A morte de Cassiano na crônica de Alvaro Tallarico
Cassiano morre aos 77 anos

De repente, olhei a rede social de uma amiga e vi que ela tinha postado uma das minhas músicas preferidas: “Onda”, de Cassiano. Eu estava saindo do trabalho. Comentei feliz. E ela me deu a notícia do falecimento. Essa canção me acompanhou por muitas estradas, dirigindo pelo Brasil, ou pegando carona no Uruguai. A voz única e o suingue do homem que saiu da Paraíba nos anos 60 e aportou no Rio de Janeiro.

“Não vá querer se zangar”, diz ele nesse clássico. Não estou zangado, como poderia? Mas sinto sua perda. Coloco “Onda” para tocar e rememoro tantos bons momentos ao som do criador do soul brasileiro. A música tem quase 8 minutos, de forma aguçada, dançante, no mais puro estilo de uma voz que exala negritude, que bebe na fonte de quem tem o molejo no sangue que pulsa de um continente especial.

Ele faleceu no subúrbio, em Marechal Hermes. Terra de uma ex-namorada, a qual dançou comigo algumas vezes ao som dele. Não, não, não é possível. Lá se foi. Só restamos “A Lua e Eu”. Mais um ano da minha vida está para passar e Cassiano passou para outro plano. Porém, suas pegadas estão pela nossa cultura. Nas vozes dos Racionais MCs, ou na “Primavera” com Tim Maia. Você deixa uma “Coleção” de amores marcados no Brasil. Quer saber? Eu amo você, Cassiano. Gratidão por me conduzir por caminhos tão belos, por uma “Central do Brasil” lúdica e feliz. No meu “Castiçal”, assim que acordar do pesadelo, acenderei uma vela para ti.

Algo me diz que as folhas caíram, mortas como você, nesse dia triste. Claro que tinha que ser numa noite nublada, de ruas alagadas. Vai, chuva, “Chuva de Cristal” nessa sexta-feira sem alma. O silêncio me invadiu, o texto fluiu, a homenagem é pequena para sua grandiosidade, mas de coração. Sem dúvidas, você olharia para mim e diria: “Saia Dessa Fossa”. Seguirei bailando na cidade onde seu soul seguirá reverberando. Eternamente.

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