Casa por R$ 200 milhões no Leblon - Foto: Reprodução

Não é só o preço da Casa mais cara do Brasil que assusta. Algumas histórias envolvendo o imóvel de R$ 220 milhões, que fica no Jardim Pernambuco, Leblon, chamam a atenção.

Gilberto Menezes Côrtes, vice-presidente do Jornal do Brasil, fez uma publicação em seu Facebook contando memórias que têm a mansão como cenário e algumas delas são bem impressionantes, para dizer o mínimo.

Casa por R$ 200 milhões no Leblon – Foto: Reprodução

Ele conta que sua família morou próximo à casa mais cara do Brasil de 1953 a 1983, quando venderam sua residência, após a trágica morte de seus pais e de seu irmão mais novo.

Em seu relato, Gilberto Menezes Côrtes lembra que os terrenos do alto Leblon, onde hoje fica o Jardim Pernambuco, localidade da mansão, abrigam o quilombola do Leblon.

Quilombo do Leblon

“A tradição da ocupação dos morros locais, com florestas densas, por afrodescendentes deixou como legado a existência de alguns terreiros de Umbanda (ou macumba, como conhecia na minha infância, de pouco conhecimento sobre o assunto, sempre visto por reservas). E a mais famosa macumba dos anos 1950 que perdurou até a primeira metade dos anos 1960, foi a de Nilo Macumbeiro”, disse Menezes Côrtes.

Onde ficava o antigo terreiro de Nilo foi erguida a mansão, que hoje é considerada a mais cara do Brasil. A casa foi construída pela família Amaral, ex-proprietária da rede de supermercados Disco – que fez muito sucesso no Brasil entre 1952 e 1990.

Os terrenos da Embaixador Graça Aranha custaram a ter ocupação justamente por serem territórios sagrados para religiões africanas.

As terras eram de propriedade de um alemão, que as vendeu para o dono da Zein Construtora. E esse os vendeu para o Dr Nascimento Brito, genro da Condessa Pereira Carneiro (Maurina Dunshe de Abranches) dona do Jornal do Brasil na segunda metade dos anos 1960.

Dr Brito, que tinha estreitas relações com a igreja católica, derrubou o terreiro de Nilo Macumbeiro com um enorme serviço de terraplanagem para instalar o que seria sua mansão e a da filha mais velha, Teresa, que iria morar lá com o marido. Coisas estranhas começaram a acontecer. O marido de Teresa faleceu em um acidente na Rio-Petrópolis.

“Quase simultaneamente, com o empreendimento, deu início à construção da nova sede do JB, na avenida Brasil 500. Várias desgraças se sucederam. O marido de Teresa faleceu num acidente na Rio-Petrópolis, as fundações do JB (a exemplo das da Ponte Rio-Niterói) consumiram o triplo do esperado (e deram início às crises do JB, que se endividou em dólar e perdeu o monopólio dos classificados de sábado e domingo no Grande Rio quando mudou-se para a nova sede, em fevereiro de 1973 e o editor Alberto Dines, convenceu o Dr Brito de que o JB tinha de também sair às segundas (então dominada por O Globo. Roberto Marinho protestou: ‘você vai romper o acordo de cavalheiros?, então vou sair aos domingos’). A concorrência, com a retaguarda da Rede Globo, foi fatal ao JB”, destaca Gilberto Menezes Côrtes em seu texto.

Então, Nascimento Brito desistiu da construção. Passou o terreno a Francisco Amaral, então dono do Disco, que construiu a famosa casa.

Nascimento Brito

Todavia, coisas estranhas continuaram a acontecer. Tjong Hiong Oei, conhecido como “chinês da Barra”, falecido em 2012, que fez a incorporação de nova Ipanema e Novo Leblon com a Plarcon de Cláudio Neves (falecido este ano) comprou um terreno ao lado de uma casa que fazia divisa com o antigo terreiro de Nilo Macumbeiro. Dizem que depois disso, a vida de Tjong passou a ser bem difícil. Entre seus negócios que deram errado está a Terra Encantada, o parque de diversões.

No começo deste ano, a casa voltou ao noticiário como responsável pelos entulhos que deslizaram sobre o túnel acústico da PUC.

Hoje em dia, há 14 casas à venda na região. Sendo que quase 10 proprietários estão implicados na Operação Lava-Jato, como dois ex-dirigentes da Odebrecht ou em escândalos paralelos, a exemplo do ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Nusmann. Essa sim, a verdadeira maldição.

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