Baile clandestino na Saara se repete com drogas, depredação e sujeira

As festas reúnem centenas de pessoas, equipamentos de boate, camelotagem, traficantes de drogas e vêm causando a depredação de imóveis históricos e problemas freqüentes para os comerciantes e proprietários de imóveis na rua. Os eventos são clandestinos, e já foram reportados `as autoridades.

O evento se repete de quarta a sábado, e conta com consumo e venda drogas, depredação de imóveis e deixa um rastro de sujeira a cada edição. 25 comerciantes da rua estão revoltados e entregaram um ofício à subprefeitura do Centro para que a prática seja proibida.

Praticamente todas as quartas, quintas, sextas e sábados, na Rua da Conceição, entre as ruas Luís de Camões e Senhor dos Passos, no Centro da Rio, um evento de rua de proporções crescentes e consequências graves para a cidade vem se repetindo, ao arrepio das autoridades.

No início da noite, começam a chegar os ”pallets” e os equipamentos de som. Com eles, chegam os camelôs especializados na venda ilegal de bebidas alcoólicas. E, logo após, começam a acumular-se os jovens, normalmente de preto, que frequentam o misto de baile funk com festa ”rave”, que se repete praticamente todas as noites, levando à loucura os comerciantes e moradores da região, e atraindo os ”aviões” das bocas de fumo que, segundo informações obtidas na área, cada vez mais se instalam nos imóveis invadidos da região.

Durante a festa, som nas alturas, urina, fezes e vômito na porta dos comércios fechados, muita venda de drogas de todo o tipo, e depredação dos imóveis históricos cujas lindas fachadas dão um charme a mais à Saara.

Os jovens se revezam, com seus ”pincéis atômicos” (fotos abaixo), para depredar, destruir e menosprezar o patrimônio histórico do Rio de Janeiro. “Na parede, deixam recados que têm a mesma extensão do nível intelectual dos freqüentadores do “baile”“, disse ao DIÁRIO um comerciante revoltado com a situação, mas que afirmou temer pela sua integridade física, tendo solicitado o anonimato.

Segundo informações obtidas pelo DIÁRIO, o baile é clandestino e não poderia realizar-se. Não possui registro seja no Batalhão da PM, autorização da polícia e nem mesmo registro na Prefeitura. Mas, ainda assim, tem se tornado fonte de renda certa para contraventores, traficantes e seus organizadores. Após cada evento, a rua é deixada imunda, com pilhas de lixo tanto nas calçadas quanto no meio da rua da Conceição.

A cada edição do evento, o rastro é de destruição, e os comerciantes da área já não sabem mais o que fazer.

O evento começou pequeno, há cerca de 2 meses, mas, após tanto tempo sendo realizado sem qualquer ação das autoridades, já ocupa dois quarteirões inteiros da rua da Conceição, com centenas de freqüentadores, e seus organizadores cada vez mais certos da impunidade.

Um requerimento assinado por 25 comerciantes da região datado de novembro pediu à subprefeitura do Centro que dê fim à situação. O evento clandestino sempre começa a ser montado entre as 7 e 8 horas da noite, e conta até com um banheiro químico.

São terríveis as consequëncias destes eventos desordenados para os proprietários de imóveis no Centro. Os imóveis de nossos clientes acabam sempre depredados, e os inquilinos por vezes acabam entregando os imóveis e esvaziando as lojas. Isso ocorreu durante muito tempo no Arco do Teles, na Praça XV. Em pouco menos de um ano, a travessa do Comércio ficou com absolutamente todas as suas lojas vazias. Ninguém quer alugar um imóvel que todas as noites recebe pichações, urina e fezes, sem contar outros tipos de depredação“, disse, por e-mail, ao DIÁRIO, Wilton Alves, diretor de uma tradicional administradora de imóveis do Centro. Para o profissional “não há como se ter um centro pujante sem que ele seja business friendly” [um ambiente amigável aos negócios].

Atualização – 06 de dezembro de 2021

Por meio de nota oficial, a Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), se manifestou sobre o caso. Confira, na íntegra.

”A Secretaria Municipal de Ordem Pública informa que uma operação será planejada para o local com objetivo de coibir as desordens mencionadas na matéria. Este ano, 123 ações de fiscalização já foram realizadas na região do Centro, que conta com ações frequentes com foco na fiscalização do espaço público e no combate a desordens. No sábado (04/12) e no domingo (05/12) a Seop esteve presente no bairro realizando ações de ordenamento e dando apoio à Assistência Social nas abordagens a pessoas em situação de Rua, e na fiscalização e orientação de bares e estabelecimentos em conjunto com a Vigilância Sanitária.”

