Armazém mais famoso de Santa Tereza à venda

Um dos prédios mais famosos do bairro mais charmoso do Rio de Janeiro está à venda. A chamada Montmartre carioca (menos, menos), que cativa não só muitos jovens cariocas como também estrangeiros que visitam o Rio e o público alternativo em geral, se reúne em torno do famoso e extremamente bucólico Largo dos Guimarães.

É ali, no meio do trilho dos bondes, em frente ao simpático e aconchegante Cinema de rua do Largo dos Guimarães, que está de pé o belo prédio colonial com fachada em pedra de mão e massa amarelinha, com seus lindos arcos, seu quintal e seu jardim interno. Neste prédio, para quem não sabe, funcionou o Armazém São Joaquim, desde o século XIX até – acreditem! – o início do século XXI.

O Armazém fechou com o falecimento de sua dona, Stella Cruz, uma velhinha simpática e agradável que cumprimentava todos os passantes e clientes do Armazém, que quando fechou já funcionava como um mercadinho de bairro. Seu gato Jorge, que ficava deitado no velho balcão de madeira, era uma atração à parte.

Quando o armazém fechou, uma conhecida e folclórica figura – no mau sentido – de Santa Teresa tentou invadir o imóvel, mas o único herdeiro de Stella conseguiu tomar posse judicialmente do prédio, e desde então vinha alugando o Armazém, que chegou a ter um bar com música ao vivo, que explorava o estilo do imóvel e também se auto-denominava “Armazém”; o cantor Zéu Britto era um dos sócios do empreendimento, que acabou fechando, talvez como reflexo da parada econômica que se deu no bairro com as obras dos trilhos do bonde.

O Armazém é hoje uma das maiores lembranças de uma Santa Tereza que existe ainda, mas que luta para se sobrepor à Santa Tereza que sofre com os problemas das comunidades que a cercam. O fato é que o velho Armazém pode ser encontrado em fotos, pinturas, livros, arte alternativa, enfim, ele é um dos símbolos do bairro.

Santa Tereza, apesar de tudo isso, porém, vem sendo nos últimos meses palco de grandes negócios imobiliários. O investidor imobiliário alemão Uwe Fabich, por exemplo, dono da sensacional Funkhaus de Berlim, segundo corretores de imóveis que atuam na área, tem comprado imóveis no Bairro em sequência. Da mesma forma, os irlandeses da Lewis & Ho investiram em restauro de diversas casas e mesmo o dono da importante firma de materiais médicos Ottobock, especializada em próteses, adquiriu uma casa grande no bairro. Isso sem contar na rede hoteleira Accor, que comprou ano passado o Hotel Santa Tereza por cerca de 45 milhões de reais, Hotel este que havia sido adquirido pelo investidor francês François Delort por menos de 2 milhões de reais, em 2004.

De olho neste novo boom de investidores que estão comprando imóveis no bairro, logicamente de olho em lucrar comprando em tempos de crise, é que a Sergio Castro Imóveis coloca agora o velho Armazém São Joaquim à venda. Segundo Nelson Borges, gerente de vendas da empresa, o preço pedido pelo Armazém é de 1,5 milhão de reais: “Tendo em vista a necessidade de reformas, o inventário em curso e o fato de que uma pequena lojinha, que faz parte do armazém, segue invadida por um comerciante local”. Mas, ainda segundo Borges: “A invasão da lojinha não faz qualquer diferença, pois ocupa a esquina menos importante, com a Ladeira do Castro, e as despesas com a expulsão do invasor serão do comprador”. O corretor garante que, com tantos investimentos que estão sendo feitos no bairro por estrangeiros, facilitados pela alta taxa de câmbio euro/reais, o preço pedido é uma pechincha. Consultamos o avaliador de imóveis especializado Rodolfo Rique, que garantiu ao Diário que após uma grande reforma, o velho Armazém estaria avaliado em “mais de três milhões de reais”, tendo em vista ser um imóvel conhecido e localizado no melhor ponto de Santa Tereza, e que por ter um grande quintal e frente para três ruas, além de dois andares, serviria para diversos negócios.

A verdade é que, para quem quer começar um negócio em Santa Teresa, é difícil conseguir um imóvel mais simpático e mais bem localizado. O velho Donald Trump, quando ainda se ocupava de imóveis, sempre disse que o que importa é “location, location, location”. E se tem uma coisa que o velho Armazém tem, é “location”. E outra verdade não podemos negar: comprar em baixa é sempre um bom negócio.

3 COMENTÁRIOS

  1. Isso tudo é trágica.
    O fechamento é trágico.
    Mais trágico ainda são os investidores.
    Temos muitos desses investidores fazendo grandes negócios aqui.
    Compram, reformam e alugam.
    O Oportunnity está com centenas de imóveis só na região do Centro.
    Ordens religiosas também tem os seus imóveis.
    Uma matéria do Jornal do SBT outro dia mostrou pessoas que proprietárias de dezenas, algumas chegam a ter meia centena de imóveis, colocando no Airbnb.
    A questão é que imóvel não deveria ser fonte de renda se temos uma demanda por habitação reprimida pelos baixos salários e ausência de distribuição de renda que empurram quase 50% para fora dsas condições para ter imóvel com acesso aos serviços básicos – daí crescem cada vez mais as comunidades.

  2. A venda pode Ser importante para não acabar mais ao mesmo tempo fica a preocupação desse monumento histórico ficar esquecido se houver mudanças em sua características originais.
    O materialismo tem tomado conta das pessoas fazem de tudo pelo dinheiro até mesmo vender nossa história
    SE esse pedaço de história pudesse falar o que ele diria?

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