Conheça as histórias de mães empreendedoras e seus desafios no mundo dos negócios, em especial, no Rio de Janeiro

De acordo com o Sebrae, 74% das empreendedoras brasileiras são mães e, conforme a Rede Mulher Empreendedora (RME), 68% começaram a empreender depois de ter filho

Da esquerda para direita: Liana Segal, Monique Rodrigues e Bia Willcox (Fotos: divulgação)

O empreendedorismo e a maternidade possuem pontos em comum. Envolvem geração e crescimento. Exigem cuidados, em especial, nos primeiros anos, dedicação e investimento de tempo e de dinheiro. Viver as duas experiências simultaneamente é um desafio e tanto, mas tem demonstrado dois atributos maternos importantes também nos negócios: a capacidade de cuidar e de se adaptar rapidamente a situações de crise.

De acordo com o Sebrae, 74% das empreendedoras brasileiras são mães e, conforme a Rede Mulher Empreendedora (RME), 68% começaram a empreender depois de ter filho. Muitas optaram por esse caminho como forma de ter mais tempo com a família. Mas muitas barreiras ainda precisam ser superadas. De acordo com o Mapa de Negócios de Impacto Socioambiental de 2021, apenas 25% das empresas fundadas ou gerenciadas por mulheres conseguiram captar investimentos, contra 55% das empresas com predominância masculina. Ainda assim, dados coletados pela First Round Capital mostram que empresas fundadas por mulheres têm um desempenho 63% melhor do que aquelas fundadas exclusivamente por homens, isto porque as mulheres dedicam mais tempo à capacitação em temas como gestão e empreendedorismo.

Conheça as histórias e os relatos de mães empreendedoras que possuem a marca da superação em suas trajetórias:

1 – Liana Segal, fundadora e CEO da healthtech Espaço Médico Brasil 

Liana Segal inovou há mais de 20 anos ao criar o primeiro coworking dedicado exclusivamente aos profissionais da saúde, o Espaço Médico Brasil, no Rio de Janeiro. A pandemia veio, mas não assustou a empresária, que decidiu investir na ampliação do negócio por meio da tecnologia. Do coworking médico, tornou-se uma empresa de soluções tecnológicas na área da saúde, uma healthtech, disponibilizando franquia, telemedicina, sistema de marcações de consultas e call center. Em breve, lançará uma plataforma, nunca vista no mercado, que conecta médicos a consultórios ociosos com a pandemia para locação por período, reduzindo os custos do profissional com o espaço para atender seus pacientes em até 90%. “A rotina do médico é intensa, trabalham em vários hospitais e clínicas, subutilizando o consultório e mantendo o custo com aluguel e assistente altíssimo. Manter essa estrutura ficou inviável para os profissionais da área”. A empreendedora projeta que, até o fim de 2021, a plataforma impacte mais de 200 consultórios e 2 mil médicos, movimentando cerca de R$ 20 milhões anuais. 

“Com 61 anos, dois filhos e três netos”, como costuma dizer, ela atribui à experiência trazida pela maternidade ao longo do tempo, com tantas transformações, o fator fundamental para conseguir encarar desafios como o de 2020 de forma tão destemida. “Tive a primeira filha aos 24 anos e empreendi quase que simultaneamente ao nascimento do meu segundo filho, aos 26. Passado todo esse tempo, como mulher, mãe e avó, me vejo uma empreendedora mais amorosa nos negócios, com mais empatia, mas firme para atingir os objetivos”. 

– Ser mãe e abraçar a carreira empreendedora com garra não é tarefa nada fácil, cansativa por muitas vezes, mas me fez e faz muito realizada e plena. O empreendedorismo demanda muita observação, conclusão e ação. Para empreender, temos que ter uma grande dose de ousadia, coragem e credibilidade em si, pois não é sempre que se acerta ao empreender. E, como mulher e mãe, temos que ter a medida do risco que podemos correr para não arriscarmos o bem-estar da família – revela.

