Após a pandemia, empresas dão preferência para escritórios de alto padrão no Rio de Janeiro

Número de locações concluídas em janeiro no Centro — quase 9 mil metros quadrados — está diminuindo a vacância de escritórios na cidade, que começa a retomar fôlego.

Centro do Rio (Foto: Brenno Carvalho)

O retorno gradual do trabalho nos escritórios de alto padrão tem revelado uma nova tendência no perfil das locações no Rio de Janeiro. Alguns especialistas dizem que a cidade passa por um período de transição, já que o alto número de locações concluídas em janeiro no Centro — quase 9 mil metros quadrados — estes diminuindo grandemente a vacância de imóveis na cidade.

A informação afirma que o índice de vacância na cidade foi de 35,73% em janeiro, mas deve recuar mais ainda nos próximos segundo a consultoria Cushman & Wakefield, uma espécie de imobiliária internacional especializada em locações de imóveis para empresas. O arrefecimento da idéia que parecia dominante, de manter o chamado “home office”, é apontado como uma das razões do aumento da ocupação deste tipo de escritório. Os especialistas, porém, acabam divergindo, ainda que todos concordem que a vacância deste tipo de imóvel premium tem diminuído com velocidade.

As empresas têm reduzido o número de pessoas nos escritórios e, por consequência, diminuído a área locada. Essa redução tem feito as empresas migrarem suas sedes para regiões ou prédios de maior interesse”, diz Thierry Botto, diretor de transições da Cushman & Wakefield.

Para Lúcio Pinheiro Buenos Ayres, diretor da Sergio Castro Imóveis, maior empresa de locação, venda e administração de imóveis da região Central, o movimento de locação dos imóveis comerciais mais luxuosos tem sido realmente constante. Mas ele justifica isso de forma diferente. “Com a grande vacância causada pela crise econômica e pela pandemia, todos os imóveis baixaram de preço, inclusive os de alto luxo e tecnologia. Então, com valores que anteriormente colocariam uma empresa num edifício médio, hoje se consegue um prédio de categoria AAA“.

Para o profissional, que atua há mais de 30 anos no segmento, a questão vai além. “Parecia no início que todo mundo iria pra home office. Só que o home office inibe a criatividade, sufoca o trabalho em grupo, estressa o trabalhador. Nem todo mundo tem espaço e estrutura em casa para trabalhar com calma. Além disso, sem reuniões presenciais, a criatividade sofre um baque e a troca de idéias não ocorre. As empresas já sentiram isto e o retorno ao presencial tem sido uma constante para praticamente todos os nossos clientes.

A redução na vacâncias assim como o retorno dos servidores da justiça (no próximo dia 14 de março) ao trabalho presencial é a aposta de comerciantes do Centro para um novo renascimento do bairro, que se tornou prioridade do Governo do Estado, com o programa Centro para Todos, e da Prefeitura, com o programa Reviver Centro.

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18 COMENTÁRIOS

  1. O que me estressa embora de carro ou transporte público para o Centro. Houve evoluções na minha empresa para 100% digital. Economizamos em muitos pontos e as tarefas ficaram mais rápidas e dinâmicas. Já tinha trabalhado de HO antes da pandemia em outra empresa e nunca me estressou. Eu prefiro gastar um pouco mais do meu bolso e ficar em casa a encarar o transporte público ou o trânsito do Rio para ir e voltar ao trabalho. Isso sim é desumano.

  2. Muito interessante a matéria, mas como disseram abaixo, não vai muito além de wishful thinking dos que trabalham com o “real estate corporativo”. A geração do “senso de urgência” é uma mui antiga estratégia de vendas, e se você lê isso aqui e vai no Centro do Rio, no “miolo corporativo” da cidade mesmo você se pergunta: “Nossa, onde está todo esse retorno ao presencial?” porque presentes mesmo na região se fazem muito os: pedintes, sem-tetos de toda sorte, e menores moradores de rua. E não, os preços praticados não abaixaram drásticamente e, quando abaixados, as abusivas práticas contratuais dos proprietários recuperam o ônus nos reajustes seguintes. Logo, qual empresa em sã consciência vai querer pagar aluguel para seus colaboradores trabalharem num local desses? Resta apenas manter o H.O dentro de políticas próprias de cada uma ou caso faço muita questão, o aluguel em algum local mais “habitável” da zona sul.

  3. Os maiores cientistas da humanidade trabalhavam sozinhos!!! Criatividade precisa de um ficar colado no outro ouvindo asneiras de puxa-sacos de chefes?

  4. Matéria tendenciosa sim, e o senhor Fabiano deve ser dono ou sócio de alguma imobiliária! Home office é o futuro! Criatividade perde-se com a exaustão gerada por ter que enfrentar trânsito caótico do Rio e o calor insuportável ao ter que sair pra almoçar! Einstein, Gauss, James Clark Maxwell (centenas dos grandes cientistas do mundo criaram suas teorias trabalhando sozinhos) – inclusive Isaac Newton desenvolveu o cálculo e a Teoria da Gravitação Universal quando uma pandemia atingiu a Inglaterra e ele ficou isolado por mais de um ano na fazenda de sua avó! Criatividade? Deixa de ser marqueteiro Fabiano!

  5. Wishful thinking do dono da imobiliária. No mundo real, o centro está deserto perto do que era, e graças a Deus. Teletrabalho é o futuro. Ser contra isso é ser contra computadores substituírem máquinas de escrever. Graças a Deus o mundo está mudando. Ninguém merece o trânsito do Rio. Caiam na real, criatividade é pra Apple, Google. A esmagadora maioria das empresas fazem um trabalho rotineiro.