10 COMENTÁRIOS

  1. Eu trabalho no bar que faz o evento. Somos um bar com autorização, não somos camelôs. Todo fim de expediente é pago uma quantia para pessoas limparem a rua, colocamos DO NOSSO BOLSO 2 banheiros químicos disponíveis para todos.estamks apenas querendo fazer arte e trazer cultura de forma acessível em um momento tão escasso.
    Nunca tivemos nenhum problema com vendas de drogas, brigas, nada. Só queremos ocupar um espaço que também é nosso.

  2. Não há fiscalização porque não quer. Toda quinta por volta das 18:20 já tem pallet na rua e o cheiro de maconha no ar. essa região e da Uruguaiana ficam quase que todas as noites, regadas com bebidas, som alto e drogas; a sensação de insegurança é altíssima, vc sai do trabalho e deve andar acompanhado devido à situação do centro do rio. a prefeitura só faz publi; quem usa a cidade mesmo sabe o quanto ela está abandonada 🙁

  3. Alguém esta ganhando dinheiro com isso. Infelizmente não acredito que nesse caso quem assumiu os custos de um banheiro químico foi só pelo bem público, porque se fosse os mesmos instalariam o banheiro na praça Tiradentes para colaborar com as pessoas em situação de rua que não tem esse acesso básico. Não defendo o fim das festas de rua, mas sou a favor que nas mesmas a ordem pública e o respeito prevaleçam. Cabe aos organizadores desses eventos assumirem suas responsabilidades e entender que o retorno financeiro tem um custo social com a região. Cabe ao poder público estimular o ordernamento e coibir todo e qualquer ato ilícito. Para REVIVER CENTRO é necessário uma parceria transparente que acolha desejos e necessidades das populações locais. Que no centro tenham mais festas, mas licenças, mais lojas, mais moradores, mais vida! Está na hora de pararmos de criticar e assumir a responsabilidade compartilhada dessa luta que dever ser por todos e com todos!

  4. A verdade é que com o crescimento das populações de rua no centro misturados a eles estão bandidos de todas as formas, além é claro das centenas de viciados em crack, as autoridades tem o hábito de empurrarem o problema uns para os outros e consequentemente dá nisso, invasões de imóveis, boca de fumo, festas irregulares regadas a drogas, esse conjunto atrae jovens de classe média viciados, que por sua vez atraem assaltantes, traficantes, em breve veremos homicídios, e o caso que é de fato uma questão da segurança pública, atribuição das polícias acaba ficando assim, dá até para desconfiar de sei lá conivência das polícias porque se as pessoas estão vendo estas movimentações do tráfico, a polícia não vê?

  5. A prefeitura, na administração passada do Sr. Eduardo Paes, proibiu um evento cultural de qualidade (os encontros com shows de Blues e Rock clássico na Banca do Blues, na esquina da Rio Branco com Presidente Wilson, evento que atraía um público maduro, comportado e que não incomodava a ninguém, mas faz vista grossa para blocos carnavalescos fora de época e bailes funks que depredam, atraem traficantes e consumidores de drogas e que infernizam a vizinhança. Talvez porque permitir a libertinagem da “cultura popular” lhes dê mais votos do que daria um grupo de cinquentões saudosistas que curtem boa música!

  6. Quem pode freiar isso? O prefeito? O prefeito pode prender os narcotraficantes e os participantes das festas? Não! É função e obrigação da polícia civil e da polícia militar, com a participação da municipalidade sim; mas, não é de sua alçada. Ahhh, o “bispo” sim resolvia essas tormentas, né? Que o digam os bailes funk criados durante o lockdown, nas comunidades, inclusive utilizando a estrutura de escolas municipais.

  7. ENQUANTO ISSO, ELES ESTÃO PREOCUPADÍSSIMOS COM O PASSAPORTE VACINAL, MÁSCARAS E ETC…, E O PRINCIPAL, ELES KGAM E ANDAM. QUE PREFEITINHO DE MHERDA ESSE DO RJ!!!!!

  8. Esta è uma praga que tem em toda a cidade. No centro tem o baile funk do Morro da Santo Amaro, perto do hospital Gloria d Or e de casas de repouso, cada sabado, domingo e feriado, ate no natal, començando a meia noite até as oito da manha. Musica, palavroes e gritarias em um volume infernal. Venda de drogas, prostituçao, sujera e banheiros a ceu aberto. Toda a regiao da Gloria, Santa Teresa e afetada. Pousadas fechando, trabalhadores que nao conseguem dormir e descançar. Sera que nao è possivel por um freio em este inferno?

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