Andrey Monteiro: Coração de porco é a nova esperança para os que precisam de transplante

Andrey Monteiro, um dos melhores cirurgiões cardíacos do Brasil, fala sobre o transplante do coração de um porco em um ser humano na Califórnia

Foto de PNW Production no Pexels

Nesta semana o mundo, tão sedento por novidades na área da ciência, foi surpreendido com a notícia do transplante de coração de porco na raça humana. Esta prática, também chamada de xenotransplante, ja havia sido realizada na década de 80 na Califórnia, onde um recém-nascido, que na época ficou conhecido como Baby Fae, recebeu o coração de um babuíno. Apesar das limitações impostas pela ciência naquela época, desde a falta de manipulação genética do animal doador, até as limitações das drogas imunossupressoras, o bebê receptor durou cerca de 20 dias.

O fato é que há muito tempo se discutem problemas bioéticos relacionados ao transplante entre raças e animais diferentes, principalmente relacionados ao risco de infecções virais cruzadas, o que poderia ser um problema de consequências mundiais.

É claro que não podemos desmerecer a janela de esperança que se abre com este feito: a expectativa de oportunidade para pacientes em fila de transplante na qual a maioria não consegue sobreviver à espera, o avanço da terapia genética e de manipulação de tecidos. Porém de nenhuma maneira o horizonte de incertezas relacionadas ao tema tem os devidos questionamentos respondidos.

No caso em questão a indicação do transplante foi terapia de compaixão para alguém sem expectativa de vida alguma. Independentemente disso, a segurança e metodologia se fazem necessárias e que este precedente não seja aberto para o mundo sem a devida segurança. Principalmente se imaginarmos locais com controles menos rigorosos.

Vamos ser otimistas, porém cautelosos. Confiamos na ciência e temos a certeza de que ela nos guiará para o melhor caminho, sem falsas esperanças ou insegurança à humanidade.

Advertisement

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui