Antigo campus da Gama Filho vai se transformar em Parque Piedade, com centro cultural, esportivo e área de lazer

Fechado desde 2014, antigo campus vai virar um área de lazer nos moldes do Parque Madureira

Antigo prédio da Universidade Gama Filho, em Piedade - Foto: Reprodução

Abandonado há cerca de oito anos no bairro de Piedade, na Zona Norte do Rio, o antigo campus da Universidade Gama Filho irá se transformar no “Parque Piedade”, um espaço com centro cultural, esportivo e com área de lazer, nos mesmo moldes do vizinho Parque Madureira. O projeto será desenvolvido pela prefeitura em parceria com a Fecomércio-RJ. As informações foram divulgadas pelo jornal Extra.

O local, que já foi símbolo de prosperidade para a região, abriga atualmente apenas as ruínas da Gama Filho, gerando degradação e representando o descaso com umas das instituições que já foi uma das mais prestigiadas do município. O campus está avaliado em R$ 308 milhões, segundo valor estabelecido por administradores judiciais.

A nova área de lazer do Rio terá quase 17,7 mil metros quadrados, onde haverá um centro cultural, esportivo e educacional. Conforme informou o jornal Extra, o projeto do município foi revelado depois de, no último dia 16, o prefeito Eduardo Paes ter publicado em Diário Oficial um decreto que declara de utilidade pública, para fins de desapropriação, 35 endereços da universidade. E pretende ser a alavanca para uma retomada de todo o entorno.

Os croquis iniciais incluem uma esplanada para eventos, um mirante, hortas comunitárias, anfiteatro, quadra de esportes, praça de skate e espaços com brinquedos de “alta qualidade”, além de uma área comercial para restaurantes e lojas. Passarelas devem ligar o parque à estação de trem e ao trecho do bairro localizado do outro lado da linha férrea. E no edifício onde funcionava a biblioteca da universidade, que hoje se vê depredado por quem passa pela Rua Manoel Vitorino, funcionará um centro de tecnologia.

O projeto conceitual do parque foi todo elaborado pelos arquitetos e urbanistas da prefeitura. O scretário de planejamento urbano, Washington Fajardo afirma que uma licitação já foi lançada para contratar a empresa que fará o projeto para a execução das obras, o que ajudará a definir valores e prazos para que a construção do local saia do papel.

Já a Fecomércio informou que já desenvolve o projeto para as construções que serão destinadas à federação. Assim que “estiver finalizado, ele ficará à disposição da prefeitura do Rio, aguardando o momento em que a instituição tiver autorização para dar início ao projeto”, diz o comunicado.

Em maio de 2020, o DIÁRIO DO RIO mostrou, pelas lentes do fotógrafo Wagner Souza, ex-aluno da Gama Filho, como estava a sitauçaõ do campus. Veja nas imagens abaixo:

Campus Gama Filho/ maio de 2020 (Foto: Wagner Souza)
Campus Gama Filho/ maio de 2020 (Foto: Wagner Souza)
Campus Gama Filho/ maio de 2020 (Foto: Wagner Souza)
Campus Gama Filho/ maio de 2020 (Foto: Wagner Souza)
Campus Gama Filho/ maio de 2020 (Foto: Wagner Souza)
Campus Gama Filho/ maio de 2020 (Foto: Wagner Souza)
Campus Gama Filho/ maio de 2020 (Foto: Wagner Souza)

Nova área de lazer e moradores

Ainda na nota, a federação ressalta que na região já há três empreendimentos imobiliários em andamento, cada qual de uma construtora diferente. Ao todo, são 1.700 novas unidades habitacionais. O parque, afirma o Vaz, também servirá a esses novos moradores. E ele espera que atraia novos investidores à região, em consonância com os planos do município de estímulo a uma renovação da Zona Norte, sobretudo, na direção dos ramais de trem que cortam a região.

Essa também é a expectativa de Fajardo. Ele lembra que uma das bases da revisão do plano diretor do Rio, em debate na Câmara, é o estímulo ao adensamento de áreas próximas aos corredores de transporte de alta capacidade. Assim como é discutida a substituição, por exemplo, de velhas fábricas por moradias, como ocorre com a União, em Piedade, que está sendo transformada em condomínio.

Um movimento inicial nesse sentido ocorreu em abril do ano passado, quando Paes assinou um primeiro decreto para desapropriar o imóvel da Gama Filho. Já foi, na época, um alento a moradores e credores, que esperavam uma definição desde a falência do grupo, em 2014.

