Barbie por Pete LounsburyO ônibus segue lotado. Os estudantes passam com suas mochilas, conversas e pressa. As senhoras reclamam pelos pés pisados. São 7 da manhã, do nascente mês de setembro. Apesar da hora o sol já faz suar, as pessoas já estão falando ao celular, colocando as fofocas em dia e dispostas a xingar o motorista pela demora nos pontos, que continua a permitir passageiros quando a lei da física já não o permite.

Num dos bancos há dois funcionários da empresa de ônibus que tagarelam sobre os respectivos amigos de trabalho. Um deles atende o celular e comunica que o Marquinhos foi preso. O interlocutor parece não compreender, ele explica todos os detalhes, diz que foi em Madureira, que a polícia pegou o Marquinhos roubando e que ele rodou. O interlocutor ainda não entende. Ele reconta exaltado a história, que todos no ônibus já entenderam. Por fim se dá conta: não foi o Marquinhos, foi o Marcinho.

Depois do mal entendido com os ladrões os senhores continuaram a conversa habitual sobre o trânsito, os passageiros mal educados, a empresa e as tarefas do dia. Em um dado momento um cochicha para o outro apontando com o olhar: “A Barbie”. Eu na minha ingenuidade pensei que era a menina ao meu lado. O senhor barrigudo com uniforme de motorista ri e olha para a senhora atrás de mim. E eu não tive como não rir.

A senhora está vestida de rosa e tem os cabelos crespos completamente descoloridos, completados por apliques. E os dois riram de se acabar.

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