Praia de Copacabana / Reprodução: Internet

Copacabana é mais que um bairro. É uma cidade polifônica, um mistura de regiões de todo o Brasil concentradas e misturadas em um mesmo território. Pouco bairros têm uma presença simbólica tão forte no imaginário popular como Copacabana.

Sua fama e influência, no entanto, ultrapassam as fronteiras do território nacional. Em sua faixa de areia é celebrada a maior festa a céu aberto do planeta: o Réveillon. A virada de 2020 foi emblemática, pois mostrou mais uma vez a força superlativa do bairro. Foram 2 milhões e 900 mil pessoas mentalizando um 2020 promissor e venturoso. Copacabana bateu mais um recorde de público. O anterior também era seu.

Como bairro mais populoso da Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, Copacabana também padece com os reveses da sua própria força: presença ostensiva de população de rua e usuários de drogas, desordem urbana e falta de conservação.

Para conhecer a realidade desafiadora de Copacabana, o Diário do Rio entrevistou o presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, o advogado Horácio Magalhães, para quem Copacabana nunca perderá o brilho e a majestade.



Horácio Magalhães, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana / Reprodução: Rede Social

Diário do Rio – No imaginário popular, Copacabana ocupa o charmoso lugar de “Princesinha do mar”, com beleza e encantos muito particulares. Ainda é possível ver Copacabana dessa forma?

Horácio Magalhães – Sim. Os encantos e belezas de Copacabana estão aí para quem quiser ver e visitar. Apesar dos problemas, o bairro nunca perde a sua majestade.

Diário do Rio – Copacabana sempre foi forte no que diz respeito à oferta de serviços. Ao longo do tempo, no entanto, percebemos uma evasão de tais recursos para outras regiões da cidade. Copacabana está deixando de ser uma região atraente para o empreendedor?

H.M. – Não. Copacabana continua sendo uma região atraente para aqueles que querem montar um negócio ou oferecer um serviço.  Nos últimos anos, o bairro contou com abertura de novos empreendimentos, além do ingresso de novas marcas de padrão internacional, como hotel Fairmont Rio de Janeiro Copacabana, empreendimento de alto padrão. A iniciativa representa uma forte aposta econômica no bairro.

D.R. – A gestão do ex-prefeito Marcelo Crivella foi uma das administrações mais mal avaliadas da história da cidade. Isso também impactou Copacabana?

H.M. – A gestão de Marcelo Crivella não foi apenas uma aposta ruim para cidade, foi também uma aposta ruim para Copacabana. De uma forma geral, o que se viu nos últimos quatro anos foi um baixíssimo aporte de investimento no Rio de Janeiro, o que repercutiu na vida dos bairros, inclusive em Copacabana.

Academia da Terceira Idade / Divulgação: Prefeitura

D.R. – Copacabana é um bairro com uma grande presença de idosos. O que faz Copacabana ser tão atraente para a terceira idade?

H.M. – Realmente, Copacabana conta com uma grande presença de idosos. A terceira idade se vê atraída pela grande oferta de serviços, como restaurantes, profissionais de saúde e equipamentos urbanos. Além disso, Copacabana conta com várias linhas de ônibus e com o metrô, o que facilita o trânsito das pessoas, especialmente da terceira idade. Mas devemos registrar que, apesar de termos muitas pessoas idosas residindo ou frequentando o bairro, elas ainda são muito discriminadas e desrespeitadas no cotidiano.

D.R. – Apesar das inúmeras qualidades do bairro, Copacabana também vem enfrentado desafios, como a desordem urbana e a presença ostensiva de moradores de rua. A impressão que temos é de que o bairro é terra de ninguém. Essa visão é verdadeira?

H.M. – Não. Copacabana é o bairro mais bem policiado da cidade. O bairro conta com o policiamento do 19º BPM, do Projeto Rio + Seguro, do Copacabana Presente, do patrulhamento da Guarda Municipal (GM), do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BPTur), além do patrulhamento das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). Na verdade, Copacabana enfrenta dois grandes problemas: uma grande presença de moradores de rua, e uma forte presença de usuários de drogas. Sem dúvida, isso contribui significativamente para aumentar a desordem na região, além de gerar insegurança nas pessoas.

Divulgação: Prefeitura

D.R. – Quais são as causas desses problemas na sua avaliação?

H.M. – Infelizmente, as qualidades do bairro tornam-se também grandes armadilhas. Copacabana é um bairro com uma grande população residente. Por Copacabana também transitam centenas de pessoas que trabalham no bairro ou vêm consumir serviços ou produtos aqui oferecidos. Dessa forma, o bairro acaba por atrair uma grande quantidade moradores de rua. Além disso, por conta da pandemia, lugares como o Centro do Rio ficaram esvaziados, o que provocou um deslocamento dessa população para outras regiões da cidade, como Copacabana.

