MC Kevin (Foto: Reprodução)

Em meio ao luto por Paulo Gustavo, por Bruno Covas e por quase 440 mil brasileiros mortos, no olho do furacão da CPI da Covid, e assistindo à carnificina no Jacarezinho e aos bombardeios assustadores em Gaza, eis que chega uma notícia também triste, mas, de longe, a mais inusitada: a morte do MC Kevin, até a presente data um desconhecido para mim.

A polícia está apurando a sua morte e muito ainda será esclarecido, portanto, qualquer coisa que se afirme agora é leviana. Mas, do que já sabemos, eu compartilho aqui reflexões e indagações simples que passaram pela minha cabeça ao saber da notícia.

1- Ele mora em Mogi das Cruzes e estava no Rio para um show de funk que deu em Madureira. Esse show era legal? Estava autorizado? E aí, a pergunta que nunca quer calar: a pandemia acabou?

2- Não consigo parar de me lembrar do vídeo “Dumb Ways to Die in Rio”. Não é hora de brincar, pois trata-se de uma tragédia. Mas é impossível não lembrar desse vídeo e pensar: “Que jeito besta de morrer…no Rio de Janeiro!”.

3- Quem quiser que defenda, mas até onde eu sei, álcool e drogas atrapalham um bocado os relacionamentos familiares e amorosos. A dose gostosa que ajuda e diverte é delicada e sutil. Um movimento a mais e já se passa do limite e se cai no exagero e no vício.

 Quantos usam “coragem líquida” para fazer o que querem fazer mas precisam de força exterior? Quantas brigas, violência (especialmente contra a mulher), agressividade e besteira que se faz por conta de drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas. O álcool sem medidas é um parceiro das confusões e tragédias.

4- Sempre defendi o trabalho das prostitutas – ofício milenar e, dizem especialistas, necessários numa sociedade. Mas vem cá, que coragem hein? Ir para um quarto com homens desconhecidos que, segundo ela, haviam bebido e fumado maconha na praia, onde ela estava. Cá entre nós, muito álcool envolvido nunca leva a um cenário que termine bem. Quando se põe em risco a saúde e a integridade física, dois mil reais (o que a moça diz ter cobrado do MC Kevin e seu amigo para fazer sexo) é MUITO pouco. Sou a favor de se profissionalizar esse trabalho tão antigo, então: preenchimento de ficha cadastral dos clientes, checagem de dados junto à instituições criminais, teste do bafômetro, checar se é casado e, se for, se há um acordo limpo para o cliente estar com a moça sem confusões subsequentes (para ela, ao menos). Olha agora o imbróglio e o trauma da acompanhante de luxo pescada (ou pescadora, vai saber) na praia, ao que se diz nos sites de notícias,  no Posto 7 na Barra da Tijuca. 

5- A viúva falou coisas fortes no velório do rapaz que caiu da varanda quando fazia sexo com a prostituta e eu não consigo achar que ela esteja  de todo errada. Julguem-me. Para ela, amigos de verdade não pilham um amigo pra beber demais ou aprontar com a mulher que estava no mesmo hotel, bem como também não pilham para contratar uma prostituta. Amigos de verdade não deixam altas  contas abertas pro amigo rico pagar. Não devem explorar ou se aproveitar o amigo. Não posso afirmar que isso foi feito, mas, de antemão, concordo com a viúva do funkeiro. Nem todos os “amigos” contribuem positivamente na nossa vida, sem querer negar a responsabilidade de MC Kevin.

6- A monogamia é algo recente na história do homem que  era  promíscuo  e hipersexualizado no passado. Acredita-se que a monogamia é fruto de uma evolução social, mas o impulso sexual dos nossos antepassados sempre ficou latente. Entre os mamíferos, somente 5% são monogâmico. Que esforço o humano em prol da monogamia, não? 

7- São 23 anos e não 33, 46 ou 60. Pouca idade e fama rápida nem sempre são bons aliados do equilíbrio, racionalidade e bom senso. Graças a Deus, há exceções mas o que vimos foi um garoto fazendo bobagem. 

8- Aquele história de que pra morrer basta estar vivo foi atualizada. Quem diria que em meio a tanto luto por razões conhecidas, estaria a caminho um luto inusitado pra piorar um pouco mais o que já anda tão triste.

1 COMENTÁRIO

  1. 9 – Muita atenção para a morte de um sujeito que nada tem a acrescentar à vida de ninguém, que fez dinheiro divulgando lixo como se fosse música.

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