Foto: Divulgação

Depois de 2 trimestres consecutivos de queda na taxa de vacância, o percentual de escritórios corporativos de alto padrão vazios voltou a subir no Rio. No segundo trimestre, a proporção entre a metragem disponível para aluguel e o estoque total ficou em 37,8%, contra 36,5% nos primeiros três meses deste ano. O levantamento foi feito pela consultoria imobiliária Newmark Grubb.

O estudo da Newmark mostra que o ligeiro aumento na taxa de vacância foi resultado da pequena absorção líquida (3.901 metros quadrados), insuficiente para compensar o volume de entregas no trimestre (8.379 metros quadrados). A absorção líquida mede a variação da metragem quadrada ocupada em relação ao trimestre anterior.

O início do ano foi marcado pela liberação de investimentos que estavam represados desde 2018, a trajetória de queda na taxa de vacância foi interrompida no Rio pela postergação de investimentos, diz Ricardo Penna, executivo da Newmark Grubb responsável no Brasil pelo segmento de escritórios corporativos: “O mercado está em compasso de espera.”

Para o especialista, a vacância elevada está empurrando para baixo o preço pedido por metro quadrado para locação na cidade. O valor médio pedido apresentou diminuição de 2,4% em relação ao trimestre anterior, fechando no patamar de R$ 83,9 por metro quadrado. A Barra da Tijuca foi a região que mais contribuiu para esses números, com 8,2%.

No entanto, de acordo com André Toledo, sócio-diretor da Block Imóveis, uma das principais imobiliárias que atende os bairros do Recreio e da Barra da Tijuca, houve um aumento considerável na quantidade de salas comerciais que foram construídas na região, com isso, o preço desses imóveis caíram e atingiram um patamar onde é mais vantajoso comprar do que alugar.

Hoje aqui na Block nós temos muita procura por salas comerciais, temos feito muito negócios nesse segmento, vendendo muitos imóveis mesmo, justamente por conta desse cenário. E com a baixa de juros hoje, da Caixa e do Itaú, apesar de que em se tratando de imóvel comercial o percentual da taxa de juro é diferente, mesmo assim, fica muito mais atrativo hoje a compra do que a locação. Temos tido muita procura de profissionais liberais querendo realizar esse sonho de ter a sua sede própria“.

Os preços médios mais altos foram registrados na Zona Sul (R$ 192 por metro quadrado), em Botafogo (R$ 108 por metro quadrado) e no Porto Maravilha (R$ 97 por metro quadrado), Região Portuária da Capital Fluminense. Para efeito de análise, a Newmark considera como Zona Sul os bairros de Copacabana, Ipanema, Leblon, Lagoa e Jardim Botânico.

Para Cláudio Castro, Diretor da Sérgio Castro Imóveis, maior consultoria especializada em imóveis comerciais da cidade, a construção e a inauguração de novos edifícios comerciais nas imediações do centro, juntamente com a crise econômica, reduziram a demanda de escritórios pela cidade.

Com a crise, os prédios novos tiveram seus valores de locação reduzidos, e devido às vantagens que oferecem, começaram a ser locados com mais rapidez do que os antigos, que, por sua vez, passaram a ser ofertados por preços muito baixos“.

Cláudio Castro também afirmou que salas e andares comerciais em prédios antigos, então, sem demanda suficiente, se tornaram “elefantes brancos”.

Hoje, só se consegue alugar estes espaços com muito trabalho, e se tiverem localização premium. Porém, foi muito facilitada a locação dos imóveis novos do Porto Maravilha, por exemplo. O edifício Vista Guanabara, lindo, espelhado, enorme, localizado na Avenida Venezuela esquina com Barão de Tefé, por exemplo, está praticamente 100% alugado. Enquanto a demanda não voltar ao normal, vamos continuar assistindo à locação dos imóveis mais modernos e daqueles que têm localização extremamente boa, como as salas na Rua da Assembléia, na Sete de Setembro, ou na Praia de Botafogo“, salientou Cláudio.

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