O campus tem 57.300 metros quadrados de área construída e capacidade para 40 mil estudantes. Mas, quando fechou, havia cerca de 9 mil alunos, muitos que até hoje não conseguiram ter o diploma, porque a universidade foi descredenciada pelo MEC, antes de ser decretada a falência do Grupo Galileo, responsável, na época, pela Gama Filho e UniverCidade.

Vereador recebe diretoria da Fecomércio

Primeiro secretário da Câmara Municipal, o vereador Rafael Aloisio Freitas (Cidadania) recebeu a diretoria da Fecomércio para conhecer o projeto da entidade para revitalizar o espaço da Universidade Gama Filho.

De acordo com o projeto da Fecomércio, que ainda depende de aprovação da Prefeitura do Rio, os prédios da universidade serão reformados. E passarão a abrigar unidades do Sesc e do Senac, com cursos e oficinas de idiomas, tecnologia, artes e ciência, teatro, biblioteca, salas multiuso e galeria, além de um parque aquático, um ginásio poliesportivo e uma escola infantil para filhos de empregados do comércio.

O bairro de Piedade faz parte da área da Região Administrativa do Méier junto com outros 15 bairros, onde vivem mais de 400 mil pessoas. A Prefeitura do Rio publicou no último dia 16 decreto desapropriando o campus da universidade, mas ainda não anunciou como o local será ocupado.

O projeto da Fecomércio é bastante interessante no sentido de fortalecer as ações de esporte, cultura, educação e assistência na região”, observa o vereador Rafael Aloisio Freitas.

Um pesquisa realizada pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises com 650 empresários do entorno da região da Gama Filho mostra que 98,4% deles avaliam como muito importante e importante a revitalização do campus da antiga universidade. E 77% acreditam em aumento do seu faturamento a partir daí. Para 26,6% dos entrevistados a segurança no entorno vai melhorar, enquanto outros 13,5% afirmam que a revitalização vai dar maior visibilidade para toda a região.

Este ano, o falecido vereador Aloisio Freitas, que foi presidente da Câmara e é pai do Rafael Aloisio Freitas, faria 50 anos de formado em Medicina pela Universidade Gama Filho. Foi o Rafael Aloisio Freitas que, durante a campanha de 2020, levou o prefeito Eduardo Paes a conhecer a situação de abandono do espaço.

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11 COMENTÁRIOS

  1. Ok. Muito dinheiro vai ser investido, muito dinheiro vai ser captado, muito dinheiro vai ser concedido pela prefeitura,muito dinheiro irá para alguns membros da família Gama…..

    E ONDE RAIOS ESTÁ O DINHEIRO DOA DIREITOS TRABALHISTAS DOS FUNCIONARIOS QUE FORAM LARGADOS PELA JUSTIÇA DO TRABALHO E ATÉ HIJE NÃO RECEBERAM NADA. NAAADDDAAA. NEM DEMITIDOS FORAM. OS FUNCIONÁRIOS ATÉ HOJE NÃO RECEBERAM 1 REAL SEQUER. CADÊ O DINHEIRO DAS PESSOAS QUE DERAM A VIDA PELA INSTITUIÇÃO? CADÊ OS DIREITOS TRABALHISTAS? CADÊ A JUSTIÇA? CADÊ O CUMPRIMENTO DA LEI NESTA BAGUNÇA DE PAÍS? CADE?

  2. Não gostei, deveria si m fazer uma boa faculdade como UFRJ ou Uerj diria até um SENAI. Agora campus, ja tem em Madureira ou no Jardim Zoológico pessima ideias.

  3. O retrato de uma cidade, onde há um “desgoverno” que não têm a mínima consciência de nos valores históricos e culturais. Triste realidade!

  4. Vamos por partes…

    Israel Ondas – O papo era sobre um projeto louvável de levar um espaço de lazer público e de entretenimento gratuito aos moradores da região. Ñ tem absolutamente nada a ver com a malha viária da cidade;

    João do Campinho – Não sei onde vc leu que haverá exploração da iniciativa privada. Será UM ESPAÇO PÚBLICO E GRATUITO assim como o Parque Madureira, o Parque Olímpico, o Boulevard Olímpico, o entorno do Engenhão… Será um lugar de LAZER para os moradores daquela região que carecem MUITO disso (os parques mais próximos dali são em Madureira ou no Méier). Outra coisa, será implantado um pólo tecnológico PÚBLICO com investimentos da FIRJAN. Acho que vc, ou não entendeu, ou não leu totalmente a matéria (ou é mais um daqueles que critica pelo simples prazer de criticar);

    Neolight – O prédio era particular e nenhum órgão público poderia ter qualquer tipo de ação sobre ele. O “descaso” neste caso foi dos proprietários da extinta UGF que abandonou o prédio à própria sorte sem sequer preservar a memória e registros dos alunos, material e equipamentos;

    Mauro – Acho que é uma boa iniciativa para a região que está abandonada faz muitos anos (e por muitas gestões). Acredito que vá dar um respiro e uma motivação para mexer com a população local.

