Papo de Talarico: O fascínio estrangeiro e o beijo de Santa

Santa Teresa, Lapa, trilhas. Os estrangeiros amam o Rio e inspiram as crônicas de Alvaro Talarico

O jornalista Alvaro Tallarico e o RJ
Pedra Bonita (foto: Alvaro Tallarico)

É interessante o fascínio estrangeiro pelo Rio de Janeiro. E compreensível. É difícil encontrar no mundo uma cidade que consiga unir as virtudes e perdições do urbano com natureza, música e diversão como a gente consegue. Aqui pela Lapa, sempre encontro pessoas do mundo inteiro, que se impressionam com tudo que temos. Esses dias conheci um rapaz dos Estados Unidos apaixonado por samba. Dançarino talentoso, mostrou alguns passos e vem tendo aulas. Quer aprender português e ficar mais tempo na Cidade Maravilhosa. O jovem samba com desenvoltura. Foi furtado na praia na virada do ano. Mas segue feliz e já comprou outro celular.

Uma outra, suíça, está morando em Santa Teresa, é designer, veio ficar umas semanas e já quer seguir por uns meses. O casal de Manaus ficou impressionado com a urbanidade e a grandiosidade da cidade. Disseram que é ótimo como os cariocas estão preparados para receber os turistas. Discordei. Não temos essa preparação. Nossa educação é falha. Todos os países ao nosso redor falam espanhol, o mundo fala inglês. A gente? Português e olhe lá!

A senhora chilena me disse isso: “Nadie me entiende”. Sugeri que ela falasse devagarinho, despacito, que talvez ajudasse os brasileiros. Por outro lado, um grupo de francesas está sempre pela Rocinha. Por lá pulam de parapente, vão aos bailes funk. Os dois dinamarqueses queriam fazer trilhas. Sugeri o Forte Duque de Caxias, Pedra Bonita, Floresta da Tijuca, Mirante do Caeté. É muita coisa que a cidade tem para oferecer, e para todos os gostos.

Santo beijo

Santa Teresa tem um charme que atrai os estrangeiros. Aquelas ladeiras, a natureza, os bares. Desceu, chega na Lapa. Dali parte para a Glória, Aterro do Flamengo. Uma delas acorda cedo para correr por ali. Além disso, estão apaixonadas pelos blocos. São beijos e mais beijos. Aqui há uma liberdade que não encontram em outros países. Somos soltos e calorosos.

Às vezes, num desses beijos aleatórios, um sai diferente. O brilho nos olhos salta e um romance pode começar. Falo porque vi acontecer. Naquele dia, num forró descontraído, dançaram. Os corpos mostraram química inicial. Perigo. Os olhares viraram sorrisos. Em seguida, a música parou e seguiram outras direções. Contudo, uma hora depois, antes dela ir embora, foi até o homem e lhe beijou. Uma semana após o ocorrido e algumas conversas virtuais, saíram pela primeira vez. Passaram um dia surpreendente tentando se entender, ele, moreno carioca, ela, ruiva belga. Português, inglês, francês. E a língua do amor falava mais alto, nessa, ambos se entendiam como se estivessem há anos juntos.

Gostaram um do outro. Porém ela quer conhecer os blocos, pular, beijar outras bocas, dançar forró até os dias amanhecerem. Ele sabe disso. E o que farão com aquele sentimento abrasador? Sigo acompanhando esse casal. Será que seguirão juntos? O Rio e seus fascínios.

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