Chega aos cinemas, nesta quinta-feira (25), o filme Casa Gucci, de Ridley Scott, que conta os bastidores de uma das mais importantes famílias no ramo da moda. Inspirado no livro “House of Gucci” de Sara Gay Forden, a história gira em torno do casamento e separação de Maurízio Gucci (Adam Driver) e Patrizia Reggiani (Lady Gaga), que culminou em assassinato.

Para início de conversa, o elenco foi o que mais gerou expectativas em relação ao filme, já que Ridley Scott não gera tanta comoção desde 2001, quando dirigiu Gladiador. Lady Gaga teve sua estreia em Nasce Uma Estrela (2018) e mostrou que tinha grande potencial e entrega para conquistar o universo cinematográfico. Ao se unir a Adam Driver, muito popular nos últimos anos (Star Wars e Infiltrado na Klan), a atriz ofereceu ao público muita química.

Para reforçar o time, Jared Leto e Al Pacino exerceram com maestria os papéis que lhes foram designados. Já é certo que Jared Leto faz de tudo para entregar um bom personagem, não apenas com figurino e maquiagem, mas com dedicação aos roteiros. Enquanto isso, Al Pacino, que parecia ter apenas aparições especiais, proporciona excelentes diálogos e uma boa dose de humor à trama.

Apesar do elenco ter atraído mais atenção ao filme, a construção da narrativa foi surpreendente. O espectador encontra um filme longo, mas que não pesa na experiência, e sim envolve e causa fascinação. O figurino e os cenários são um show à parte, e não poderia ser diferente, já que temos os protagonistas da família Gucci que moram em casarões e têm escritórios muito chiques.

Algo que incomoda muito na trama desde o primeiro diálogo é o idioma. Grande parte do filme se passa em Milão, e como os personagens são italianos o mais natural seria que falassem a língua ítala, mas o idioma usado é um inglês com um sotaque bem forçado.

Apesar de ser um filme inspirado na história da família Gucci, parte dos envolvidos criticou o roteiro e a retratação dos personagens, mas isso costuma acontecer bastante nas adaptações. Mas é incrível acompanhar de perto os bastidores da marca, e não só o grande sucesso entre os integrantes da elite mundial.

Algumas cenas realmente são bem fortes, e mostram uma certa involução por parte dos personagens, que se no início se mostraram tranquilos, realizados e sem nenhuma ambição, do segundo ato para o final passaram a ter pensamentos e ações não condizentes com essa postura.

São grandes as chances de Casa Gucci ser indicado em diferentes categorias no Oscar, e apesar de Gaga ter tido uma excelente performance, não creio que “melhor atriz” seja uma delas. Ridley Scott por outro lado pode ter um espaço na categoria de melhor direção e melhor filme. Seria essa sua remissão?

Jornalista, produtora e apresentadora do podcast cineaspectos. Como amante do cinema, ficou imersa em roteiros fantásticos, conheceu a beleza dos filmes de máfia e os incompreendidos dramas europeus. Sara adora desbravar a singularidade do cinema brasileiro, e acompanha de perto os principais festivais e mostras ao redor do mundo.

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