o que mais vejo como desculpas são questões como – estou grávida e não tenho como mantê-lo com a chegada de um bebê, perdi o emprego e não tenho mais como sustentá-lo, tive que me mudar para um ambiente menor e não há mais espaço para ele. Porém acredito que ainda há uma visão de que um animal doméstico ainda é considerado algo não prioritário, o próprio veterinário acaba sendo lembrado somente em situações emergenciais.” declara Helaine Silva.

Ela ainda relata que em períodos eleitorais, os candidatos tentam associar sua imagem a causa animal, com mil e uma promessas, mas fica evidente a falta de compromissos reais com essa bandeira. A própria questão, já anunciada há algum tempo, de um hospital público para animais é um demonstrativo da ausência de políticas públicas para essa iniciativa.

Entre tantas parcerias já firmadas, Helaine Silva, relata um caso vivenciado por meio da sua atuação junto a FLAGATOS, que tem um trabalho primoroso, acolhendo mais de 200 gatos abandonados na região do Parque do Flamengo. Ela atendeu um caso – que até então não tinha ainda se deparado – o estupro de um gatinho, chamado Golden, que acabou respondendo bem ao tratamento e não ficou com nenhuma sequela, tanto física, quanto psicológica e hoje mora, feliz, em São Paulo, sendo adotado por uma protetora da própria FLAGATOS.

Helaine Silva denuncia que essa situação, de estupros em animais, infelizmente, não é rara e demonstra ainda mais a perversidade humana contra os animais.

Porém, Helaine Silva ressalta o trabalho altruísta de tantas ONGs e protetores particulares que realmente fazem a diferença na vida de milhares de animais. Ao desenvolver o projeto AEROVET, ela integra-se a essa rede do bem que possibilita gerar meios para acolher de forma plena as necessidades dos animais e dos seus tutores.

A aviação lhe permite dar continuidade a esses ideais e ainda, lhe possibilita ter acesso a congressos e outros eventos técnicos e científicos internacionais, já que a passagem tem custos com descontos, em função de seu vínculo como aeromoça, gerando mais oportunidades de trazer em sua bagagem novidades e protocolos diferenciados, que ela pode oferecer aos seus bichinhos.

Como não poderia ser, Helaine Silva é tutora de três cachorrinhos: MINHA (sem raça definida, que foi adotada já adulta na SUIPA, e hoje está com 13 anos), FLUKE (um Cocker Spaniel, de 11 anos) e MARDUK (um bulldog francês, com 3 anos).

A atuação de Helaine Silva, demonstra que sempre será possível fazer o que gostamos, de forma justa e empática, sem abrir mão de nossas crenças.

A maior recompensa que ela recebe, não advém somente da remuneração envolvida, mas da gratidão expressa por outras pessoas, e também dos animais, já que eles, em sua linguagem própria, reconhecem àqueles que o fazem bem e com afeto decodificado em um abanar de rabinhos, uma lambida ou simplesmente um olhar afagam seu coração, confirmando que não há nada mais prazeroso que exercer uma profissão que faz a diferença na vida dos que – felizmente- encontram-se ao seu redor.

Para quem quiser conhecer o trabalho da Helaine Silva, recomendo visitarem suas redes sociais @aero_vet , nas quais é possível também além de informações preciosas sobre o cuidado dos pets, ter acesso a bichinhos que estão em busca de um lar e prontos para amarem e serem amados incondicionalmente.

E por favor, não abandonem um animal ao relento, a sua própria sorte… pensem nas responsabilidades oriundas de receber um ser vivo em seu lar, que demanda custos e sobretudo cuidados amorosos. Ninguém é obrigado a nada, mas a partir do momento de sua decisão, você não pode simplesmente esquecer de seu compromisso e descartar como se fosse um objeto sem sentimentos. Seja você um verdadeiro amigo de seu pet e caminhem pela estrada da vida, juntos e não separados!

Andréa Nakane é carioca, apaixonada pela Cidade Maravilhosa, relações públicas, professora universitária, Doutora em Comunicação Social e Mestre em Hospitalidade.Embaixadora do RJ. Vive há 20 anos em Sampa e adora interagir com pessoas singulares que possam gerar memórias afetivas construtivas.
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