Literalmente, de um dia para o outro, crianças em todo o mundo tiveram que deixar as salas de aula e foram colocadas em isolamento, junto com seus familiares, em suas casas, não havia sequer previsão de voltar as escolas, brincar nas ruas nem pensar, nem mesmo visitar parentes e amigos era mais possível.

Passado mais de um ano, boa parte dessas crianças ainda permanecem em isolamento, o que fez com que essas famílias precisassem adaptar suas atividades diárias e trabalho com a convivência integral com seus filhos.

Crianças mais novas, de até 5 anos, embora pareçam ser menos afetadas em seu processo educativo, uma vez que requerem menos conteúdo programático, merecem também, bastante atenção, pois é durante esse período que elas desenvolvem de forma integral os aspectos físico, psicológico, intelectual e social.

O ambiente escolar é onde as crianças começam a interagir com pessoas estranhas ao seu núcleo familiar, é nesse espaço que descobrem um novo mundo, fora de sua zona de conforto, nele é possível vivenciar diferenças sociais e culturais e é na educação infantil que a criança apresenta as melhores condições de aprendizado, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), um momento ímpar para se desenvolver e ampliar o seu universo saberes e aprendizados.

Mas, diante desse difícil cenário pandêmico,  como é possível  amenizar as perdas decorrentes do isolamento social? A Disciplina Positiva (DP) foi uma das ferramentas utilizada, ela foi escolhida porque vislumbramos em seu conjunto de características, um formato extremamente relevante para tratar desse tema.

A DP é um processo de longo prazo, um modelo filosófico e prático, que ensina a educar pelo caminho do meio, com gentileza e firmeza, usando da empatia para se colocar no lugar da criança, mas com  limites claros, sem punição ou recompensa. Nos ensina a desenvolver habilidades sociais, para que nos tornemos pessoas respeitosas, resilientes e empáticas.

Em minha experiência, pude perceber que através do encorajamento, as crianças se sentem mais aptas a opinar, dando ideias, inclusive, para melhorar o seu aprendizado, da mesma forma, famílias se sentem mais capazes de decidir juntos o que fazer. Minha enteada Angelina, foi estimulada pelo nosso exemplo com livros, a fazer leituras dos livros dela para nós e para os nossos gatos, mesmo sem ainda saber ler, ela inventa histórias observando as ilustrações de seus livros, e compõe uma narrativa com início, meio e fim. Através dessa atividade, aproveitamos para ensinar algumas palavras, já que ela ainda está na fase de pré-alfabetização. Ensinamos também palavras em outros idiomas que ela tem contato através de músicas, desenhos e jogos eletrônicos, nossa principal intenção é usar os elementos da sua realidade diária para compor o seu aprendizado.

Dessa forma, o uso de brincadeiras no dia-a-dia é utilizado como ferramenta para educar através de vivências, com um jogo  que mostra animais nascidos em diferentes zonas climáticas, iniciamos um estudo geográfico, mesmo sem que ela jamais tenha estudado geografia em sua curta passagem pela educação formal.

Outro processo que vem dando resultados satisfatórios é trabalhar a sua curiosidade pelo mundo dos games e dos livros, desse casamento surgiu uma experiência que nos surpreendeu bastante, ela criou uma biblioteca com uma cama e fogão no jogo minecraft, idealizando onde ela poderia trabalhar e morar no futuro, ponderamos que livros e fogão não combinam muito, mas ela argumentou que não poderia ficar lá o dia todo sem poder cozinhar.

Através da utilização da Disciplina Positiva, concluímos que o grande desafio da escola é preparar crianças e jovens com o objetivo de ajudá-los a se tornarem adultos fortes emocionalmente. Com isso, não estamos afirmando que o conteúdo nao é relevante, pelo contrário, mas que será mais facilmente compreendido se soubermos fazer as perguntas certas e estimular as crianças a buscarem dentro de suas próprias experiências uma forma de aprender, tornando-os conscientes de suas fortalezas, mas sem deixar de reconhecer suas fragilidades e compreender a melhor forma de lidar com elas.



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