2 – Bia Willcox, fundadora e CEO do curso WOWL

A carioca Bia Willcox, 53 anos, é educadora, empresária, jornalista, palestrante, advogada e membro da comissão OAB VAI À ESCOLA, projeto que tem como objetivo conscientizar alunos das escolas públicas sobre a importância dos direitos humanos e da cidadania, através de palestras e debates realizados por advogados voluntários nas salas de aula. Desde 2009, possui sua própria escola bilíngue, a Wowl Education, que possui metodologia própria e oferece programas internacionais semelhantes às das escolas estrangeiras, mesclando o ensino em inglês com matérias como matemática, história, biologia e educação socioemocional. Durante a pandemia, a empreendedora idealizou e criou a plataforma do curso com aulas ao vivo para crianças e adultos. Hoje, o projeto conta com alunos de todo o Brasil e também Portugal. Sempre criativa, Bia junto com o ilustrador Atlan Coelho, criou a série de livros infantis em inglês, o “The W Street Family”, que teve seu primeiro livro publicado pela Amazon este ano. Nas obras serão abordados temas da cultura inglesa/americana e também temais atuais ligados às diversidades do mundo. Bia como palestrante aborda diferentes temas, como empreendedorismo, tecnologia na educação e o desenvolvimento da criatividade, os novos paradigmas das relações sociais, Geração Z e empreendedorismo nas escolas públicas. Além disso dá aulas de Marketing e é professora na plataforma Descomplica e ICL (Instituto Conhecimento Liberta).

– Comecei a empreender aos 24 anos com dois filhos pequenos. Por mais apoio que tenhamos, a vida se torna um desafio. Passei por planos econômicos, recessão, inflação, separação, nova paixão, e também decepção em diversos campos. As dificuldades me fazem querer inovar e fiz disso um hábito em minha vida. Esbarrei em machismos e pessoas tóxicas. Mas também fiz ótimas parcerias, e conheci tantos que me ajudaram em minha trajetória. Não dá para romantizar escolher ser uma mulher empreendedora, são muitas horas de trabalho, investimento de tempo e dinheiro. Há caminhos mais fáceis com certeza, mas nesse meu caminho, há algo que me faz acordar todo dia renovada em querer continuar a escrever esta história – finaliza Bia.

3 – Monique Rodrigues, fundadora e CEO da rede Clinicão


Com quase 30 anos no mercado, a Clinicão é a primeira franqueadora de serviços veterinários do Brasil. Comandada pela carioca, Monique Rodrigues, o processo de criação do negócio começou em 1987, quando Monique foi aprovada no vestibular para veterinária na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Em 1994, inaugurou a sua primeira clínica, em Guaratinguetá (SP), e inovou com procedimentos que se tornaram tendências no atendimento aos pets. Com o apoio do Sebrae e muito estudo, fez da clínica uma referência e ingressou no Franchising com o propósito de desenvolver veterinários empreendedores. Isto porque um aspecto marcante no negócio é que, além do suporte padrão de uma franqueadora para a franqueada, Monique, que também tem MBA em Gestão Empresarial e Economia, dá todo o suporte para o franqueado ou a franqueada – em geral, profissional da área da saúde animal – na sua formação e preparação para administrar um negócio. Esse desenvolvimento acompanhou um nascimento, o de Letícia Cesário, hoje com 23 anos. “A maternidade exige muito da mulher. Eu levava minha filha para o trabalho. Foi criada dentro da clínica”, conta Monique. Essa rotina acabou sendo decisiva para o futuro da filha, que segue os passos da mãe e hoje cursa medicina.

Hoje, a rede conta com 05 unidades nos estados de São Paulo e Minas Gerais e possui um modelo de clube de assinaturas, o Clinicão Plus. A franqueadora aumentou seu faturamento bruto em 8% em 1 ano e, atualmente, conta com mais de 140 assinantes. O plano oferece assessoria virtual com uma equipe selecionada de veterinários, valores diferenciados nos atendimentos nas unidades Clinicão e farmácias de manipulação parceiras, além de conteúdos pet exclusivos. Em 2021, mesmo com o cenário de pandemia, a rede apresentou um crescimento médio de aproximadamente 35% no faturamento bruto de suas unidades e pretende para 2022 intensificar sua expansão pelo sudeste do país.

– O desafio de empreender é ainda maior para nós mulheres e mães, ao ter que gerenciar a nossa carreira profissional e função materna. Infelizmente, a responsabilidade dos cuidados com a prole ainda recai mais sobre as mulheres. Para mim, o que me ajudou a atender a todos estes aspectos foi a organização, e acredito que meus filhos têm orgulho de ver a mãe deles empreendendo e gerando emprego e renda – finaliza a CEO.

Renata Granchi é jornalista e publicitária com mestrado em psicologia. Passou pela TV Manchete, TV Globo, Record TV, TV Escola e Jornal do Brasil. Escreveu dois livros didáticos e atualmente é diretora do Diário do Rio. Em paralelo, presta consultoria em comunicação e marketing para empresas do trade.
Advertisement

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui