Baía de Guanabara ganhará um centro de monitoramento da Universidade do Mar

O Unimar tem como objetivo melhorar as condições de balneabilidade da Baía, além de auxiliar as populações que vivem na região

A Ilha de Brocoió/ Universidade do mar / Divulgação

A Baía de Guanabara ganhará, em breve, um programa voltado para o desenvolvimento de atividades acadêmicas, de inovação e desenvolvimento sustentável coordenado pela Faculdade de Oceanografia (Faoc), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O programa Universidade do Mar (Unimar), que foi oficializado pelo então reitor, Ricardo Lodi, 8.03 deste ano, tem como objetivo melhorar as condições de balneabilidade da Baía, além de auxiliar as populações que vivem na região. O Unimar está alinhado aos programas Agenda 2030 e Década dos Oceanos 2021-2030, ambos instituídos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo o diretor da Faoc, Marcos Bastos, a Ilha de Brocoió, que integra o arquipélago de Paquetá, ganhará um centro de monitoramento de vulnerabilidade socioambiental. A sua escolha se deve ao fato de ela ser um dos locais mais preservados do ecossistema da Baía de Guanabara, além de abranger a Zona de Amortecimento da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim e a Estação Ecológica (Esec) da Guanabara e Unidades de Conservação da Natureza (UCs) que integram os municípios de Magé, Guapimirim, Itaboraí e São Gonçalo. A ilha é ainda um refúgio para os botos cinza, animal ameaçado de extinção e símbolo ecológico do Rio de Janeiro.

Marcos Bastos adianta que a Universidade do Mar deve ser instalada em um prédio administrativo anexo ao Palácio de Brocoió. No local devem ser feitas obras de dragagem para construção de atracadouro destinado a receber o navio Professor Luiz Carlos, da Faculdade de Oceanografia da Uerj, utilizado nas atividades de pesquisa.

Em 2018, a Faculdade de Oceanografia (Uerj), a Associação de Moradores da Ilha de Paquetá e o Movimento Baía Viva (Morena) firmaram uma parceria para desenvolver o projeto, que não ficará restrito à Ilha e ao Palácio de Brocoió (antiga residência do Governo do Estado). A Uerj não atuará sozinha no consolidação do programa. Ela contará também com a parceria da UFRJ, UniRio, PUC-Rio, UFRRJ, UFF, Fiocruz e Comissão Interministerial dos Recursos do Mar (Cirm).

Segundo o diretor da Faoc, como a entidade já desenvolve um sólido trabalho de pesquisa em ambientes costeiros, com ênfase na Baía de Guanabara, a Universidade do Mar terá um imenso suporte acadêmico e técnico para realização dos seus trabalhos.

“A Faculdade de Oceanografia já desenvolve pesquisas nesses ambientes costeiros com ênfase na Baía de Guanabara, visando produção e disseminação de conhecimento, avaliação e monitoramento sobre o uso e consequências dos vetores que pressionam esse ecossistema. É importante destacar que, por meio do nosso navio oceanográfico, teremos a possibilidade de trabalhar na baía e áreas adjacentes também, potencializando cada vez mais a missão do centro de monitoramento que está dentro do programa da Universidade do Mar,” afirmou Marcos Bastos.

Marcos Bastos ressalta ainda que no programa serão realizadas tarefas de pesquisa, extensão, capacitação, treinamento, geração de oportunidade e de ensino em graduação e pós-graduação. Todo o trabalho realizado no programa repercutirá em outras regiões. Maricá, por exemplo, já pediu que fosse montado programa de extensão semelhante na cidade.

A importância da Universidade do Mar é tanta que, em 2021, a Ilha de Brocoió recebeu uma visita técnica de representantes de vários órgãos públicos. Integrantes da Secretaria de Estado da Casa Civil (SECC), do Instituto Estadual do Ambiente (Inea); do Departamento de Ensino e Navegação da Marinha do Brasil, além do Instituto Chico Mendes (ICMbio), entidade ligada ao Ministério do Meio Ambiente e que gerencia as unidades de conservação da Área de Proteção Ambiental de Guapimirim lá estiveram para verificar o andamento dos trabalhos. A visita também contou com a partição de representantes da Estação Ecológica da Guanabara; de integrantes da Uerj, Baía Viva e Morena, e da Confrem (entidade nacional que representa de pescadores artesanais e de populações tradicionais).

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