    Na minha humilde opinião acho louvável levar lazer, entretenimento e educação a um lugar que hoje é explorado por moradores de rua, baderneiros, viciados e criminosos. É uma iniciativa de resgatar para a sociedade um lugar tão abandonado e perigoso, transformando em algo útil e que dê vizibilidade e movimentação, ajudando até mesmo na questão da segurança local.

    • Prezado,

      Li atentamente o escrito, mais até do que possa imaginar. Antes de me criticar, sem razão e argumentos, e fazer apologia vã de uma gestão pública que decai dia a dia no conceito dos cariocas, sugiro estudar mais, visitar os bairros esquecidos das Zonas Norte e Oeste, sugiro pesquisar mais sobre a História dos bairros, sobre sua Economia, sobre os investimentos públicos que tem sido feitos invariavelmente sob uma ótica de mercado, e não sob a ótica de políticas públicas e de reais melhorias à população, sugiro enfim viver em algum desses bairros esquecidos por pelo menos meio século.
      Espaços públicos de lazer são importantes, mas mais importante ainda são espaços públicos de saúde e espaços públicos universitários, por exemplo.
      Que bom que tenhamos em Madureira a diversão gratuita do “Parque Madureira”, agora precisamos cobrar e sonhar com o Hospital Público de Madureira, a Universidade Pública de Madureira, o “Metrô de Madureira”, a revitalização de Madureira nos mesmos moldes da zona portuária…
      Sem falar nos ouros bairros esquecidos.
      Com tanta gente desassistida, passando fome, abandonada pelas ruas, vivendo de bicos, desempregada e esquecida, não posso jamais aceitar que a prioridade da gestão pública seja a pirotecnia, os holofotes, o espetaculoso e midiático.
      Me desculpe pela franqueza não é pessoal.
      Tenho mais anos e conhecimento de ‘subúrbio carioca’ que muitos “gestores” que sequer sabem o que é viver ali.
      Reveja seus pontos de vista, à luz da verdade, sem ideologias ou vieses, sem paixões e não se apresse em se contrapor a argumentos sólidos.
      Não é sensato.
      Que Deus te ilumine.

  5. Projeto válido e interessante. Porém a motivação em estimular o adensamento próximo aos transportes de massa existentes, mostra q não há vontade de fazer outros e não há expectativa q se amplie a malha metroviária da cidade levando transporte de massa onde não tem, em que haveria uma maior distribuição populacional, de comércio e serviços pela cidade. As linhas transversais tão necessárias por exemplo, como a linha 6 Galeão X Alvorada cruzando Jacarepaguá e zona Norte, a já cogitada linha Alvorada X Fundão acompanhando a linha amarela passando por Freguesia, Engenho de Dentro, Del Castilho, etc…. e pq não fazer a linha Bangu X Central seguindo a Marechal Fontenele, Intendente Magalhães, Dom Helder Câmara até Benfica, Luiz e Gonzaga e finalmente cidade nova e Central???. O Rio precisa desse esqueleto de mobilidade, o restante vai se desenvolver naturalmente.

  6. Em vez desse projeto midiático, por que não fazer da antiga UGF, uma Universidade Municipal, a Universidade Municipal do Rio de Janeiro, a UMRJ, restaurando a essência, a vocação daquele espaço?
    Quantos espaços voltados e vocacionados à Educação se perderam, sob a indiferença da Prefeitura do Rio?
    Cito apenas duas perdas relativamente recentes. Dois colégios tradicionais e importantes: Colégio Arte e Instrução (Cascadura) e Colégio Nossa Senhora da Piedade (Piedade).
    Não há como esquecer ainda o campus da antiga Faculdade Nuno Lisboa. Que fim levou?
    Mas, como é típico dessa péssima gestão municipal, prefere-se em detrimento do interesse público, o espetáculo, o espetaculoso e o midiático, condicionando equivocadamente o planejamento público ao interesse privado.
    É o planejamento público que deve influenciar e direcionar o interesse privado ao bem-estar geral da sociedade, e não o oposto, como o viés neoliberal costuma erroneamente assumir como dogma.
    Mas, afinal, esperar o quê de uma gestão orientada essencialmente para os holofotes?

  7. É uma vergonha ver essa faculdade abandonada , podendo ser ADM pela secretaria da educação municipal, estadual ou federal.
    Mas esses políticos nojentos, e capitalista só olha para o bolso deles.

    Poderiam ajudar a faculdade ou manter aberta com os recursos do estado ….

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