Foto: Marcelo Tavares

Há quem defenda que o Rio de Janeiro tenha mais transporte hidroviário, dada à geografia do estado. Todavia, transporte coletivo via águas é uma enxurrada de problemas. É isso o que mostra a última matéria da série #AondeVamosParar?.

Desde o início da pandemia, os usuários das barcas vêm reclamando dos longos intervalos de espera para pegar o transporte. Mas o problema não é de hoje: “Piorou do ano passado para cá, mas nunca foi um serviço muito rápido. A gente acaba acostumando a baseando nossos horários nisso, já sabendo que não é rápido”, disse Simone Gonçalves, moradora de Niterói que trabalha no Centro do Rio.

Em abril deste ano, a retomada de dois serviços oferecidos pela Barcas S/A foi solicitada pelo deputado estadual Felipe Peixoto (PSD) à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Um deles é a volta do catamarã que liga Charitas, em Niterói, à Praça XV, no Centro do Rio, interrompido em 2020, no início da pandemia. O outro é a redução dos intervalos de circulação das barcas que fazem o trajeto Praça XV-Praça Araribóia, no Centro de Niterói, ampliado sem aviso prévio ou justificativa. Nas indicações feitas à mesa diretora da Casa o parlamentar reforça que, além de fundamentais para os passageiros que fazem diariamente a travessia entre os dois municípios, os serviços são necessários para minimizar os riscos de contágio da Covid-19.

“Num momento em que intensificamos as medidas de isolamento social é fundamental e urgente que os meios de transporte se adequem para proporcionar mais comodidade aos passageiros, com medidas que reduzam as aglomerações. Infelizmente não foi isso que aconteceu no caso das Barcas S/A. Do jeito que está enfrentamos sérios riscos à saúde pública. Por isso vamos lutar junto ao Governo do Estado para a retomada desses serviços“, garante o deputado Felipe Peixoto.

No início da pandemia, o intervalo entre as barcas, que era de 15 em 15 minutos, passou a ser de 30 em 30. Sábados, domingos e feriados, o intervalo é de uma hora entre as embarcações.

O intervalo mais longo traz na bagagem outro problema: as lotações. Usuários se queixam que, agora, as barcas andam ainda mais cheias.

“Demora a passar, o que prejudica a todos, e ainda sai cheia, lotada às vezes”, conta Maria Cruz, moradora de Paquetá.

Os moradores de Paquetá, que sofrem com o serviço das barcas, não estão sozinhos nesse mar de problemas.  A implantação de uma Estação de Barcas na Ilha do Fundão é uma antiga reivindicação da comunidade universitária da UFRJ e da população da XX Região administrativa (AP 3) que abrange o território das ilhas do Fundão e do Governador

“A proposta de construção de um terminal de barcas na Ilha do Fundão apresenta grande viabilidade técnica e tem reconhecida relevância social, mas em função do lobby da máfia dos transportes ainda não se constituiu como política pública plena, apesar de estar prevista no Plano Hidroviário do Estado do Rio de Janeiro desde 1984. Hoje, 37 anos depois da vigência deste Plano, o transporte hidroviário na Baía de Guanabara segue subutilizado e as poucas linhas existentes funcionam de forma precária e insuficientes. Enquanto a população sofre com a (i)mobilidade urbana provocada pelos congestionamentos diários no trânsito que provocam um prejuízo econômico (ou ‘produção sacrificada’) estimado em R$ 29 bilhões, segundo o ‘Mapa do Desenvolvimento’ (FIRJAN, 2016)”, enfatiza Sérgio Ricardo que é morador da Ilha do Governador e co-fundador do Baía Viva.

Na última semana, a Secretaria de Estado de Transportes (Setrans) publicou o Aviso de Licitação para contratação de empresa que ficará responsável pela elaboração de estudos técnicos e pela modelagem da nova concessão do sistema aquaviário de passageiros e cargas no Estado. A abertura da licitação está marcada para o dia 9 de dezembro, às 10h30. A instituição vencedora terá prazo de oito meses para apresentar o novo modelo. Concluída essa etapa, ela apoiará a Setrans na preparação e condução de uma outra licitação para contratar o(s) novo(s) operador(es).

Diante da perspectiva de encerramento da atual concessão (fevereiro de 2023) e do objetivo de aperfeiçoar o serviço prestado à população, nos últimos anos, a Setrans conduziu estudos internos baseados em trabalhos de instituições acadêmicas, deliberações da Agetransp e grupos de trabalho institucionais.

Paralelamente, diante da complexidade do tema, a Setrans iniciou a busca de subsídios, através de reuniões e audiências públicas com diversos atores, incluindo prefeituras, parlamentares estaduais e municipais, órgãos de controle externo, representantes da sociedade (associações de moradores e ONGs) e agentes de desenvolvimento econômico.

“Essa modelagem tem o objetivo de materializar o novo paradigma de transporte aquaviário e deverá ser capaz de gerar soluções efetivas para os desafios impostos pelo cenário da mobilidade urbana pós-pandemia”, afirmou o secretário Juninho do Pneu.

3 COMENTÁRIOS

  1. Eu trabalhei ali .. 10 anos eles sempre dificultaram as coisas pra Paquetá .. isso não mudou e nem vai mudar pois eles tem os políticos na mão .. tanto que o grupo CCR estão em quase todos os transportes públicos ..metrô vlt .tbm estão na ponte rio x Niterói ..não vai mudar nunca …eles quem mandam ..

  2. O sistema é deficitário, a CCR tem prejuízos enormes e nenhuma empresa vai querer assumir esse negócio.
    Esse tipo de embarcação (que é excelente), não se presta para esse tipo de serviço, é como colocar uma Mercedes para andar na estrada de terra, certamente quando compraram as barcas novas teve muita roubalheira e sacanagem. Novas tecnologias já usadas lá fora estão a disposição, basta querer.

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