Claudia Chaves – Crime e Castigo 11:45: O valor da contação de histórias

Colunista do DIÁRIO DO RIO fala sobre Crime e Castigo 11:45, uma experiência de dramaturgia na qual Liliane Rovaris nos conta uma história

Foto: Pedro Prado

Todos nós, desde crianças, somos  habituados a  ficarmos  quietos e atentos para ouvir alguém contar uma história. Contar histórias às crianças na hora de dormir é uma prova do amor sem limites dos pais. Quando Liliane Rovaris decide elaborar o luto dos pais, lê Crime e Castigo, o clássico de Fiódor Dostoiévski . Desse processo, Liliane cria Crime e Castigo 11:45 , uma experiência de dramaturgia na qual a atriz nos conta uma história.

De forma criativa e estimulante, Liliane faz uma carpintaria na qual organiza os dois níveis de narrativa. Fala de sua própria historia em um movimento no qual amplia o que chamamos de escrita de si para ir desvelando os episódios, personagens de Crime e Castigo. E para caracterizar que  história está contando, Liliane interpreta de forma diversa, muda a voz, o ritmo, o tempo o que resulta em uma interpretação de singeleza comovente.

Quando a plateia chega, Liliane já está no cenário: uma mesa/escrivaninha, cadeira, uma televisão pequena, antiga de tubo, tudo simples, cotidiano. Ao misturar  móveis atemporais com uma aparelho de tv antigo, somos levados a um ambiente que nos lembra uma sala de aula do passado, mas que Liliane aponta como uma lembrança do quarto dos pais. Essa aposta na dupla leitura quarto dos pais que se assemelha a um local de ensino é o eixo que sustenta a peça.

Ao  nos falar de um tema difícil, a morte, Liliane , de forma corajosa, vai contando as histórias de várias mortes. Morte em vida, no caso dos personagens russos, por sua situação de total abandono físico e espiritual. A  morte súbita, inesperada, chocante de  seu ídolo, David Bowie. E a morte sofrida, por doença, na solidão dos hospitais de seus pais. E do desaparecimento que Liliane nos conta uma bela história.

Serviço:
Sesc Copacabana
De quinta a domingo
Horário: 20h

Jornalista, publicitária, professora universitária de Comunicação, Doutora em Literatura, Bacharel em Direito, gestora cultural e de marcas. Mãe do João e do Chico, avó da Rosa e do Nuno. Com os olhos e os ouvidos sempre ligados no mundo e um nariz arrebitado que não abaixa por nada.
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