Lendo “Dos Capítulos da Caridade”, de São Máximo Confessor, abade, presto-me a neste
pequeno texto analisar o que vemos hoje em dia quando o “ser caridoso” está em tela. Vejamos o que nos diz São Maximo em um dos parágrafos sobre caridade: (…) “Quem, verdadeiramente, de coração, rejeita as coisas mundanas e, sem fingimento, se entrega aos serviços de caridade para com o próximo, este, bem depressa liberto dos vícios e paixões, torna-se participante do amor e ciência de Deus.” (…)

Analisando a vaidade permito lembrar a cena final do filme “O Advogado do Diabo” (The
Devil´s Advocate / 1998 / Direção de Taylor Hackford
). Em tal cena já disfarçado de um repórter o diabo faz uma proposta de uma entrevista ao Advogado do interior que havia abandonado uma causa. Após refletir sobre os prós e contras de tal convite, o jovem Advogado acaba por aceitar a proposta e deixa o Tribunal. O repórter então se transforma no ator Al Pacino que interpreta Satanás e diz a seguinte frase: “Vaidade. Meu pecado favorito.” Com essas palavras o filme termina e nos aguça a procurar entender vez por todas que a vaidade não nos liga a Deus.

No dia a dia da Igreja, feita de homens e mulheres, portanto Santa e pecadora em cada
Paróquia, em cada Bispado, existem aquelas pessoas conhecidas por “muito caridosas”. Nas cidades do interior do País existem bairros inteiros chamados de “terras do Santo” fruto de doações à Igreja de supostos caridosos senhores patrões do século XVIII e XIX. Na verdade essas doações nada tiveram de caridosas. Os doadores nada tinha de bondosos, eram na verdade péssimas pessoas, escravagistas, espancadores de mulheres, aproveitadores da mão de obra, locupletando-se do poder mundano que tinham. Temendo o inferno que os aguardava pois do julgamento de Deus ninguém escapa, davam terras e terras para a Igreja. Tolos, imaginavam que a falsa caridade podia-lhe clarear a alma gangrenada pelas maldades de uma vida e garantir-lhes um lugar no céu.

Nos tempos atuais ainda existem esses falsos caridosos, alguns fazem, é bem verdade, doações a Igreja, apadrinham obras sociais, comungam e se mostram ao povo em geral como humildes, genuflexos e piedosos. Na verdade nada há de caridade ali. Vejamos o Evangelho de Mateus 6-1: “Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu”

A caridade é quieta, é silenciosa é uma relação íntima com Deus. Não há caridade quando a
mesma feita com o propósito de arrancar elogios encomendados, de auto promoção, de busca pela bajulação. A caridade está nos atos caridosos e de filantropia mais ela está também em como tratamos as pessoas com as quais convivemos, em se somos ou não verdadeiros com aqueles que dizemos ser amigos, a caridade também está em como tratamos nossos empregados, em como nos comportamos com os mais pobres quando ninguém está vendo, em quando atendemos um pobre à nossa porta e que nos pede um
copo de café e um pão. Este café com pão tem muito mais valor que um banquete que servimos aos olhares do público que equivocadamente poderão pensar: Oh quão caridosa é esta alma! Na verdade só Deus conhece as almas mas tenha a certeza esta alma que por fora parece ser de ouro por dentro é podre, é sepulcro caiado.

É preciso que entendamos de fato a caridade no sentido mais amplo se seu significado. Não
há caridade naquele que se apega a miuçalhas, aqueles que se colocam como superiores ou únicos merecedores dos holofotes. Acredite não há caridade onde existe vaidade, o que existe ali é uma doença, uma patologia psíquica talvez mas certamente uma doença da alma.


Termino perguntado: Você já é caridoso? As vezes todos podem achar que sim, mais diante
de Deus cada um será julgado realmente pelo que é e não pelo papel que desempenha na novela da vida real.



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