D.R. – Outro problema do bairro é a criminalidade. Não é incomum assistirmos assaltos a qualquer hora do dia. O que está sendo feito para resolver essa questão?

H.M. – Na verdade, nossas estatísticas criminais estão caindo. De acordo com dados fornecidos pelo 19º BPM, crimes como furto a transeuntes, furto em coletivo, e roubo a estabelecimentos comerciais registraram uma redução de 62,9%, 26,2%, e 26,3%, respectivamente, no quarto trimestre de 2020, se comparado ao mesmo período de 2019. É claro que sempre registraremos delitos no bairro. O grande desafio das forças de segurança é acompanhar a evolução da mancha criminal. Mas de uma maneira geral, Copacabana é um bairro bem policiado se comparado a outros bairros da cidade.

D.R. – No verão, a praia de Copacabana recebe pessoas de várias regiões da cidade. Isso, às vezes, gera transtornos, como brigas, assaltos, e até arrastões. Como as autoridades locais têm tratado esse problema?

H.M. – Infelizmente, além dos banhistas que só querem se divertir, também recebemos grupos de arruaceiros que se valem da sua condição numérica para produzir transtornos ou praticar crimes. Mas as forças de segurança que patrulham Copacabana têm monitorado a vinda desses grupos à região, além de escolta-los para fora do bairro quando necessário.

D.R. – A desordem urbana no bairro repercute ainda na faixa de areia, o que leva ao uso desordenado desse espaço. Existe algum projeto de contensão da desordem na praia de Copacabana?

H.M. – A administração passada cadastrou diversos ambulantes atuantes na praia com o intuito de ordenar o uso da faixa de areia. Infelizmente, essa medida foi abandonada. Atualmente estamos retomando essa inciativa, além de aumentar a fiscalização dos ambulantes em pontos fixos e nos quiosques. O 19º BPM deve receber em breve novos quadrículos para patrulhar a praia. A Guarda Municipal e a Polícia Militar também devem retomar a montagem das suas tendas na praia. O Grupamento Marítimo (Gmar), por sua vez, já reforçou a sinalização sobre as condições do mar.

D.R. – Existe uma forte expectativa sobre a administração de Eduardo Paes (DEM). O que os moradores da cidade e de Copacabana podem esperar do atual prefeito?

H.M. – A nossa expectativa é de retomada do ordenamento da cidade. Esperamos ainda que ocorra um aporte maior de investimentos na conservação dos equipamentos urbanos, na manutenção das ruas e calçadas, além da melhoria dos serviços públicos oferecidos à população.

D.R. –  Na sua avaliação, o que falta para que Copacabana retome o brilho do passado?

H.M. – Acho difícil o brilho do passado ser retomado. Poderia haver uma retomada da vida cultural de Copacabana. Nos últimos anos, o bairro perdeu vários mobiliários culturais, como cinemas e teatros. Estamos convivendo com a carcaça do teatro Villa Lobos há anos, por exemplo. A expectativa é de que a anunciada inauguração do novo Museu da Imagem e do Som (MIS), em 2022, traga um incentivo para a vida cultural de Copacabana.

6 COMENTÁRIOS

  1. Lamentavelmente, depois do Carlos Lacerda, não apareceram politicos no Rio , para remover as favelas da ZS, alocando em outras partes da cidade.As favelas do Pavão-Pavãozinho, Cantagalo, Ladeira dos Tabajaras e Morro dos Cabritos, em Copacabana,, bem como as Dona Marta, Babilônia e Chapéu Mangueira. Hoje tais favelas e comunidades crescem verticalmente, com puxadinhos. A mão-de-obra vindo da favela, acomodou os moradores do asfalto.O crescimento desordenado já vem cobrando alto. Muitos imoveis do asfalto , tem seus moradores impedidos de ate chegar em suas janelas, por proibição do tráfico. A Tijuca também padece dessa falta de planejamento urbano. Para muitos politicos essa falta de planejamento urbano na cidade, facilita a criaçao de currais eleitorais. Hoje temos mais de 1000 favelas e comunidades na cidade do Rio de Janeiro.

  2. Moro em Copacabana a 30 anos e digo que está um nojo de tantos pivete e bandidos. Da medo andar nas ruas imundas de Copacabana. Muitos menores idade querendo roubar as pessoas. Assustador.

  3. Cercado de comunidades dominadas pelo tráfico?
    Em quanto não houver politicas sérias e politicos comprometidas com seu ESTADO o rio de janeiro vai continuar sendo o que é hoje. Uma cidade violenta.

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