Foto Cleomir Tavares / Diario do Rio

A transformação do Centro do Rio em um “Hub Digital”, espaço que conecta colaboradores, clientes, parceiros e startups para atrair novos negócios dos setores culturais, criativos e de inovação, foi tema de audiência pública realizada pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, na tarde de sexta-feira (10). 

Parlamentares, empresários, pesquisadores e comerciantes da região central se reuniram para debater a proposta no âmbito da regulamentação da Lei Complementar 229/2021, que institui o Programa Reviver Centro. O programa cria Distritos do Conhecimento, que funcionam como um ecossistema dinâmico, para que a função residencial do Centro da cidade tenha sinergia com as atividades econômicas, promovendo o uso e ocupação de edificações e unidades comerciais com tais atividades. 

Pedro Duarte (Novo), presidente da Comissão, destacou que a cidade sofre um apagão na formação de mão de obra qualificada para atuar no setor de inovação e tecnologia, e lembrou a importância das Naves do Conhecimento, estruturas que proporcionam conectividade e educação tecnológica na cidade. “Boa parte das pessoas que trabalharia nessas startups a serem instaladas no distrito teria seus primeiros contatos com inovação nas Naves do Conhecimento. Gostaria de saber como está o planejamento para o funcionamento das naves, pois temos um apagão na formação da mão de obra e a Prefeitura, por meio delas, desempenha um papel crucial nessa missão”, questionou.

Cada vez mais, o Shopping Paço do Ouvidor se fortalece como ponto de encontro no Centro do Rio. Passa no Paço.

Segundo o secretário municipal de Ciência e Tecnologia, Willian Coelho, a Prefeitura já tem recursos para relançar o edital e reabrir todas as nove naves até novembro. Coelho disse que a ideia é transformar esses e outros equipamentos em pólos de capacitação profissional para os jovens na área de tecnologia. “Além de rever o currículo dos cursos oferecidos nas naves, a prefeitura está desenvolvendo o projeto Bases do Conhecimento, que seriam naves satélites. O objetivo é criar 25 em 2022 e 100 até o final de 2024”, adiantou. De acordo com o titular da pasta, a prefeitura vai criar ainda a RioTech, uma plataforma específica para oferecer cursos de tecnologia.

Washington Fajardo, secretário municipal de Planejamento Urbano, explicou que as iniciativas no âmbito do Reviver Centro estabelecem a criação de um Distrito de Inovação na região da Praça Tiradentes. “O Reviver Centro vai oferecer subsídios para que atores privados e institucionais possam formar ‘hubs de inovação’, que abriguem indústrias da cultura, setor criativo, design, tecnologia e ciência da computação. Territórios de inovação é uma necessidade urgente na nossa cidade. E o poder público tem grande capacidade de fomentar esse processo junto com a iniciativa privada”, destacou.

Neste sentido, Caio Ramalho, da FGV, frisou que é fundamental combinar atuação governamental de qualidade, com empreendedores, capital investidor inteligente, corporações e setor acadêmico para viabilizar um ecossistema de inovação, como foi feito no Vale do Silício, em Israel e na China. “Precisamos inovar por meio de pessoas qualificadas, e é esse o papel da academia nesse ecossistema. Capacitar as pessoas e reciclar o conhecimento dos negócios tradicionais”.

Ao discorrer sobre a situação dos micros, pequenos e médios empreendedores do Centro do Rio, Eduardo Melo, do SEBRAE, reforçou a necessidade de trazer as pessoas novamente para o Centro. “Precisamos atrair as empresas sim, mas, sobretudo, precisamos ter novamente os cariocas de volta às ruas. Não são só as empresas modernas, as empresas tradicionais também buscam inovação e devem fazer parte desse processo de retomada da região”, esclareceu.

Por fim, representando o Projeto Hub de Inovação, Carlos Augusto Carneiro projetou que a instalação de um distrito de inovação na região central da cidade exigiria investimentos de R$ 1 bilhão com possibilidade de faturamento de R$ 2 bilhões em 2024, gerando 20 mil empregos diretos e 50 mil empregos indiretos. “Estamos diante da chance única de transformar a nossa cidade. Mas precisamos de uma nova onda de investimentos e da sinergia entre estado, academia e iniciativa privada para reverter esse cenário de degradação acelerada”, concluiu.

2 COMENTÁRIOS

  1. Se fazem tantos projetos, mas na hora de implantar mesmo e ver o resultado não sai nada. Fica só na falácia de homens públicos que na verdade não sei em que sentido se faz isso e para que, dando esperança ao povo, que fica esperançoso por coisas úteis, mas que na verdade é só para ludibriar os incautos. O Rio de Janeiro tem tudo para ser uma cidade inteligente, tecnológica, diferente de tudo, mas porque as coisas não vão pra frente: falta sabedoria, coragem, dignidade e justiça.

  2. Muito nome bonitinho e pouco resultado prático. Que tal incorporar na lei municipal o espírito da Lei de Liberdade Econômica e a de Facilitação dos Negócios? Precisamos de facilitação de alvarás, de vistoria de bombeiros ($$$) e libertação das amarras da JUCERJA!

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