Vi um meme que brincava com a ideia de ser carioca e trabalhar com alguma atividade que presa pela escrita formal, citando que é interessante essa situação de escrever um tanto quanto formalmente no profissional e falar bastante informalmente no pessoal – usando muitas gírias, como costumamos fazer aqui no Rio. Eu me identifiquei. Trabalho escrevendo e adoro a poesia vocabular das gírias. Gírias são as férias da língua portuguesa. Admirador e, tantas vezes, praticante dessa forma de se comunicar, estou preocupado com a quantidade de gírias paulistanas que estão invadindo nossa cidade. Vai ver, elas só queriam pegar uma praia de leve, mas gostaram daqui e ficaram de vez.

Agora, quando saímos pela Cidade Maravilhosa, não é mais “rolé”; é “rolê”. Tempos antes disso, “busão” já andava em nossas ruas.

“Cara”, que nós usamos como palavra introdutória antes de qualquer frase, independentemente do sentido da oração, nunca deveria ser substituída por “mano”. Isso é praticamente um pecado literário.

Em toda a minha vida de noitadas, nunca fui para uma “balada”. No máximo, curti uma “night”. Quando a “baladinha” é “top”, aí que a ressaca linguística é forte. Aliás, toda vez que um carioca fala “top”, um dicionário de carioquês pega fogo.

Saindo das minhas noitadas no Rio de Janeiro (não foram poucas), nunca faltei trabalho. Trabalho, porque “trampo” é só em São Paulo. Deve ser por isso que eles dizem que não trabalhamos por aqui. Olha a palavra ruim que eles usam para apelidar a labuta…

Nesse nosso Rio não tem “truta”. Em nosso barco só entra “parceiro”, “sangue bom”, tá ligado, “peixe“?

Na cidade do Rio de Janeiro, existem inúmeras faculdades. Nenhuma “facul”. Caso existisse alguma “facul”, seria lá que os alunos aprenderiam gírias paulistanas. Doutrinação de sintaxe é o nome disso.

Voltando ao ritmo de festa, no Rio de Janeiro, nós bebemos “cerva”, chope, ou “cervejinha”. Os bares que servem “breja” aqui devem ser propriedades de empresários da Terra da Garoa.

Que fique claro que não tenho nada contra a cidade de São Paulo. Muito pelo contrário, inclusive. Eu gosto bastante de lá. No entanto, nossas gírias são bem melhores. Aurélio nenhum pode negar. Contudo, com essa enchente de expressões paulistanas aqui no Rio, eu temo pelo dia que passemos a falar bolacha no lugar de biscoito.

9 COMENTÁRIOS

  1. manoo, verdade!! O ‘Tá ligado” é bem Paulistano mesmo.. sou Paulista e estava no Rio, e é impressionante como as pessoas falam: ”manoo”, tá ligado, pra qualquer coisa. E até “Salve” no Rio estão usando. Felizmente ou infelizmente, as pessoas acabam importando gírias regionais de outros Estados.. acho, que às pessoas usarem casualmente é normal. Tipo em São Paulo as pessoas eventualmente usar gírias e expressões de outro Estado é comum.. agora, as pessoas adotarem a gíria de outros lugares, aí já não é legal! Temos que preservar as nossas origens, o Mineiro com a sua expressão, o Paulista com a sua, o Carioca com a suas gírias e expressões.. Deu saudade, quando eu ia pro Rio e era comum, as pessoas falarem: “mermão” , “Cumpadi” agora pelo menos pra mim, estou vendo cada vez menos essas expressões. E isso não é bom né.. não podemos deixar se perder as nossas raízes.

  2. Cara, sou Paulista e quando fui ao Rio de Janeiro nos anos 90, todo mundo me zuava, porque a todo momento eu usava manoo e tá ligado nas minhas conversa com outras pessoas.. aí, o pessoal do Rio falava assim pra mim: “desliga a TV, o Rádio”, já que “Tá ligado”.. tipo me zuando porque eu como Paulistano cresci usando esse linguajar: manoo, meu, tá ligado.. Agora fui no Rio há pouco tempo, e é impressionante como todo mundo fala manoo e tá ligado a todo momento.. Me senti em São Paulo rsrs.. mas parabéns pela matéria, acho que devemos manter o nosso dialeto, nossa gíria, nosso costume mas acho que com as redes sociais acaba se misturando um pouco as coisas né.. porque realmente a gíria Carioca é única mesmo!

    • manoo, verdade!! O ‘Tá ligado” é bem Paulistano mesmo.. sou Paulista e estava no Rio, e é impressionante como as pessoas falam: ”manoo”, tá ligado, a todo tempo. E até “Salve” no Rio estão usando. Felizmente ou infelizmente, as pessoas acabam importando gírias regionais de outros Estados.. acho, que às pessoas usarem casualmente é normal. Tipo em São Paulo as pessoas eventualmente usar gírias e expressões de outro Estado é comum.. agora, as pessoas adotarem a gíria de outros lugares, aí já não é legal! Temos que preservar as nossas origens, o Mineiro com a sua expressão, o Paulista com a sua, o Carioca com a suas gírias e expressões.. Deu saudade, quando eu ia pro Rio e era comum, as pessoas falarem: “mermão” , “Cumpadi” agora pelo menos pra mim, estou vendo cada vez menos essas expressões. E isso não é bom né.. não podemos deixar se perder as nossas raízes.

  3. O dia que um carioca chamar biscoito de bolacha, ele vai precisar levar uma bolacha de fato para aprender o significado dessa palavra para nunca mais errar.??

  4. Concordo, as gírias do Rio são bem melhores, e não precisam de legenda ou explicação pra serem entendidas. Mas ó: “preza” (do verbo prezar) é com z. E não é só na escrita formal, não.

  5. QUER SABER?
    ” buzão, mano ,joinha……”
    NINGUÉM MERECE E MUITO MENOS OS CARIOCAS./
    POR FAVOR! CADA UM NO SEU QUADRADO E O RIO AGRADECE./
    QUER ESCUTAR gíria paulista?? SE MUDA PRA São Paulo./ ( POR FAVOR )

  6. Concordo, não podemos deixar que as nossas gírias morram ou sejam substituídas. São únicas, assim como nós, cariocas, somos únicos!

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