Luiz e Ludwig Danielian
Luiz e Ludwig Danielian - Foto: Tomás Rangel

Foi com o seu sobrenome que os jovens irmãos Luiz e Ludwig Danielian batizaram a galeria que inauguraram nesta 3ª, 17/9, em um imponente casarão histórico de 3 andares no bairro carioca que tornou-se o queridinho no mundo das artes –  a Gávea.

A paixão não é por acaso. Os Danielian carregam no DNA o amor pela arte evocado por seus pais, grandes colecionadores e que, desde sempre, focaram na arte brasileira.  “Meus pais sempre valorizaram a arte nacional. Eram verdadeiros caçadores de talentos brasileiros – até mesmo os desconhecidos”, ressalta Ludwig. O acervo da família começou com Manoel da Costa Ataíde, Pedro Américo, Rodolfo Amoedo, Alfredo VolpiTarsila do AmaralAlmeida Junior, Pedro Weingärtner, Djanira da Motta Silva, entre outros. Os galeristas cresceram ouvindo sobre técnicas e estilos nas pinturas. Na época, com apenas 17 e 24 anos respectivamente, os irmãos Luiz e Ludwig abriram sua primeira galeria em Copacabana.  Por lá, foram 14 anos de sucesso. Mas o sonho não parou por aí. O que eles mais queriam era uma área onde pudessem realizar exposições simultâneas e que tivesse espaço para reserva técnica de mais de 1500 obras de artistas nacionais contadas desde o século XIX.

Sonho esse realizado no 2º semestre de 2019 –  a Danielian Galeria, na Gávea –  com 1200 m² de pura arte. Uma das maiores com foco em obras nacionais, com 4 salas que permitirão exposições distintas, mas que se complementam. Vale lembrar que de fato o bairro da Gávea virou uma espécie de “point” desse universo tão diverso e lotado de nuances culturais.

Galeria Danielian
Galeria Danielian – Foto: Tomás Rangel

O foco da dupla também é realizar o resgate de artistas que  foram marco na história da arte brasileira, mas que de certa forma, ficaram esquecidos na  memória.

Para inaugurar a galeria, fizeram um estudo em cima do inquieto artista Glauco Rodrigues, que já tinham grande admiração pelo seu trabalho, que traduzia nas sua obras, sempre de forma discreta, seus protestos  e suas opiniões. Foram 2 anos pesquisando e buscando um fio condutor de todas as fases do artista, que hoje tem 130 obras na coleção do respeitado mundialmente colecionador Gilberto Chateaubriand.  A exposição abrirá com cerca de 50 obras que são o reflexo da grande importância do artista na arte brasileira.

Ainda com o objetivo de cultuar essa arte, o acervo contempla artistas viajantes como Nicolas Vinet e Hagedorn; E  artistas clássicos do século XIX  a exemplo,  Pedro Américo, Rodolfo Amoedo, Eliseu Visconti  e Giovanni Baptista Castagneto, que dialogam com telas de artistas  do século XX ,  como  Di Cavalcanti e Candido Portinari – expoentes do Modernismo Brasileiro. Além de artistas contemporâneos , como  Beatriz Milhazes, Waltercio Caldas, entre outros.

O cenário cultural brasileiro é de enorme riqueza e complexidade, com manifestações de diversos matizes. Acreditamos que estimular e criar ambientes de reflexão é papel fundamental de um galerista, e ao optar pela arte brasileira, estamos optando também por um entendimento do nosso país”, afirma Luiz.

O casarão também se impõe pela arquitetura: logo na entrada o paisagismo e as esculturas de nomes como Leão Veloso e Maria Martins inspiram os visitantes. O primeiro andar da galeria mescla o clássico com o contemporâneo. Lustres Império (conhecidos como sinônimo de nobreza)  estão expostos no hall de entrada. As escadarias que dão acesso ao segundo andar são um capítulo à parte, assim como os corredores do casarão em mármore rosa e preto/branco. Já nas paredes, de forma contemporânea, tijolos aparentes recuperados da construção original levaram camadas brancas que dão continuidade ao ambiente totalmente clean. Outro capítulo à parte são as obras que ficam no teto do segundo andar da casa. Ao subir as imponentes escadas, já se depara com duas telas de um dos mais importantes artistas portugueses, José Malhoa, ao estilo “Trompe-l’oeil” de 2 metros de diâmetro que também fazem parte do acervo.

Para 2020, os irmãos já estão preparando há anos uma exposição que promete ser inesquecível com mais de 40 obras raras de um dos artistas  mais importantes do Modernismo e do Cubismo – Di Cavalcanti. 

Art Rio :

A Galeria Danielian fará parte do CIGA (Circuito Integrado de Galerias de Arte)  – que tem o objetivo de aproximar o publico  das Artes Visuais. No próximo  dia 17 a galeria estará aberta para visitação do CIGA , conversas com artistas /curadores – em  uma visita guiada e organizada pela Art Rio e também estará participando da feira.

SERVIÇO
Danielian Galeria – Rua Major Rubens Vaz, nº 414 – Gávea
Seg a sex, das 10h às 19h
Tel: 21 2522 4796

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