Todos sabem que o Rio de Janeiro tem seus problemas. O apelido de “Cidade Maravilhosa”, que ressalta as belezas naturais locais (que, sim, existem e são relevantes) e a alegria do povo carioca, por vezes camufla a sensação de insegurança que assombra o município há tempos.

E nesse período de quarentena que estamos vivendo, as ruas da cidade, sempre tão cheias de pessoas circulando durante o dia, têm ficado vazias, quase desertas. Uma situação muito diferente do que estamos acostumados a ver e consequentemente propícia à violência.

No Centro do Rio, especificamente falando, o cenário é desolador. As inúmeras lojas de vários segmentos do comércio presentes na região estão majoritariamente fechadas. Não é exagero dizer que o local, como um todo, tem lembrado uma cidade-fantasma.



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E isso, é claro, gera uma enorme preocupação em quem ainda precisa estar indo ao trabalho. Segundo o DIÁRIO DO RIO apurou, há relatos que moradores de rua, munidos de facões, estão tentando assaltar quem ainda se aventura (ou necessita) a andar pela região.

Nathalia Costa, que trabalha num edifício comercial próximo ao Theatro Municipal, tem trabalhado de home office, mas precisou ir presencialmente ao local na última sexta-feira (03/04) e ficou assustada com o que viu.

Segundo relatos, moradores de rua estão tentando assaltar quem se arrisca a circular pela Cinelândia – Foto: Reprodução

“Sensação de insegurança total. Além de estar praticamente deserto, não tinha nenhum policiamento por perto. Não dá para arriscar de ficar andando”, lamentou Nathalia.

Um colega de trabalho dela, que preferiu não se identificar, disse morar há cerca de 10 minutos dali e que o trajeto que sempre fez a pé agora se tornou inviável, devido à enorme possibilidade de assaltos.

Outro ponto da Cinelândia com moradores de rua – Foto: Reprodução

“Estou vindo de Uber e saltando exatamente na porta. Até se viesse de metrô, pra andar até aqui, seria arriscado”, disse ele.

Mais moradores de rua em meio a um Centro deserto, dessa vez em trecho da Avenida Presidente Antônio Carlos – Foto: Reprodução

Ainda na região da Cinelândia, a famosa Banca do André, localizada na esquina da Rua Pedro Lessa com Avenida Rio Branco e que antes da pandemia havia se tornado point de happy hour entre os trabalhadores da região, divulgou em suas redes sociais, na última quinta-feira (02/04), que sofreu um arrombamento, na madrugada do dia anterior.

Flagrante do arrombamento à Banca do André, na Cinelândia – Foto: Reprodução

Segundo a publicação, alguns produtos foram levados e outras 3 bancas de jornal do Centro do Rio também foram furtadas.

Banca do André no dia seguinte ao arrombamento, agora com tapumes para evitar novas tentativas de furto – Foto: Reprodução

Com policiamento, Zona Portuária tem cenário mais seguro

Se na região central “oficial” da cidade o cenário é preocupante, na Zona Portuária, que também faz parte do Centro, o ambiente é diferente.

Uma fonte do DIÁRIO DO RIO esteve no local no último sábado (04/04) e, diferentemente do “abandono” na Cinelândia e adjacências, no Porto Maravilha não há sensação de insegurança, pelo contrário.

Em frente ao Píer Mauá, foram vistas viaturas tanto da Polícia Militar quanto da Guarda Municipal.

Viaturas da PM e da GM em frente ao Píer Mauá – Foto: Tarcízio Brasil

Bem perto dali, na região do AquaRio, também havia viaturas circulando.

Viaturas da Polícia Militar circulando próximo ao AquaRio – Foto: Tarcízio Brasil

“Minha área de atuação é essa aqui [Zona Portuária], então não sei responder como está a questão das rondas pela Cinelândia, mas acredito que aqui esteja havendo mais circulação de policiamento por ser uma área teoricamente mais procurada por turistas do que lá”, disse um policial militar que não quis se identificar ao ser questionado sobre o assunto.

Policiais militares e um guarda municipal na região da Zona Portuária – Foto: Tarcízio Brasil

Vale lembrar que, devido à Copa do Mundo, em 2014, e, principalmente, às Olimpíadas, em 2016, o Centro do Rio de Janeiro passou por um enorme processo de revitalização, especialmente a Zona Portuária, que passou a ser a região turística tida como “menina dos olhos” da cidade.

12 COMENTÁRIOS

  1. O Governador e o Prefeito devem trabalhar no sentido de ter suas Polícias circulando nessas áreas como medida de segurança – pessoas, empresas, patrimônio

  2. Penso que nem são moradores de rua. São viciados e vagabundos que se aproveitam da situação para tirar alguma vantagem, como furtos, assaltos ou arrombamento. Moradores de rua de verdade não tem esse perfil. Agora, onde está o prefeito da Universal para fazer caridade nesses momentos de tribulações?

  3. Ouvi uma pessoa dizer que o problema do Rio era o carioca. Fiquei bravo e contestei. Mas, estou começando a achar que essa pessoa tinha ou tem um pouco (?) de razão! Moro no sul de Minas, numa cidade de 47 mil habitantes (boa esperança), linda, um lago exuberante (yes, temos uma Copacabana também!), morei, trabalhei e estudei no RJ, na década de 1980-1990. Amo essa cidade. Vou ai pelo menos 3 vezes por ano. A cada ano observo melhorias na infraestrutura, mas o social vem piorando cada vez mais.

  4. Com tanta gente em casa no isolamento, por que manter um custo tão alto no Segurança Presente?
    Aliás, mesmo ainda válido manter o Programa, se nos dias normais encontramos agentes agrupados, juntos ou muito próximos, em 5, 6 desnecessariamente, às vezes de olho no celular, ou bundas de transeuntes, agora, então, a ação deveria ser melhor desempenhada.

  5. Segundo os dados da secretaria de assistência social e da defensoria, temos no Rio perto de 15 mil pessoas em situação de rua, as vagas em abrigos, até a pandemia ficavam na casa das quase 3 mil vagas. Essa pequena cidade de 15 mil habitantes, que vivia debaixo dos nossos olhos, agora está visível, e sem a atividade urbana, sem mínimas condições de sobrevivência, viviam em grande maioria de catar e vender material reciclável papelão, latinha, plastico, do comércio ambulante e ate mesmo esmolas. Não há outro caminho se não a forte atuação do poder público e fim de amortizar a tragédia sobre essas vidas.

  6. Na 24 de maio com general Rodrigues, tem arrastão quase que diário. Se parar no sinal já era. Não entendo como não conseguem acabar com isso . Muito perigoso para quem precisa estar na rua.

  7. Semana passada eu tive que ir no Centro (Av. Rio Branco), fui e voltei de Uber, mas estava tranquilo e o policiamento do Centro Presente estava circulando tanto em viaturas, em bicicletas, em moto e a pé. Até em frente a agência bancária que eu tive que ir, tinha um grupo de 3 agentes do Centro Presente bem perto. Mas fora isso, se o Centro Presente se retirar, aí sim fica um filme de terror.

  8. Morador de rua tem pra onde ficar. Acho que o governo deu a opção do sambódromo para eles. Acho que pessoal que fica na rua a maioria são os viciados em drogas, então é hora de pega-los e leva-los para recuperação ou prende-los.

    • Será?
      Um governo que reduziu o orçamento da secretaria de ação social em mais de 70% e agora quer que os viciados larguem o vício de hora para outra e vão para um lugar que – sabe-se lá – levanta dúvidas do real tratamento?

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