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Todo mundo viu. As TVs deram ampla cobertura jornalística e as fotos nas redes sociais não deixam dúvidas de que as manifestações convocadas por Bolsonaro e seus apaniguados para o dia Sete de Setembro tinham um claro caráter golpista. Ao vociferar contra as instituições da República, notadamente o STF, fica evidente a escalada autoritária desse (des)governo neofascista.

É costume, em todos os 195 países do mundo, os chefes de Estado ou de Governo fazerem pronunciamentos nas suas datas nacionais. Além de exaltar a formação da Nação, abordam os problemas e as soluções encaminhadas.

Essas datas simbólicas também podem ser usadas, muitas vezes, para exaltação primária de um patriotismo grosseiro. Nosso Sete de Setembro, por exemplo, data da Independência do Brasil, já foi alvo de exploração pela ditadura, que a usava para patriotadas mal encenadas, com direito a desfiles militares.

Este ano, Bolsonaro conseguiu ser mais tacanho que os generais da ditadura que tanto admira. Demonstrou, em Brasília e na Avenida Paulista, sua visão doentia, autocentrada, belicosa e rebaixada da Pátria. É um expatriado mental.

O populismo pode ser de extrema-direita. Aliás, os regimes nazifascistas que se estabeleceram na primeira metade do século passado o eram. Sustentavam-se na mobilização da massa pela propaganda política. Uma grande mistificação que levou ao horror, à tragédia, à guerra, à mortandade.

Mesmo em meio à maior crise sanitária da nossa História, com mais de 584 mil famílias enlutadas, com a economia em crise, o PIB lá embaixo, a inflação galopante, o persistente desemprego, a fome que açoita 19 milhões de pessoas, a devastação ambiental, a escassez hídrica e a falta de recursos para a Educação, Ciência e Pesquisa, ainda tem gente – minoria, no conjunto da Nação – que se mexe para defender o negacionismo, as fakenews, a ditadura.

Nos atos neofascistas, não foi só dos palanques de enormes caminhões de som que vieram os ataques à democracia. Também na massa – expressiva, sem dúvida – as faixas, cartazes e palavras de ordem predominantes mostram bem o apelo golpista: “Fechamento do STF”, “Impeachment de Moraes”, “Intervenção militar constitucional”, “Vacina obrigatória, não”, “Fora todos os políticos”, “Prisão para os comunistas”, “Voto impresso”, “Armai-vos uns aos outros”, eram algumas das “pérolas” encontradas entre os participantes. Todos esses desejos totalitários e obscurantistas abarcados por um “Eu autorizo” que visa dar poderes autocráticos a Bolsonaro.

É urgente deter essa marcha de insensatez e autoritarismo. No entanto, o que vimos foi uma reação muito tímidas dos chefes dos Poderes. Parece faltar lastro e convicção democrática a eles.

Rodrigo Pacheco (DEM/MG), presidente do Senado, suspendeu as sessões essa semana.

Arthur Lira (PP/AL) leu um pronunciamento água com açúcar: não mencionou os brados antidemocráticos proferidos nas manifestações e tampouco citou os 126 pedidos de impeachment que dormem em sua mesa, à espera de que o presidente da Câmara tome coragem e vergonha na cara e ponha em votação um deles.

Aras, o PGR, não deu os ares de um fiscal da lei: fez uma fala aérea, aleatória, de “conceitos” sobre os três poderes, como se estivesse tudo bem.

Ao menos Fux, do STF, um dos principais alvo das manifestações, lembrou que descumprir decisão judicial, como Bolsonaro prometeu, é crime de responsabilidade.

Essa tibieza só autoriza Bolsonaro a avançar ainda mais em sua ânsia ditatorial, em seu alheamento em relação aos problemas reais do Brasil, em seu “expatriamento” mental.

Essa fraqueza estimula caminhoneiros a ameaçarem invadir o Supremo, em Brasília, e a bloquearem rodovias em três estados, com pautas tresloucadas como “fim do comunismo”, dando combustível para o golpe. As polícias apenas assistem? Quem financia isso tudo?

Dada as enormes reações de repúdio por parte da sociedade civil às declarações golpistas, Bolsonaro, nesta quinta-feira (09/09), recuou e pediu socorro ao ex-presidente Michel Temer – logo a quem! – que redigiu uma nota, em que este se diz arrependido das declarações que fez em praça pública. Virou boneco de ventríloquo de Michel Temer. Na verdade, Bolsonaro foi “amansado” pelo medo de um futuro impeachment, e, caso fique sem as imunidades presidenciais, ser preso.

Façamos do seu covarde “quem falou não está mais aqui” de hoje o inverso do que ele e sua patota pretendem. O que dá seiva e vida à defesa da democracia é a mobilização da sociedade. Só o povo nas redes e, sobretudo, nas ruas, de maneira cada vez mais ampla, barra a escalada neofascista.

É dever hoje de todo democrata resistir aos arroubos autoritários. No contraponto do golpismo, devemos dizer a plenos pulmões: “Nós não autorizamos”.

Não passarão!

graduado em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Mestre em Educação pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e doutorando pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Chico Alencar tem mais de 30 de atuação na política institucional. Foi deputado federal por quatro legislaturas (2003 a 2019), deputado estadual (1999 a 2003) e voltou a ser vereador em 2021

4 COMENTÁRIOS

  1. Neo-facísta é você Chicão, seu cego, seu otário, seu robô comunista, seu inútil, sempre falando as mesmas asneiras. Chicão, você é passado, vai embora do Brasil, vai pra Cuba, Venezuela, vai morar lá, seu falso. Porque você não vai, porque você gosta do capitalismo: bem de vida, parlamentar, ninguém toma o que é seu, você compra, você vende, você tem o direito de ir e vir num País livre e fica falando mal do governo, defendendo o comunismo no Brasil, você é um traidor da Pátria e nós não vamos esquecer disso, seu velho babaca.

  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk E pensar que um dia eu já votei nesse velho completamente idiotizado pela cartilha. tá sofrendo de alzheimer esquerdopata, repetindo chavões , sem nenhuma lucidez.

  3. Só mesmo um adestrado pela propaganda da Nomenklatura do Politbüro comunista para chamar de fascista e genocida um presidente apoiado DEMOCRATICAMENTE pelo povo.
    Fascista e autoritário é um governo socialista, que de social e democrata não tem nada, capaz de calar a boca da imprensa venal, usando dinheiro público e ainda proclamar a falsa DITADURA DO PROLETARIADO, enquanto só sabe aumentar o gigantismo do Estado e submeter a todos pelo cultivo da pobreza e da ignorância.
    Se não está satisfeito, mude-se para Cuba ou Venezuela e seja feliz…

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