Organizações, coletivos, movimentos, entidades religiosas do candomblé, da umbanda, católica, evangélicas, entre outras e cidadãos da Baixada Fluminense mobilizam pelas redes sociais ato em defesa da memória e do trabalho do sacerdorte candomblecista Joãozinho da Goméia. O ato será amanhã, (18/07), das 15 às 17 horas, na rua Prefeito Braulino de Matos Reis, 360, no bairro Vila Leopoldina, em Duque de Caxias, onde funcionou o terreiro de Tata Londirá.

“A prefeitura de Duque de Caxias, numa determinação antidemocrática e repleta de irregularidades jurídicas, quer se apropriar do terreiro localizado no bairro Vila Leopoldina, em Duque de Caxias, que pertenceu ao religioso, para a construção de uma creche”, os movimentos organizadores da manifestação denunciam.

Segundo eles, ao longo da gestão do prefeito Washington Reis (MDB) foram prometidas diversas creches, mas somente agora foi decidida a construção de uma, exatamente no terreno de Joãozinho da Gomeia: “É impossível dissociar tal medida de uma clara manifestação de racismo religioso, pelo fato de o poder executivo local estar atrelado ao bolsonarismo, um governo que persegue as religiões de matriz africana. Por isso, em nome da democracia e da liberdade de expressão e da liberdade religiosa é que convocamos todos para essa importante manifestação de apoio! VIVA JOÃOZINHO DA GOMEIA”, conclui o texto da convocação para a manifestação.

O baiano João Alves Torres Filho foi um dos pioneiros do candomblé no Brasil e um dos mais importantes pais de santo do país nos anos 50 e 60. No texto publicado no Facebook, os organizadores escrevem:

“Tata Londirá foi homenageado pela Grande Rio no enredo do carnaval de 2020 e naquele espaço recebeu as visitas dos presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Nos últimos anos, a memória da cidade vem sendo apagada e vilipendiada e esse anúncio de construção de creche justamente onde por anos funcionou um terreiro e espaço de memória do povo de candomblé, configura-se num discurso de bem estar social, mas é um ódio religioso disfarçado.”

O processo de tombamento do espaço como Patrimônio Imaterial do Estado do RJ está em fase de finalização pelo INEPAC, aguardando apenas o estudo arqueológico, que está paralisado por causa da pandemia. Os arqueólogos afirmam que embaixo das terras se esconde um verdade patrimônio histórico e religioso.

Arqueológos em escavação no terreno-terreiro da Goméia em Duque de Caxias

Já o MPF questionou a prefeitura e pediu explicações sobre o futuro do antigo terreiro da Goméia. O procurador da República Julio José Araujo Junior, que assina o documento, considera “a necessidade de proteção ao patrimônio histórico e cultural, a qual independe de efetivo registro ou tombamento em órgão competente”. Além disso, destaca a importância da valorização e atuação proativa do Estado das religiões de matriz africana, sobretudo em razão da importância de Joãozinho da Goméia não apenas para a região, como para todo o país.

Em entrevista ao Jornal Extra, Mameto Seci Caxi que estará no ato deste sábado, recebeu com preocupação a notícia de que no terreno do Terreiro da Goméia, onde nasceu, cresceu e foi iniciada no candomblé, poderá ser erguida uma creche municipal.

Desde 2015 à frente da Comissão da Goméia, que reúne descendentes do babalorixá Joãozinho da Goméia, Seci luta para que no terreno seja construído o Memorial Joãozinho da Goméia. “Fui procurar respostas do Inepac. Como vai construir se está em fase de tombamento? A gente quer ser respeitado. Joãozinho da Goméia é um ícone no mundo todo”, afirmou Seci, que é herdeira espiritual, filha de santo e afilhada de Joãozinho da Goméia.

A mameto — que significa mãe de santo no candomblé de nação Angola — ressaltou ainda que a Comissão da Goméia não é contra a construção de creches: “Ninguém da Goméia é contra a creche, porque a população realmente precisa. Só estamos reivindicando o espaço por ser sagrado. Debaixo daquela terra, existem vários assentamentos que fazem parte do nosso sagrado. O memorial vai ser um espaço de estudo, de valorização da cultura.”, concluiu.

O ato em defesa do terreno de Joãozinho da Goméia, mobiliza seus descendentes em todo país. Um desses são os membros do Terreiro São Jorge Filho da Gomeia no Estado da Bahia. O ator Átila Bee que interpreta Tata Londirá no teatro e no cinema, iniciou uma série de lives em sua página no facebook denominada de “Encontros em Defesa do Terreiro da Goméia”. O objetivo é levar figuras importantes para o candomblé e pesquisadores.

O baba Arthur D’Iroko do Ile Àse Efon Orun Oba lembrou que mesmo não sendo da família espiritual de Joãozinho Goméia, acha um completo abuso o que estão fazendo com a história daquela família. “Com o Baba Ègún de Tata Londirá não se brinca. Porque construir naquele espaço? Não existem outros terrenos em Duque de Caxias? Se fosse a ruína de uma Igreja Católica, ou uma Sinagoga, será que o Governo teria essa audácia? Ou seria apenas uma tentativa de violar o espaço que é sagrado para o Povo do Santo? Já sabemos que isso tem nome: racismo religioso!”, exclama!

Na próxima terça-feira (21/07), haverá uma reunião entre representantes do Inepac, da Secretaria Estadual de Cultura e Ministério Público Federal para discutir o assunto.

8 COMENTÁRIOS

  1. Lastimável é saber como deixaram essa terra chegar ao ponto que chegou. Brigas pelo trono,brigas por tudo. Menos interesse em cuidar e continuar com esse grande patrimônio aberto! Agora novamente Gomeia sendo exposta por falta de zelo.

  2. Agora tudo têm ideologia, e discriminação,e até estão colocando a culpa no Bolsonaro, gente defendam a sua religião, pois precisamos ter fé ela nos move no nosso dia a dia,mais por favor não sejam massa de manobras para políticos inescrupulosos, que não são seus amigos,apenas oportunistas!!!

  3. Local só serve para proliferação de ratos ,moscas e mosquitos e venda de drogas, sendo que vendem e usam no local.
    Quem quer defender o local contra construção de creche ,poderia ir pra lá e limpar o local e proibir o mau uso.
    Muita hipocrisia!

  4. Uma coisa não concordo com a matéria, estão querendo atrelar ao Presidente Bolsonaro, já que o Prefeito Whashington Reis seja Evangélico, já acabou com outras coisas culturas na cidade de Duque de Caxias, vide a sua primeira passagem como prefeito, acabou com o Carnaval, portanto a Matéria tem que ser falando em que o Prefeito quer fazer e não ligar ao nome do presidente que não tem nada haver! Como outra coisas que que o excelentíssimo prefeito taxa a seu favor, vide o Hospital Moacir do Carmo, o Cemitério na Whashington Luiz entre outras coisas. Sou Praticante Budista, não sou do Candomblé, mas sim, concordo que temos que preservar a imagem e história da Cidade onde eu nasci e vivo até hoje.

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