Foi na pressão que o prefeito Washington Reis (MDB) teve que anunciar no sítio oficial da Prefeitura de Duque de Caxias a desistência da intenção de construir a creche “Pequeno Guerreiro”, uma referência a passagem bíblica de David e Golias, no terreno-terreiro que pertenceu a Joãozinho da Goméia. Após esse anúncio em junho, movimentos sociais, religiosos, culturais e herdeiros de Tata Londirá, mobilizaram um abraço ao terreiro, onde defenderam a construção de um Centro Cultural que já encontra-se com projeto pronto e com previsão no orçamento do município.

Provocados, o Ministério Público Federal e a Defensoria do Estado do Rio de Janeiro questionaram as medidas que a municipalidade estava tomando para preservar o espaço, que merece proteção por estar em fase final de tombamento no Inepac como patrimônio imaterial e as intenções da escolha daquele espaço para construir uma creche.

Nesta segunda-feira (27/07), a Prefeitura de Duque de Caxias informou que pretende preservar o terreiro e realizar manutenção, limpeza e cercamento no local como recomendado pela Defensoria e que resolveu alterar o endereço para construção da nova unidade escolar.

O recuo atende a preocupações relacionadas à valorização da memória no local, notadamente da população negra e das religiões de matriz africana. Segundo o procurador da República Julio José Araujo Junior, que acompanha o caso, existe “a necessidade de proteção ao patrimônio histórico e cultural, a qual independe de efetivo registro ou tombamento em órgão competente”.

Mam’etu Seci Caxi, herdeira espiritual de Joãozinho da Goméia teve a confirmação do recuo da Prefeitura durante uma live do Museu Vivo de São Bento e comentou “Eu nasci ali os outros são netos. Ali pra gente é um solo sagrado. A importância daquele local é não só para o Axé Goméia, mas para a religião matriz africana, outras nações, pesquisadores e historiadores”. Mãe Seci lembrou que ainda tem a luta para finalizar o processo de tombamento “Temos um objetivo e vamos chegar nele. Peço sempre a todos da Comissão Goméia pé no chão e tranquilidade para chegar no objetivo”.

Para Heraldo HB, produtor cultural e escritor caxiense, a notícia é uma vitória, mas ainda não garante nada “Mostra que o governo sentiu a pressão das redes. É preciso manter a mobilização, em todas as frentes (jurídica, articulação política, midiática). Não dá pra confiar nesse em governo em ano eleitoral. Mas, nessa maré de notícia ruim, acho legal a gente encarar com uma conquista importante sim”, ressalta.

Um dos marcos para o reconhecimento das religiões de matriz africana no país, o Terreiro da Goméia foi um espaço com trajetória singular, tendo funcionado de 1951 até 1971, quando seu dirigente Joãozinho da Gomeia faleceu.

O MPF ainda destacou que, apesar do recuo da prefeitura, é necessário avançar nas medidas de proteção ao patrimônio, nos âmbitos estadual e federal, e de valorização da memória. “A mobilização foi importante para mostrar que decisões ilegais não vão prevalecer sem reação. Agora é necessário continuar a mobilização por direitos em favor da proteção junto ao Iphan e ao Inepac, além da aprovação de medidas na Alerj e nos órgãos municipais, estaduais e federais de valorização da memória”, ressalta o procurador.

3 COMENTÁRIOS

  1. Boa notícia para a memória e resistência das religiões, e da cultura Afro na Cidade de Duque de Caxias e no Estado do RJ, esperamos que a tolerância e o respeito prevaleçam.

  2. Isso amigo parabéns eles que que manda limpa do a aquela sujeira
    E mura tudo pra acaba com aquele local de viciado assim mais briga pra nada

  3. A disposição de luta com a prefeitura, deveria ser a mesma para cuidar do lugar. Parece um chiqueiro, com cavalos, porcos e um monte de viciados consumindo drogas 24h por dia. O Gomeia não merece isso. Sou cristão, independentemente da religião, admiro a figura do Gomeia. Foi um homem honrado e levou o nome da nossa cidade para todo o país através da cultura. O espaço e a memória dele, não merecem estar do jeito que se encontra.

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