Foto: Google

“Cariocas não gostam de dias nublados”, diz a música da gaúcha Adriana Calcanhoto. A grande compositora e cantora pode até ter razão, mas acho que nosso problema maior é com os dias de chuva. Ou pior, com o guarda-chuva.

Quando chove, a cidade sofre com problemas recorrentes. Alagamentos, trânsito ruim, preguiça generalizada. Quando mais grave: desabamentos e outras tragédias. Além do clima praieiro carioca (atrativo turístico), que é esfriado.

Como se não bastasse, têm mais coisas, ou melhor, têm as pessoas. Nós, cariocas, não sabemos usar guarda-chuva. Basta andar por uma movimentada rua da cidade em dias chuvosos que se percebe isso de olhos fechados. A propósito, é melhor caminhar com os olhos fechados, mesmo, pois o risco de ter a vista atingida por um daqueles ferrinhos que sobram de qualquer guarda-chuva é enorme. Se o trânsito de carros fica ruim quando cai água do céu, o de pessoas, nas calçadas, fica quase impossível. Ninguém consegue desviar de ninguém, ficamos sem noção de espaço. Haja choque cultural.

Quando é para baixar o guarda-chuva, nós o erguemos, quando é para levantá-lo, nós o abaixamos. Se o caso é tirar para o lado, as pessoas, frente a frente, movimentam a arma do Pinguim do Batman para o mesmo flanco. Embaixo de áreas cobertas, pode desarmar, gente. Não é crime, não.

A falta de prática para tal uso é também recorrente em locais fechados. Sim. Até onde não precisamos do guarda-chuva, nós mostramos que não sabemos usar esse troço. Em qualquer dia de chuva, o que mais vemos por aí são lojas, escritórios, salas, casas e outros espaços cheios de pequenas poças d’água no chão. Os guarda-chuvas saem pingando por aí, como se chorassem de tanto rir de nossa falta de habilidade.

Entretanto, nós precisamos deles. Então, o que acontece? Nós os perdemos. Quem nunca perdeu um guarda-chuva que atire a primeira pedra de granizo. Difícil é achar quem já achou um. Acredito que exista uma máfia do frevo que fica com todos os guarda-chuvas que se perderam nos ônibus, metrôs e ruas da cidade do Rio.

Ainda bem que a Terra da Garoa é em outro lugar. Ainda bem que aqui faz mais sol que chuva. Até porque, guarda-sol, nós sabemos usar. E muito bem.

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