Foto Cleomir Tavares / Diario do Rio

Historicamente, os trens do Rio de Janeiro são associados, com razão, a um serviço de transporte público muito ruim. Dos veículos sucateados de décadas atrás aos preços, atrasos, insegurança e superlotações de atualmente, esse é o tema da terceira matéria da série #AondeVamosParar.

Em junho deste ano, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp) suspendeu o aumento no valor da tarifa dos trens que entraria em vigor no primeiro dia do mês. A passagem passaria de R$ 5 para R$ 5,90.

A ideia do aumento da passagem, como era de se esperar, não agradou os usuários do transporte. “Chega a parecer deboche, eles querem subir o preço da passagem em quase um real com esse serviço tão ruim”, disse Washington Costa, morador de Nova Iguaçu.

De acordo com a Agetransp, o prazo de negociação de um novo índice de reajuste não se esgotou em junho. A agência alegou que a concessionária Supervia tomou uma decisão isolada. A Supervia informou que a decisão da Agetransp foi tomada sem que houvesse um acordo ou comunicado prévio, “apesar de termos nos colocado, a todo momento, à disposição para o diálogo com o Governo do Estado”. A empresa vai apresentar recurso “para garantir a segurança jurídica que rege o contrato de concessão”.

A concessionária alegou que teve perdas financeiras por contas das regras de isolamento social em função da pandemia da covid-19. A Supervia informou que no início de junho registrou uma perda financeira de mais de R$ 474 milhões, resultado da redução de mais de 102 milhões de passageiros.

Um relatório da Casa Fluminense estima que a tarifa de trens pode passar de R$7 em 2022.

O governo do estado informou que pretende implantar, a partir de 2022, a Tarifa Social, um meio de custear parte da passagem para os usuários dos trens e metrô, válido apenas para quem utiliza o Bilhete Único. Atualmente, a medida beneficia somente os usuários do transporte por barcas, cuja tarifa é de R$ 5,15 quando paga com o BU. A diferença para atingir os R$ 6,90 do valor normal é subsidiada pelo governo ao concessionário.

A subsecretária de Mobilidade e Integração Modal do estado, Paula Azem, falou sobre ao participar do seminário Colapso da Mobilidade Urbana, organizado pela Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). A Tarifa Social foi aprovada pela Assembleia Legislativa (Alerj) em 2014.

Desde o início da pandemia, usuários dos trens da Supervia, sobretudo na Baixada Fluminense, no Ramal Belford Roxo, vêm reclamando dos atrasos. Com muita frequência, a operação se encontra suspensa ou com intervalos irregulares, o que caracteriza longos atrasos.

No último mês de setembro, por três dias seguidos, atrasos de horas foram registrados. Sobre isso, a Supervia disse que novos furtos de cabos que prejudicam o funcionamento das composições.

A insegurança é um problema histórico dos trens no Rio de Janeiro. Os relatos de assaltos, furtos e crimes de importunação sexual, sofridos por mulheres, são relatados constantemente.

“A gente anda com medo. Quando está vazio, o medo é de ser roubada, quando está cheio, o medo é de sofrer algum tipo de abuso”, afirma Glória Macedo, diarista, usuária do Ramal de Japeri.

Desde 2018, com a promulgação da Lei nº 13.718, a importunação sexual é passível de reclusão de 1 a 5 anos. Segundo o texto, importunação sexual é “praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”.

A próxima matéria da série #AondeVamosParar terá como tema o metrô do Rio de Janeiro e o projeto que não contempla parte significativa da cidade.

2 COMENTÁRIOS

  1. A concessionária está em Recuperação Judicial, os passageiros sumiram, a receita caiu e o custo manteve-se. O Estado do RJ ofereceria certamente um serviço muito pior – quem lembra da Flumitrens que o diga! Os casos de furto de cabos, assaltos, importunação são coisas de criminosos e a concessionária nada pode fazer, é coisa pra polícia. Então, que raios adianta mirar a concessionária?

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