  6. É impressionante e triste como algumas pessoas tendem a politizar algo que não tem nada a ver com política.

    A matéria é sobre COMPORTAMENTO SOCIAL e o REAQUECIMENTO IMOBILIÁRIO com novas tendências comerciais e vem idiota aqui falando em “matéria tendenciosa”, “seguir o que o prefeito manda”, “riscos de pandemia” e um outro falando até em “assédio”.

    Enquanto tivermos essas “cabecinhas pequenas”, que só sabem politizar e defender causas político-ativistas, incapazes de tecer simples comentários que sejam pertinentes a um assunto focal, permaneceremos sendo uma população de “comentaristas medíocres de Instagran e TikTok”.

  7. Matéria tendenciosa. O prefeito acha q controla a pandemia, deveria buscar outra solução e não pôr a população, q já é tão pouco esclarecida, em risco. Melhor ele tratar dd nelhorar enormenente o transporte coletivo caquético que a cidade oferece. Isto para não sair elencando os problemas crônicos de nossa cidade.

    • Amigo, quem falou de prefeitura na matéria??? “Tendencioso” é VC que não sabe ler e fica disparando assuntos que nada tem a ver com o contexto da publicação.

  8. Fato é que tem havido procura crescente por espaços de médio porte em locais de Coworking de alto padrão, em prédios de classe AAA, no centro da cidade.

    • Sim. Eu trabalho em um escritório que o cupa um andar inteiro na Sete de Setembro. Procuramos algo menor para comportar apenas os “presenciais” e diminuir custos e está ficando cada vez mais difícil encontrar.

  9. A reportagem deve ter sido escrita ou revisada pelo pessoal da Sergio Castro imóveis…kkk….todas as afirmacoes a respeito do home office nao se comprovam com nenhum dado ou pesquisa realizada. Pessoal do diario do rio ta apelando e perdendo a noçao do que publica….da-lhe jabá

  10. Que comentário sofrível de uma pessoa que nem sequer tenta ponderar a argumentação. Minha querida, não sei se percebeu como está o trânsito essa semana após a volta as aulas? Belo né, qualidade de vida a mil de quem se locomove na cidade. Será q o fato das pessoas estarem exaustas não inibe a criatividade? Não sei onde as reuniões presenciais são melhores que as virtuais, afinal, é muito bom poder rever alguns pontos importantes de reuniões quando se tem tudo gravado. Ainda, e o assédio moral/ sexual em ambiente de trabalho, diminuiu horrores – ninguém quer se expor no mundo virtual que é fácil de coletar provas.
    Pensa nisso, o conceito de escritório presencial, grandes centros urbanos é um grande vetor da desigualdade e das doenças da nossa sociedade. Felizmente o mundo evolui.

    • Nossa, que comentário preconceituoso e vil.

      É fato que em home office, até pela liberdade de tempo e desregramento da grande maioria, trabalhamos MUITO mais e de forma desfocada. O trabalho presencial, além de proporcionar maior entrosamento social entre os pares, maior velocidade de resposta, proporciona também um convívio sensorial que não temos através da frieza de uma videochamada. E não me venha com esse papo de “assédio”, pois isso ocorre também no mundo virtual, principalmente assédio moral (talvez até mais que no ambiente presencial).

      Agora, se vc acha que “socializar” é o mesmo que “assediar”, se vc acha que um chopp ou um happy hour é um absurdo, que uma videoconferência tem mais “calor humano” que uma reunião “olho no olho” e que os grandes centros são VETORES de desigualdade, me desculpe, mas o DOENTE aqui é vc!!!

  11. Que reportagem mais tendenciosa. Dizer que o home office estressa o trabalhador é uma mentira e, que mata a criatividade, é outra. Obviamente, o diretor da imobiliária vai puxar a sardinha para o negócio dele, mas não entende como funciona o modelo de produtividade moderna. Além disso, muitas empresas economizam um bom dinheiro.

    • Acho que este site é de dono de imobiliária, não é possível! A campanha que eles fazem contra o home office é patética! Eles obedecem ao que o Dudu Paes fala, dizendo que a pandemia acabou (kkkk) e querem que trabalhadores sustentem comerciantes do centro do Rio. Melhorar o transporte público medonho do Rio eles não falam.

      • Olha, eu critico bastante o Diário do Rio quando as matérias representam interesses comerciais velados (a página pertence à Sérgio Castro imóveis, e em alguns lugares eles divulgam isso), mas nesse caso eles têm razão. É sensível que o home office prejudicou bastante o engajamento e o processo criativo onde trabalhamos. Um regime híbrido pode vir a ser ideal, mas o home office quase integral tem sido revertido dia após dia pelas grandes empresas. Vale bastante ler uma entrevista com o CEO do JP Morgan sobre como o home office afetou a empresa. Saudades de cruzar com muitos colegas no Centro do Rio, de verdade!

    • Cara, HO não te estressa??? A falta do convívio com seus pares, as várias horas extras de trabalho que acabamos por não contabilizar, a filha chamando, a mulher reclamando e o cachorro latindo enquanto vc precisa de foco e concentração para pensar, isso não te estressa???

      Não sei qual a sua área de atuação, mas te digo de cadeira que não é todo escritório que “economizou” com o HO. No meu, por exemplo, tivemos que modernizar todonparque de informática para disponibilizar notebooks aos funcionários. Pagamos parte da luz e da internet deles, além de não termos cortado a alimentação (apenas o transporte) como muitos fizeram. Não obstante a isso, ainda temos que manter a estrutura física com aluguel das salas, luz, copa, limpeza…

      Pense bem. Há dois lados nessa moeda!!!

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