Fachada da Casa Roberto Marinho - Foto: Mônica Villela

A Casa Roberto Marinho, que prepara para outubro uma grande exposição em torno da obra de Burle Marx, com clássicos e inéditos, abre nova mostra de acervo no dia 28 de agosto. Na apresentação, o visitante encontrará pinturas de vertentes e períodos variados de Alberto da Veiga Guignard, Antonio Bandeira, Candido Portinari, Carlos Scliar,Di Cavalcanti, Iberê Camargo,José Pancetti, Lasar Segall e Manabu Mabe.

Entre as 22 obras selecionadas para ocupar o térreo do casarão até setembro estão alguns destaques da Coleção Roberto Marinho, como Espantalho (1940) e Santa Cecília (1954), de Portinari, e Flores com fundo azul (1950), de Guignard. Especializado em modernismo brasileiro dos anos 1930 e 1940, e abstração informal dos anos 1940 ao final do século XX, o conjunto reunido ao longo de seis décadas reúne cerca de 1.400 peças.

De acordo com o diretor do instituto, o arquiteto e antropólogo Lauro Cavalcanti, Pancetti, Guignard, Lasar Segall, Portinari e Di Cavalcanti firmaram, cada um a seu modo, uma linguagem moderna na pintura brasileira: “Os dois últimos alinhados a uma agenda fundada no uso de estruturas não acadêmicas, cores e temas ‘nacionais’; Segall incorporou a luz dos trópicos a uma base expressionista europeia oriental; já Pancetti e Guignard, com suas doces obsessões particulares de água e ar, permanecem atuais até hoje”, analisa o diretor.

Ainda segundo Cavalcanti, Carlos Scliar pertence a uma geração mais recente que a dos artistas já citados. Seu trabalho – em voga entre os anos 1960 e 1980, mas pouco visto atualmente – merece uma revisão com olhos generosos. As pinturasVista do canal, Cabo Frio, RJ (1963) e Garrafa azul, pêra, etc. (1980) provocarão a curiosidade dos visitantes a respeito de sua extensa trajetória. “Nossa era convida a revisões de muitos julgamentos e há aqui uma oportunidade de redescoberta”, comenta Lauro. “Em tempos críticos, conta muito o estabelecimento de uma poética da arte que, ainda que individual, possa estimular o imaginário de mais pessoas”.

A antiga sala de jantar da família Marinho exibe pinturas de Antonio Bandeira, Iberê Camargo e Manabu Mabe, representantes do abstracionismo não geométrico.

Através de mostras de acervo periódicas, a Casa Roberto Marinho reafirma-se como um centro ativo de referência e pesquisa em modernismo brasileiro, permitindo ao público reconhecer a diversidade de repertórios de alguns dos nomes mais relevantes do movimento cultural que transformou a linguagem artística do país.

Serviço:
Mostra ACERVO
Abertura: 28 de agosto de 2021
Encerramento: 19 de setembro de 2021

Casa Roberto Marinho
Rua Cosme Velho, 1105
Tel: (21) 3298-9449

Horário de funcionamento regular:
Terça a domingo, das 12h às 18h

Ingressos: R$ 10 (inteira) / R$ 5 (meia entrada)
Às quartas-feiras, a entrada é franca.
Aos domingos, “ingresso família” a R$ 10 para grupos de quatro pessoas.

1 COMENTÁRIO

  1. Roberto Marinho foi um homem extraordinário, exemplo de pessoa. O modo como viveu é uma lição de vida. É justo que a bela casa onde morou tenha se transformado num espaço de arte. Não é um lugar de memória, mas cada canto da casa, as exposições e demais trabalhos artísticos mostrados lá dão vida ao ambiente e passam a sensação de que Roberto Marinho não morreu.

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