Todas as populações têm suas formas específicas de viver, no Brasil, um país com dimensões continentais, não poderia ser diferente. Nós cariocas, incomodamos muita gente com nossos hábitos peculiares.

Enquanto Noel Rosa, cria de Vila Isabel, grande observador do nosso povo, toca aqui no fone de ouvido, vou lembrando de nossas coisas, de coisas nossas.

O uso constante de chinelos de dedo, em inúmeras ocasiões e locais, já foi abordado em uma crônica anterior. Quem não mora no Rio de Janeiro não consegue entender bem isso. Azar o deles.

Nosso famoso “bora marcar” é outro enigma para o resto do universo. Ninguém compreende que essa frase pode ter muitos sentidos. Eles são literais demais.

Nós, cariocas, temos uma relação exclusiva com o horário. Estamos sempre meia hora adiantados ou atrasados. Isso na visão de quem não é daqui. No geral, nosso relógio de sol está sempre correto.

Na alimentação também somos mal compreendidos. Quem já viu comer pizza sem ketchup? Se liga aí, paulistada, não venham aguar nosso caldo, nosso molho.

Alguns casos, nem são tão bons. Nós, cariocas, temos uma tendência ao descumprimento, ou, no mínimo, à adaptação de certas regras. Vai ver é influência cultural do carnaval e do futebol. O jeitinho carioca é o pai do jeitinho brasileiro. O uso errado de escadas rolantes é só um exemplo.

Há quem não goste, mas nossa informalidade deveria ser patrimônio mundial. As pessoas não deveriam levar a vida tão a sério, ela já é complicada e difícil o suficiente, uma zoada de leve ajuda a melhorar as coisas. Isso passa pelas praias e bares cheios durante a semana, pelos palavrões e pelo sorriso no rosto mesmo com tantos problemas. Não confundir isso com alienação, pois isso sim é coisa ruim.

São muitos os hábitos cariocas que incomodam pessoas que não moram no Rio de Janeiro. Vocês devem estar se lembrando de diversos agora. Creio que ficar escrevendo crônicas sobre nós mesmos seja um deles.

7 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia a todos. O que foi colocado no texto é realidade em muitas cidades do nosso país, que tive oportunidade de conhecer. Não e exclusividade do carioca. Não que isso justifique. Também acho nosso povo mal educado por consequências, inclusive, de questões históricas. Fico envergonhado. Mas o assunto aqui e outro. Essa brilhante ideia do Felipe Lucena de nos presentear com crônicas do nosso lugar, tem que ser aproveitada, degustada, absorvida. Servir de motivo para nos fazer sorrir, quando nos identificamos com alguma coisa relatada. Onde tiver um espaço para criticar, escrachar, esculachar o que tem de ruim, esse texto se encaixará muito bem. Aqui não. Aqui é para sermos felizes. Sermos cariocas, que como todos os gentílicos, temos defeitos e virtudes. Um excelente final de semana pra todos.

  2. Meu cumpádi, deixa nosso cavalo andar! Quem nasceu pra malandragem, não quer ser doutor! E outra, negativamente ou positivamente nós CARIOCAXXX somos o retrato do Brasil no exterior! Abraços meu cumpádi, tmj!

  3. Esqueceu de comentar, ser carioca é não ter muita educação, é escutar funk proibidão no portão das casas dos vizinhos e não no seu portão, aliás se fizer no meu, eu meto bala, é também não ter muito zelo pelo ambiente onde vive, pq já viajei por vários estados e países, mas o lugar mais sujo, com pessoas mais sem noção em relação a limpeza ou em relação a jogar o lixo no lixo, é de longe o carioca, é pagar um carroceiro tão sem noção quanto quem o pagou, a tirar seu entulho e jogar no valão ou terreno “vazio” de alguém, mais próximo de sua casa, assim quando tem enchentes e o valão alaga, alaga também sua casa, ou quando tem surto de dengue devido aos entulhos que o malandro exxxperrrto pagou ao carroceiro exxxperrrto para colocar no terreno dos outros, sendo ele mesmo vítima dos mosquitos que ele ajudou a criar, Emfim ser carioca é viver em um mundo encantado, de samba, futebol, carnaval, churrasco, festas e tudo mais vazio, sem sentido, com o dinheiro que ele deveria pagar suas dívidas ou seus credores.
    E viva aos cariocas !!

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