Imagem apenas ilustrativa | Foto Cleomir Tavares / Diario do Rio

Minha relação com o Centro da Cidade do Rio de Janeiro é bem antiga e familiar, pois venho de uma família que há muito tem uma relação pessoal e profissional com a região.

Desde minha infância costumava ir ao Centro visitar familiares no trabalho, bem como frequentava outros locais típicos do Rio de Janeiro tais como a Praça Saenz Peña na Tijuca, Praça General Osório em Ipanema, Cadeg em Benfica, Rua Bela em São Cristóvão, rua 24 de Maio no Engenho Novo e rua Hermengarda no Méier.

Muito embora circulasse por grande parte da cidade, o coração e o sentimento de estar em casa sempre esteve intimamente ligado ao Centro do Rio de Janeiro. Há cerca de quinze anos, trabalho na Avenida Chile nº100, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES. No entanto, nos últimos dezoito meses, a pandemia de Covid-19 nos afastou de nossa rotina, fazendo com que tivéssemos que enfrentar uma nova realidade de trabalho, o “home office”, nos afastando, portanto, da convivência com a região.

Há muito, nós cariocas, temos assistido os mandos e desmandos políticos que nos assolam e que tanto tem reflexo em nossa cidade, em especial no Centro do Rio de Janeiro. São escolhas políticas que pouco ou nada tem a ver com os anseios dos cidadãos cariocas e com os desejos daqueles que votam e pagam caros impostos e não enxergam retorno ou sequer vislumbram um presente ou um futuro melhor para as próximas gerações.

Nos últimos quinze anos, tive a oportunidade, por ofício de meu trabalho, de conhecer grande parte do Brasil, seus principais centros urbanos bem como as cidades emergentes, grande parte em resultado do surgimento e crescimento de “novas economias”, atividades que vem fazendo a diferença no crescimento de nosso País.

Há mais de dez anos trabalho com o Mercado de Capitais, com iniciativas voltadas ao fomento e ao crescimento de atividades voltadas a Inovação e Empreendedorismo, notadamente no segmento de Venture Capital e Private Equity, bem outras formas de apoio e investimento chamados de “alternativos”.

Se hoje esta atividade atingiu todos os recordes no Brasil, alcançando cerca de R$ 24 bilhões investidos em 2020, o Brasil gerou no mesmo ano 20 unicórnios (empresas startups que alcançaram valores acima de R$ 1 bilhão), atrás apenas dos EUA, e está no radar dos maiores investidores e fundos de capital de risco internacionais, certamente pude participar com algumas contribuições que nos ajudaram a alcançar este importante momento.

Neste período, tive também a oportunidade de participar e representar o BNDES em diversos congressos, seminários e missões no Brasil e no exterior. Dentro deste contexto, pude visitar e estudar as principais iniciativas de criação de Ecossistemas de Inovação no Brasil e no exterior. Desde o Porto Digital em Recife, passando pelo SAPIENS Parque em Florianópolis, TecnoPuc em Porto Alegre, mais de uma dezena de Parques Tecnológicos espalhados pelo Brasil e no exterior, além do famoso e inspirador Vale do Silício, localizado nos arredores de São Francisco, EUA.

Neste contexto, a pergunta que sempre me fazia ao retornar ao Rio de Janeiro, vindo das visitas que fiz ao Vale do Silício e demais Ecossistemas de Inovação era o porquê a cidade do Rio de Janeiro, sendo esta uma cidade com a presença de tantas Universidades de primeira linha, de empresas Globais com destaque no cenário nacional e internacional bem como a presença de uma população jovem e criativa não era capaz de criar um cenário favorável à Inovação e Empreendedorismo, ao menos a esperança de dias melhores e um futuro melhor para seus habitantes e as futuras gerações que virão.

Por um outro lado, ter a oportunidade de conhecer os problemas do Brasil, bem como conhecer os “novos segmentos da economia” nos traz a oportunidade de olhar nosso País e nossa cidade de forma privilegiada, não somente vivenciando os problemas, mas também tendo oportunidade de propor soluções.

Dentro deste espírito, onde a crise pode se transformar em oportunidade e diante das evidências idealizei o projeto “Cidade do Rio de Janeiro – Hub de Inovação”, projeto de Desenvolvimento Econômico e Social que tem por objetivo o início de uma grande virada na vida e no auto estima do Carioca, na Economia de nossa cidade e tem como palco o Centro Histórico do Rio de Janeiro.

Minha visão é transformar o Centro da Cidade do Rio de Janeiro no maior Hub de Inovação do Brasil, com externalidades positivas nas esferas Econômica, Social, Patrimonial, Cultural e Ambiental. Este projeto traz um novo conceito para a dinâmica do Centro da Cidade com uma utilização “multifuncional” do espaço urbano, onde se integram o trabalho e a presença de Empresas, o Comércio e Entretenimento, bem como a utilização Residencial no mesmo local. A criação de um “Living Lab” urbano, um ambiente de experimentação, inovação e colaboração.

A crise gerada pela pandemia d e Covid-19 nos trouxe uma oportunidade única de transformar o destino desta cidade, mas para tal é necessário que o Estado, a Academia, o Terceiro Setor e a Sociedade Civil trabalhem juntos no princípio da “Hélice Quadrupla”, princípio este motor transformador do Vale do Silício e outras tantas iniciativas da mesma natureza ao redor do mundo. Em um próximo artigo, pretendo fazer uma análise do cenário atual, descrever os principais pontos que me levam a crer que estamos diante de um momento único e detalhar a oportunidade do Rio de Janeiro, bem como o caminho a ser trilhado para darmos início a transformação não somente de nossa cidade, mas também a criação de um modelo a ser seguido na recuperação de outras tantas cidades no Brasil.

Por: Carlos Augusto Carneiro, idealizador do Hub de inovação

3 COMENTÁRIOS

  1. Sr. Carlos Eduardo

    Sua hipocrisia e um tapa na cara do empreendedor carioca.

    O Banco onde o Sr. Trabalha (BNDES) é uma vergonha!!!

    Só serve ao interesse de quem está no poder, seus amigos e as grandes empresas.. Nunca fez nada efetivo e realista para o empreendedor Carioca.

    E seu plano de transformar o Centro da Cidade do Rio de Janeiro no maior Hub de Inovação do Brasil é utopia de um deslumbrado, ou alguém querendo aparecer com intuito político ou na melhor das opções um sonhador inocente.

    A verdade que o Brasil não é para amadores. E que tudo gera em torno dos mesmos nomes e seus amigos.

    É um jogo de cartas marcadas.

    A Velha política de Pão e Circo para os verdadeiros empreendedores Cariocas!!!!

  2. Carlos Augusto, o senhor disse na matéria porque o Rio não tinha uma região de tecnologia, isso é simples, corrupção. Governos corruptos acabam por atrasar, destruir, qualquer sonho que se tem de um projetos na cidade. Ainda mais, tudo no País tende a demorar 10, 20 anos ou mais para que se concretize. Carlos Augusto, o senhor mora no Brasil, país em atraso completo, uma cidade como o Rio de Janeiro era para estar pulsando de pessoas pra lá e pra cá, no centro da cidade, dia e noite, mas infelizmente isso não acontece, porque se espera muito no governo e ninguém faz nada. A muitos empresários, mas o medo de investir faz e deixar de ganhar dinheiro não avança com os bons projetos. Empresários brasileiros só visam dinheiro e não a economia da cidade, a cultura, social. Não esperem do governo, se juntam e decidem, se unem em causa da cidade e do cidadão.

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