Calçada intransitável: rachaduras e ondulações inviabilizam mobilidade em Copacabana

Calçada na rua Domingos Ferreira tem rachaduras e ondulações tão grandes que se tornou intransitável, obrigando idosos e cadeirantes a caminhar pelo meio da rua. A situação se prolonga há tanto tempo que já nascem fungos e plantas na área destruída. No bairro, diversos outros casos.

A calçada na rua Domingos Ferreira, na altura do número 125, fundos do luxuoso edifício de apartamentos Machado de Assis, na Avenida Atlântica, está completamente destruída há pelo menos uma década. Idosos, cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida têm que caminhar pelo meio da rua.

A rua Domingos Ferreira, paralela à Avenida Atlântica, é uma das mais tradicionais ruas de residência de Copacabana. Com grande circulação de idosos e turistas, é conhecida por ser calma e tranquila. Há mais de uma década moradores e freqüentadores vem se queixando – sem resultado – da situação de completa destruição da calçada que margeia o muro cinza do belo jardim do luxuoso Edifício Machado de Assis, com entrada principal pela Avenida Atlântica (o prédio, cujas unidades são vendidas por volta de 10 milhões de reais, ocupa toda a área entre a orla e a rua de trás, com um belo jardim). Na altura do número 125 da Domingos Ferreira, a calçada de pedras portuguesas tem ondulações que chegam a ter 20 centímetros de altura.

Chamada ao local, a reportagem do DIÁRIO DO RIO deu de cara com uma senhora, que empurrava a cadeira de rodas de um rapaz, em direção à rua. “Temos que desviar, porque há quase 10 anos não dá pra passar nesta calçada. Copacabana está uma vergonha“, disse ela, que se identificou como moradora de um Edifício ao lado.

A situação se prolonga há quase uma década. “O condomínio de luxo não está nem aí para a sua calçada de fundos. E a Zona Sul não tem qualquer conservação há muito tempo“, disse Fabiana Andrade, freqüentadora do Sesc Copacabana, que se localiza quase em frente.

Diversos casos semelhantes de má zeladoria no bairro foram retratados aqui no DIÁRIO nos últimos meses, como o péssimo estado da calçada nos fundos do Hotel Pestana, o acúmulo de lixo em frente à escola Dr. Corcio Barcellos, o uso da rua Dias da Rocha por uma indústria informal de reciclagem de lixo, a destruição dos equipamentos de ginástica da praça do Lido e diversos outros.

Para especialistas em Direito consultados pelo DIÁRIO, a questão de quem tem a responsabilidade pelas calçadas destruídas é controversa. Embora a legislação municipal diga que a responsabilidade neste caso seria do condomínio (no caso, o Edifício Machado de Assis, na Atlântica), o código nacional de trânsito – lei federal – afirma que as calçadas (os “passeios”) são públicas. Mas seja uma coisa ou outra, a questão é que alguma providência deve ser tomada pelo município, seja multando o Condomínio responsável até que este tome providências, ou realizando o conserto.

Situação semelhante de calçada esburacada – e, neste caso, no calçadão tombado da Avenida Atlântica, que é projeto do renomado arquiteto Roberto Burle Marx, ocorre em frente ao edifício Augusto Xavier de Lima, de número 3018 na orla. A calçada-símbolo da princesinha do Mar está completamente esburacada, com pedras portuguesas soltas e até mesmo um buraco que aparenta ter mais de um metro de profundidade, é outro foco de quedas e acidentes.

Copacabana, por ser o bairro mais turístico do Rio de Janeiro, contava com uma Gerência de Conservação própria, cujo limite de atuação era apenas Copacabana e Leme. Este órgão foi descontinuado, e, para os representantes de moradores e comerciantes da região da praia mais famosa do Brasil, tem feito muita falta. “Já há mais de 2 anos que reclamamos com a Prefeitura sobre o péssimo estado de conservação do calçadão tombado da Avenida Atlântica, principalmente o que fica junto às edificações. Há trechos, como por exemplo, entre Constante Ramos e Santa Clara, em que está afundando!“, protestou o presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães.

A prefeitura divulgou que, para o ano que vem, a Secretaria de Conservação terá orçamento muito superior. “A Conservação está quase triplicando o seu orçamento“, disse o alcaide numa recente sabatina. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Rio 21 a conservação é um dos pontos fracos que vem jogando para baixo os índices de aprovação do atual mandato do Prefeito Eduardo Paes (PSD), conforme publicamos aqui. Para 47,8% dos cariocas, a deformação e os buracos nas ruas e calçadas/pavimentos são uma grave deficiência da atual administração. A conservação da cidade tem sido considerada tão severamente deficiente que quase ultrapassa a segurança como maior preocupação dos moradores do Rio.

Uma viagem no tempo no Google Street View mostra que o problema é bem antigo. Jardineiras semi-destruídas e restos de calçada abundam no trecho que fica nos fundos do edifício Machado de Assis, na Avenida Atlântica. Foto: Google Street View
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2 COMENTÁRIOS

  1. PAREM DE ACHAR QUE O RIO DE JANEIRO SÓ SE RESUME NA ZONA SUL!!
    VENHAM FAZER UM TOUR NA ILHA DO GOVERNADOR, E VERÃO O QUE É DESCASO COM A POPULAÇÃO.

  2. Se em Copacabana que é na zona sul está assim, ja imaginou na zona norte, subúrbio? Pra falar a verdade, toda cidade do rio de janeiro está totalmente abandonada.

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