Artur da Távola Ontem faleceu um daqueles grandes políticos que nossa cidade possui, o escritor tucano Artur da Távola. Carioca da Gema, começou a carreira política em 1960, como deputado constituinte pelo estado da Guanabara e em apenas 4 anos foi cassado em 1964. Ele fundou o PSDB e foi o último grande senador de nosso estado, infelizmente não consegui entrar em 2004, quando Marcelo Crivella e Sergio Cabral preencheram as vagas,

Uma curiosidade sobre Artur da Távola, é que este era um pseudônimo, seu nome verdadeiro era Paulo Alberto Monteiro de Barros (se alguém souber a razão deste pseudônimo, fale nos comentários). Mas fica aqui registrada a admiração e as saudades do Diário do Rio por este grande homem.

Que fique registrado aqui um dos atos de defesa de Artur da Távola ao Rio. Um artigo em que defende a APAC e condena a especulação imobiliária.

Atentado Contra O Rio De Janeiro

  • APAC quer dizer “Área de Proteção do Ambiente Cultural”.
  • Na Constituição de 88, criamos (eu fui o relator) o conceito de que o patrimônio público não é composto exclusivamente de bens materiais (prédios históricos etc.).
  • É composto igualmente de bens imateriais, os que não se mensuram por valor pecuniário, e, sim por valor subjetivo.
  • Ambiente cultural significa um lugar, bairro ou logradouro no qual ainda existe qualidade de vida.. Isso também faz parte do patrimônio público.
  • Em 2001, o Leblon foi considerado um desses locais de qualidade de vida, ainda não deteriorados por edifícios descomunais. E é verdade.
  • Por isso, foi escolhido para ser a primeira APAC. Foi. Há seis anos que o bairro está em paz com seu meio ambiente.
  • A especulação imobiliárias chiou e tudo fez para derrubar a medida.
  • Mas, com o apoio do prefeito Cesar Maia, creio que trinta outras APACs foram criadas em bairros da cidade, depois do Leblon. Uma atitude de grandeza.
  • Os técnicos de patrimônio vão ao local onde haja bens imóveis e espaços livres representativos da história e das características do bairro e determinam quais edifícios, ruas, terrenos, morros ou praças etc. serão tombados pelo patrimônio histórico.
  • Esta é uma das maiores vitórias da inteligência sobre a voracidade da especulação imobiliária e o crescimento vertiginoso que vitimou Copacabana, por exemplo. As principais cidades do mundo possuem APACs, com nomes diferentes, e se defendem para não verem desaparecer o seu estilo de vida em nome de uma pseudo- modernização. Vide Paris.
  • Há tempos, interessados forçaram e forçam o Poder Judiciário, até que, recentemente uma das Câmaras do Tribunal de Justiça do Rio resolveu derrubar, por ora, a Lei da APAC do Leblon.
  • Esses desembargadores cometeram um ato de lesa-cidade; de barbaridade urbana.
  • A população, a imprensa, os formadores de opinião e os novos magistrados que tratarem da matéria em grau de recurso precisam mobilizar-se contra este grave atentado ao Rio de Janeiro. Aqui, quando se abre uma fresta, em seis meses as portas estão arrombadas. Será que já não chegam os absurdos que a especulação imobiliária cometeu contra esta cidade?!

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui