Cemitério São João Batista | Foto: Marcos Tristão

Após o avanço da vacinação nos idosos, os dados de óbitos contabilizados pelos Cartórios de Registro Civil do País, mostram uma redução de 65% nas mortes de pessoas entre 90 e 99 anos; de 48% entre aquelas de 80 a 89 anos; e de 8% entre os que possuem entre 70 e 79 anos – este último grupo ainda em período de quarentena entre as aplicações de doses e efeito da vacina -, na comparação entre a média de óbitos destes grupos desde o início da pandemia e os primeiros 15 dias do mês de abril deste ano.

Os idosos da faixa etária entre 90 e 99 anos representavam, em média, 7% do total de mortos pela Covid-19 desde o início da pandemia. Em março, já com os primeiros reflexos da vacinação para esta idade, passaram a representar 4,3% dos óbitos e, nos primeiros dias de abril, 2,5% do total de falecimentos.

A faixa entre 80 e 89 anos, passou de uma média de 20,2% do total de mortos para 15,5% em março, e para 10,5% em abril. Já os óbitos entre a população de 70 a 79 anos que, em muitos Estados, acabou de receber a 2ª dose da vacina, passou de uma média 26,6% do total de óbitos para 24% em abril, dando início a uma redução.

Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil, base de dados abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do País, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), cruzados com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados dos próprios cartórios brasileiros.

O presidente da Arpen/RJ, Humberto Costa destaca que, a única forma de diminuir a letalidade da doença é por meio da vacinação em massa da população. “O que vem se analisando é que o vírus está afetando cada vez mais os mais jovens e diminuindo o impacto nos mais velhos, de faixas etárias que já receberam pelo menos a primeira dose da vacina. A partir deste cenário é possível sustentar que há uma queda nos registros de óbitos entre os mais velhos e um aumento significativo, e que deve ser levado em consideração entre os mais jovens, reforçando ainda mais a necessidade de políticas públicas focadas em pessoas que compreendem esta faixa etária“.

Agora, o cenário está mudando, pois acontece o aumento proporcional de mortes entre pessoas de faixa etária mais jovem, que vão dos 20 aos 59 anos. A mudança teve início em fevereiro, com aumento em março, que se mantém nos primeiros dias de abril.

Os óbitos de pessoas com idades entre 20 e 29 anos, que até o mês de março representavam, em média, 0,95% dos falecimentos por Covid, passaram a ser quase 1% em abril, o que representa um crescimento de 50% no número de mortes em relação à média desde o início da pandemia. Já a quantidade de óbitos de pessoas entre 30 e 39 anos, que representavam, em média, 2,8% das mortes, subiram em abril para 4,2%, crescimento de 49% no número de mortes por Covi-19.

A faixa de pessoas entre 40 e 49 anos é a mais afetada pelo aumento no número de falecimentos causados pela nova fase da pandemia. Até janeiro de 2021, representavam 4,8% dos óbitos causados pela doença. Em fevereiro passaram a representar 5,2%, em março 7,7% e, nos primeiros dias de abril, já representam 9,9% do total de mortos pela doença no Estado. Em relação à média de óbitos desde o início da pandemia, esta faixa etária, que representava 6% dos óbitos, deu um salto com aumento de 63% no número de mortes nos primeiros dias de abril em relação à média desde o início da pandemia.

Também bastante afetada pela Covid-19 nesta 2ª onda da pandemia, a população com idade entre 50 e 59 anos representava, em média, 11,8% do total de mortes pelo novo coronavírus no primeiro ano completo da pandemia. Em fevereiro passou a representar 11,4%, em março para 15,2% e, nos primeiros dias de abril, representa 18,3% do total de mortos por Covid-19, um aumento de 54% no número de mortes pela doença.

Começando agora a entrar no calendário de vacinação no Estado fluminense, a população entre 60 e 69 anos segue sendo afetada pela pandemia. Até março de 2020 representavam, em média, 23,8% dos óbitos por Covid no Rio de Janeiro. Este número vem subindo nos últimos meses, passando para 25,6% em março e 28% na primeira quinzena de abril, o que representa um aumento de 20% nos óbitos causados pela doença.

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