Menino Alberto (Foto: Reprodução TV Globo)

Tão pouco tempo de vida, mas muito tempo de luta pela sobrevivência. Essa é a história que marca a curta, porém heroica trajetória, do pequeno Alberto, que aos 3 anos de idade conseguiu um doador e realizou um transplante após ser submetido a mais de 30 cirurgias nos últimos 3 anos. O procedimento médico foi realizado no Hospital Vitória, na Barra da Tijuca.

Alberto, que ficou mais de um ano na fila, possui uma doença renal crônica, e conseguiu um doador compatível para um transplante de rim, um adolescente de 17 anos, vítima de um acidente de carro.

Alberto é uma criança de três anos e oito meses, portadora de doença renal crônica secundária numa linha congênita dos rins do trato urinário. Ele iniciou tratamento dialítico muito cedo, desde o nascimento o comprometimento da sua função renal já era muito grave“, explicou a médica a TV Globo.

A família de Alberto vem enfrentando essa batalha pela vida dele desde o nascimento do menino. Em três anos, a criança precisou passar por mais de 30 cirurgias e diversos tratamentos, incluindo quatro diálises por semana.

Depois que tirou o rim esquerdo, a médica falou: ‘Agora, na situação do Alberto, transplante’. Quando nós descobrimos que ele realmente iria entrar numa fila de transplante, foram feitas várias cirurgias para reconstituir a parte urinária dele e foram feitas também vários exames pra ele entrar na fila de transplante“, explicou a mãe, Elaine Simeão.

Apesar da sequência de intervenções médicas, Alberto cresceu forte e arrancando sorrisos de todos ao redor com sua simpatia.

Graças ao transplante renal, Alberto conseguiu receber a alta médica e deixou o hospital no último sábado (28).

Alberto me ensinou a ter paciência, coisa que eu não tinha. Ele me ensinou a ter tranquilidade, confiança e força. Eu não imaginava que uma criança tão pequena tinha tanta força. Eu não imaginava que uma criança tão pequena tinha tanto desejo de viver”, comentou Elaine.

Setembro Verde

O movimento, criado em 2007 para chamar a atenção da população para a importância da doação de órgãos, terá uma série de ações especiais no mês de setembro, que começa nesta quarta-feira.

Estão previstas, entre outras, uma apresentação musical nas escadarias do Theatro Municipal, no dia 15; e a iluminação de outros cartões-postais do Rio, tais como: o Cristo Redentor, no dia 2 de setembro; o Palácio Guanabara, sede do governo estadual, no dia 24; e os Arcos da Lapa, a Igreja da Penha e o Maracanã, no dia 27.

Essa iluminação representa uma união de toda a sociedade em prol de um dos movimentos mais solidários, altruístas, afetuosos e muitas vezes dolorosos, principalmente para quem espera numa fila de transplante. Ainda há um longo caminho pela frente, mas o Rio de Janeiro já mostra uma evolução, tanto em captação quanto em transplantação, se compararmos com o cenário de anos atrás, quando os números eram ruins“, ressaltou o secretário de Estado de Saúde, Alexandre Chieppe.

O Brasil é o primeiro país do mundo em número de transplantes de órgãos feito pelo sistema público de saúde. E o estado do Rio vem, nos últimos anos, especializando profissionais e ampliando a capacidade de atendimento das suas unidades para melhorar a oferta de transplantes para a população.

Em julho passado, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) habilitou a equipe de transplante de pulmão do Instituto Nacional de Cardiologia. Com a capacitação, o Rio de Janeiro passou a ser o terceiro estado do país a realizar esse tipo de procedimento, que há 15 anos era realizado no estado.

O Hospital Estadual da Criança (HEC) é outro exemplo. A unidade atende crianças e jovens de 0 a 19 anos, sendo a primeira instituição pública pediátrica no estado voltada para cirurgias de média e alta complexidade, além do tratamento oncológico e transplante renal e hepático. O HEC é especializado também em transplantes renais pediátricos de baixo peso, que são os que têm menos de 15 quilos.

O transplante é uma estratégia que muda, prolonga e salva a vida das pessoas. Muitos estão sofrendo de doenças crônicas e dependem dele para continuarem vivos. A doação de órgãos é um ato de amor, num momento de intenso sofrimento para as famílias doadoras, que estão perdendo seus entes queridos, mas representa uma atitude altruísta e empática inigualável“, afirma Alexandre Cauduro, coordenador do PET.

Criado em 2010, o PET foi responsável pela renovação da vida de mais de 6.900 pessoas por meio de transplantes de órgãos sólidos (categoria que engloba os transplantes de fígado, pulmão, intestino, rim, pâncreas e coração) e recuperou a saúde de inúmeros pacientes com transplantes de ossos, ligamentos e pele. Em 2020, 1.075 transplantes foram feitos no estado, sendo 376 córneas e 699 órgãos sólidos (22 de coração; 270 de fígado; 384 de rins; além de um transplante simultâneo de coração e rim; 10 de rim e fígado; e 12 de rim e pâncreas). O Estado do Rio ocupa o 3º lugar em número absoluto de doadores no ranking do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

De janeiro a julho de 2021, foram realizados 748 transplantes de órgãos, sendo 346 córneas transplantadas, 14 corações, 157 fígados, 220 rins; além de 9 cirurgias simultâneas de rins e pâncreas, 1 simultânea de rim e coração, 2 simultâneas de rim e fígado, 1 transplante triplo de rim, fígado e coração e uma multivisceral (fígado, pâncreas e intestino transplantados simultaneamente), além de um transplante de paratireóide.

Para doar órgãos é preciso informar o desejo à família, pois a doação só ocorre com a autorização dos parentes próximos.

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