Turistas no Cristo Redentor - Reprodução: Internet

Quem não tem ânsia em ver o turismo sendo retomado e as pessoas voltando a viajar? Quem não quer o restabelecimento das empresas de turismo que foram tão prejudicadas com a pandemia? Devo confessar que todos nós, que fazemos parte do trade turístico, estamos com um pensamento único: desafios para reviver a atividade, que já ia muito mal no Brasil e no último verão, antes da pandemia e que despencou.

No entanto, é necessário termos em mente, a todo tempo, que a pandemia não acabou e que não são medidas, que considero politiqueiras em anunciar fim das máscaras ou retomada do Carnaval e do Réveillon, que vão nos ajudar. A cautela é um instrumento vital, no planejamento e deve se acoplar no pensamento científico, no momento de tomar decisões, para que não sejam constantemente feitos desmentidos e não cause esperanças falsas.

A vacinação avança muito em nosso país, apesar do negacionismo de algumas autoridades federais, inclusive o Presidente da República que insiste em incentivar eventos populares em sua defesa, que trazem aglomeração, falta de máscara e um caos na imagem internacional, que não entende até hoje a indicação por ele de fármacos, não reconhecidos pela OMS. Volto a dizer que não se trata de alternância de poder ou de coloração partidária. Líderes de direita no Poder, como Macron e Merkel, para citar como dois exemplos, se comportam como Estadistas, seres pensantes e não vivem de casuísmos diários, que afetam, eles sim, a economia.

Já estamos cientes de que nos próximos 2 anos pelo menos, viveremos do turismo domestico e de proximidade. Os turistas internacionais só deverão optar por destinos mais longínquos, num segundo momento. Assim, os esforços promocionais com os poucos recursos que existem e podem ser alocados devem priorizar o mercado brasileiro ou no máximo a América do Sul. Partamos também para politicas publicas de destinos complementários e que o diferencial competitivo seja justamente a adoção de protocolos de segurança. O marketing da pandemia é mostrar que o turista que vai nos visitar está cercado de cuidados, que vão protegê-lo. Um deles é o passaporte da vacina, que mostra respeito pelo outro e pela viabilidade de retomada.

Acompanho, com muita atenção, o que vem ocorrendo em outros países e sinto que cada realidade é diferente e se baseia em parâmetros ditados por situações peculiares. É bom lembrar que em vários lugares, mundo a fora, a vacinação não chegou nem a 10 % da população, o que é preocupante e alarmante. É o caso da África, do Haiti, para citar alguns exemplos, que demandam ajuda internacional urgente, além de alguns asiáticos, com o Vietnam. É tempo de solidariedade, cada dia mais esquecida e preconizada. Não tivemos nenhuma lição efetiva em quase dois anos de pandemia?

O maior evento do turismo brasileiro, o Abav Collab tenta acontecer em Fortaleza, de forma hibrida. É um esforço muito grande dos agentes de viagens e que merece nossa atenção e apoio. Buscam colocar em pratica protocolos avançados de realização e esperamos que ali nasçam grandes discussões e busca de soluções viáveis. Parte das lideranças dos agentes se mostra combativa e não chapa branca. Outro grande problema é a falta de discernimento de alguns lideres do trade, que fazem política de boa vizinhança com todo o sistema oficial.

As empresas aéreas brasileiras seguem caminhos de voos lotados, em seus deslocamentos nacionais e os aeroportos não se estruturaram devidamente com álcool gel, cartazes de orientação e embarques sem filas nos fingers que levam aos aviões. Algumas empresas internacionais mostram apreço pelo passageiro e criaram além de novas configurações internas, politicas especificas de proteção.

A vontade de retomar custe o que custar ou com projetos irreais vai custar caro, para os empresários de turismo, que precisam entender seu posicionamento estratégico no turismo de proximidade e familiar. É hora de parar, pensar, seguir com a cabeça erguida, mas com indagações e questionamentos !

Bayard Do Coutto Boiteux é professor universitário, escritor, pesquisador. Atualmente, além de servidor publico, colabora de forma voluntária com o Instituto Preservale e a Associação de Embaixadores de Turismo do RJ.

1 COMENTÁRIO

  1. Palavras que em um primeiro momento nos parecem sensatas, mas que na prática e na experiência nos mostram contradições. Nem todos que não concordam com vacina experimental, são negacionista. Nem de longe concordo que Macron seja de direita, nos basta acompanhar a insatisfação de alguns franceses e na prática muitas pessoas foram curadas com tratamento precoce e o falso cuidado em evitar aglomerações, me passa a impressão de tapar o sol com a peneira, não querendo ver as aglomerações diárias desde o início da pandemia com transportes lotados. O artigo está parecendo mais uma afronta ao presidente, ao invés de uma abordagem de real preocupação com vidas e perdas de trabalho.

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