Fé e ciência
Placa na estrada para Paraty-MIrim (foto: Alvaro Tallarico)

As notícias gritam todo dia na nossa cara. Doenças, mortes, curvas. E agora? Acabei ouvindo uma canção – que na verdade é uma declamação: “Fé (É preciso ter)”, da banda Outros Caras. E foi um alento, uma reflexão sobre o momento. O brasileiro cresce rodeado por fés diversas, em santos, entidades, e tudo o mais. Tem religião messiânica com Meishu-Sama, tem Hare Krishna, tem Umbanda, tem Buda, tem Jesus e, claro, Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Outro dia, alguém me disse “mais do que nunca o brasileiro reza para todos os santos”.

Se não há uma união política em prol do povo, e todos estão presos em casa, o que resta além de rezar? Em Portugal, o planejamento está dando certo porque oposição e situação se uniram por um bem maior: proteger vidas. Os países que estão seguindo as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) estão se saindo melhor. “Como será o amanhã, responda quem puder”, já dizia o velho samba-enredo de 1978 da União da Ilha do Governador. A canção fala sobre o futuro. Você se lembra que o Brasil é o país do futuro?

É o país de um futuro positivo que nunca chega. A potência mundial que seria menos desigual. Esse era o amanhã tão sonhado. Esse sonho já parecia cada vez mais longe e, ainda por cima, chega essa pandemia. O novo coronavírus amplia a desigualdade social ou só faz com que ela seja ainda mais óbvia?

Ufa, ainda bem que graças a um trabalho contínuo e ininterrupto temos universidades fortalecidas e bem aparelhadas e nossos pesquisadores são valorizados. Não. Infelizmente não é o caso. Em verdade, em 2020, comparando com 2019, os recursos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) sofreram redução de 30% e a taxa de fomento a pesquisas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a qual é usada para comprar equipamentos e insumos, teve um corte pesado de 80%.

O sábio indicou um chá para a curar a azia, e uma oração, mas disse para ir ao médico também. Apesar dos pesares, pesquisadores do Laboratório de Radioecologia e Mudanças Globais (Laramg) do Departamento de Biofísica e Biometria da Uerj estão buscando respostas que possam nos ajudar a sobreviver. Deu no Diário do Rio que eles irão coletar amostras em locais de grande circulação, como comunidades e estações de transporte público, com o objetivo de detectar a carga viral presente no ar.

Fé, é preciso ter. E ciência também.

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