Imagem de Steve Buissinne por Pixabay

O ex-prefeito do Rio de Janeiro, atual vereador pelo Democratas e candidato a reeleição, contou em seu “Ex-blog” (newsletter enviada a assinantes) a história de como começou o varejo de drogas no Rio de Janeiro e em outras cidades.

Leitura obrigatória para quem quer conhecer a história da violência em nossa cidade.

COMO SURGIU O VAREJO DE DROGAS NO RIO E NAS GRANDES CIDADES!

A agência antidrogas dos EUA (DEA) só identificou os cartéis colombianos em 1984. Com pontos eletrônicos em barris de éter, aviões de observação descobriram que a cocaína era refinada em usinas, e não mais artesanalmente. Identificou as estruturas empresariais do tráfico de drogas.  O atraso foi de pelo menos seis anos. Os dois mercados básicos eram, e são, EUA e Europa.

Os corredores de exportação para os EUA eram rotas diretas, por ar e por mar, antes da plataforma atual, via cartéis mexicanos. Mas, no caso da Europa, sempre foram necessárias plataformas intermediárias em outros países. No caso do Brasil, nas cidades com aeroporto ou porto internacional, como o Rio, que tem os dois, e São Paulo, Santos, Vitória e Recife.

Os corredores de exportação de cocaína desenvolvem um mercado interno de sustentação, um varejo de drogas. O atacado fica por conta de esquemas externos de muito maior sofisticação.  No início dos anos 80, ocorre a transição democrática no Brasil. Os primeiros governadores eleitos pelo voto direto, vinham com seus compromissos sociais e o desmonte das máquinas repressivas de suas polícias. Sem nenhuma informação sobre a estrutura empresarial existente, que nem o DEA conhecia até 1984, os orçamentos foram pendendo para a área social, contra a segurança pública.

Até ali, as polícias militares eram parte do Exército, e seus recursos contavam com um orçamento federal adicional. Passaram a depender dos orçamentos locais.  Constrói-se com rapidez o varejo interno de cocaína, cujo desenho fundador foi carioca, por ser o corredor mais importante. O narcovarejo eliminou a ideia do traficante separado do usuário, e a violência associada a ele avançou a taxas crescentes, com a vida banalizada.

A cocaína como um objeto de delito de consumo social prazeroso e de alto poder de corrupção avançou como mercado. A dinâmica inicial do narcovarejo operado por moradores das comunidades desapareceu, e a violência ganhou imagens de terror.  As armas pesadas vieram para ataque/defesa de “territórios”. E para a oferta, sempre elástica, de drogas e de armas. Um nó de complexo desatamento. Uma equação que exige muito mais do que vontade para ser resolvida.

4 COMENTÁRIOS

  1. A hipocrisia na cidade do Rio ,não tem limites…
    Qual o perfil , localização e ramo de atividade de seus principais usuarios, por tipo de drogas?
    Os filmes Cidade de Deus e os 2 Tropa de Elite já sinalizaram isso.
    A quantidade de drogas apreendida ultimamente, demonstra a dimenso do mercado interno.
    E ainda tem aqueles que defendem a discriminalização da maconha e sua legalização, esquecendo , que os cigarros tem alta tributação fiscal. Com a legalização das drogas, o mercado negro cresce, e os locais de venda serão alvos de assaltos constantes. Drogados e viciados nunca assaltam narcotraficantes ou milicianos.

  2. Esse ex-Prefeito…
    Reclama do desinvestimento na Polícia que antes (na Ditadura) recebia recursos adicionais da União, e com a priorização da área social em oposição à Policial pelos Governadores.
    Duas questões que coloco.
    Primeiro. Por que políticos como Cesar Maia pensam apenas num Polícia que tenha que agir repressivamente?
    Segundo. Pela Constituição, o crime de tráfico, a rigor, cabe à União, com sua Polícia Federal. E sempre foi. A droga vinha (e continua vindo) pelas fronteiras de fora. De passagem pelo mercado brasileiro para o estrangeiro, parte bastece mais de um Estado (crime organizado, internacional e interestadual, portanto, é de competência da PF).
    Dito isso, conclui-se que a União, na verdade, deixa os estados com o pepino todo.

  3. Artigo de merda, do ex-Prefeito!
    Reclama do desinvestimento na Polícia que antes (na Ditadura) recebia recursos adicionais da União, e com a priorização da área social em oposição à Policial pelos Governadores.
    Duas questões que coloco.
    Primeiro. Por que políticos como Cesar Maia pensam apenas num Polícia que tenha que agir repressivamente?
    Segundo. Pela Constituição, o crime de tráfico, a rigor, cabe à União, com sua Polícia Federal. E sempre foi. A droga vinha (e continua vindo) pelas fronteiras de fora. De passagem pelo mercado brasileiro para o estrangeiro, parte bastece mais de um Estado (crime organizado, internacional e interestadual, portanto, é de competência da PF).
    Dito isso, conclui-se que a União, na verdade, deixa os estados com o pepino todo.

  4. Junte-se a esta narrativa, a decisão de não punir o consumidor final e temos uma oferta crescente, interligada a uma procura impune.
    Além disto, a preocupação dos políticos socialistas ou relegados pelo antigo regime, a partir de 1980, era ocupar espaços vagos de qualquer forma, de qualquer jeito, inclusive o político que deu insumos a este documentário.
    A irresponsabilidade e o salve-se quem puder, aproveitou a indolência política dos acomodados até então e fez renascer, tanto zumbis pré-regime militar, como anistiados e novos espertalhões populistas.
    Tudo culminou com uma nova Constituição populista em 1988 que falava de direitos, mas não impunha deveres, confusa quanto a responsabilidades dos poderes, fazendo com que o Congresso e a Justiça iniciassem uma queda de braço, pois os dois se achavam donos do país.
    Tivemos até um TETRAPRESIDENTE, o Senhor Ulisses Guimarães.
    O Baile da Ilha Fiscal veio para o continente e o dinheiro público virou moeda de troca daqueles que pretendiam comprar e corromper, principalmente a opinião pública.
    Para tanto, bastava aumentar o nível da mediocridade já existente e fazer com que todos dançassem conforme o rap ou funk da vadia ou rebolassem explicitamente até a boquinha da garrafa.
    Ainda tivemos presidente que anunciava que todos podiam tudo, mesmo sem poder, contanto que esta falsa autoconfiança o mantivesse na presidência da corrupção nacional.
    Sem mais delongas, todos sabem do aumento do poder das FARC na política brasileira e da narco-corrupção política que ocorreu no país desde então.
    Com a hipocrisia instalada, o consumidor estava livre para comprar, enquanto se intensificavam os métodos midiáticos para o aumento da sua mediocridade, ao mesmo tempo que o narcotráfico se encarregava de comprar políticos e a conivência policial.
    Desta forma, chegamos aos níveis atuais de consumo, além de passarmos a ser caminho natural de escoamento de drogas para além Atlântico e para os EEUU.
    Na verdade, atualmente estabeleceu-se mais uma força a favor do tráfico de drogas, qual seja, O COMBATE ÀS DROGAS, um negócio de mais de R$ 100 BILHÕES anuais, contra um tráfico que se estima em torno de R$ 12 BILHÕES.
    Desta forma, tudo está a favor do aumento do consumo e do tráfico da droga no Brasil… Inclusive a proibição e o combate…

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