Segundo o site meudicionário.org o termo padrasto significa: “substantivo masculino – homem em relação aos filhos que o cônjuge ou companheira(o) tem de matrimônio ou relacionamento anterior”.

A palavra padrasto para mim sempre remeteu a imagem de um segundo pai, de uma nova relação de amor, baseada na escolha de uma união afetuosa entre um casal com filhos de uma ou ambas as partes oriundas de um relacionamento anterior.

Contudo, essa era, até então uma impressão baseada unicamente na experiência que via de outras pessoas, familiares ou amigos que viviam esse tipo de arranjo familiar. Até o meu atual relacionamento, nunca vivi com uma mulher que já tivesse filhos, portando jamais fui padrasto antes de alguém, o que me levou a buscar entender mais a fundo esse meu novo papel, fui estudar e procurar literatura disponível, pois mesmo não sendo pai biológico, acredito que posso exercer uma espécie de paternidade indireta, afinal estou envolvido em uma relação no qual existe uma criança que faz parte da minha vida e da minha rotina diária.

Comecei como geralmente fazemos hoje em dia quando queremos entender mais sobre algum assunto, uma simples pesquisa no Google, que para minha surpresa, tanto nele, quanto no Youtube, a maioria dos sites e conteúdos que achei me mostraram que nem tudo são flores nesse universo. A palavra ‘padrasto’ possui uma forte conotação estigmatizada por casos que envolvem, principalmente, violência e pornografia infanto-juvenil, ingrediente, pasmem! abundante em sites pornográficos bem populares. Já a palavra ‘ madrasta’, por outro lado, está relacionada a figura de uma mulher má, invejosa e desprovida de afeto, como vemos em boa parte das histórias infantis, quem de nós nunca ouviu falar da Madrasta da Branca de Neve ou da Cinderela, ambas mulheres sem coração, capazes até de mandar matar a filha de seus cônjuges?

O que mais me incomoda nisso tudo é essa generalização que rotula e define de forma preconceituosa as relações. São construções de narrativas que precisam ser desconstruídas, ajudando a criar uma nova perspectiva, baseada no amor e carinho que esse tipo de estrutura familiar merece.

Não quero com isso dizer que tais casos não existam, porém eles não são a maioria nos relacionamentos de padrastos ou madrastas com seus enteados e nem devem ser a forma escolhida para retratar tais relações, alimentando um preconceito.

Nesta coluna, além de trabalhar para desconstruir uma visão estereotipada, irei dividir experiências sobre esse meu novo momento de vida, momento no qual eu não me preparei, mas que aconteceu de surpresa, em meio a pandemia, quando decidi, junto com minha namorada, que é mãe de uma menina linda, morarmos juntos na mesma casa e preparar o nosso casamento.

De lá pra cá, foram muitas descobertas, com todos os perrengues e alegrias que uma vida em família tem o poder de trazer, mas que estou aprendendo a lidar com muita vontade de entender cada vez mais esse novo mundo que se abriu pra mim. Essa é minha vida de padrasto, seja bem vindo a ela.

1 COMENTÁRIO

  1. Caro Pedro Gerolimich,
    Tudo depende da índole, do caráter e da moral do padrasto, da madrasta e de seus cônjuges.
    Assim como faz parte da natureza dos animais dar prioridade e atenção aos filhos consanguíneos (os leões que formam par com uma fêmea que tenha filhote de outro macho, antes de firmar a relação, o matam), o homem adquiriu desenvolvimento moral e ético, capaz de impedi-lo de tal barbárie.
    Justamente por isto, reafirmo a importância da índole, do caráter e da moral do padrasto ou madrasta a que nos referimos, pois além dos humanos que foram educados e civilizados, existem os animais humanoides que vingaram apenas pela força do instinto de sobrevivência e exercem sua índole animalesca na fase adulta, junto aos enteados, como se seus atos fossem de humanos desenvolvidos.
    Nesta mesma linha do instinto de sobrevivência, há aqueles que se unem a outra pessoa, não importando se padrasto ou madrasta, pai ou mãe, apenas por conveniência ou interesse, sem qualquer chance de que os enteados sejam ao menos consultados.
    É claro que isto trás revolta às crianças, enquanto a decisão tomada pelos adultos que se mancomunam por interesse podem ser até prejudiciais e antagônicas à formação dos pequenos.
    Está evidente que, nestas condições, a relação padrasto/enteado será inevitavelmente, uma grande interrogação para o futuro de todos.
    Há casos em que os pais legítimos são os interesseiros e passam a dar atenção e afeto maiores aos filhos do casal recém constituído e passam a desprezar os filhos do casamento anterior, por ódio, vingança ou trauma adquiridos na relação anterior.
    As questões psicológicas envolvidas são inúmeras e deve ser considerada a possibilidade de consulta e orientação a especialista comportamental, para cada um dos membros, diga-se, mesmo que haja um ambiente de bom nível socioeducativo e civilizatório, pois são muito comuns nestas alterações de constituição familiar, o desequilíbrio entre o emocional e a razão.
    Veja que até a idade das crianças, dos pais e dos novos pretendentes a esta nova constituição familiar importa, e muito, nas alterações emocionais que tal mudança ocasionará.
    Para cada momento de maturidade e atividade hormonal, considerando todos os envolvidos, o cenário de alterações emocionais será completamente diferente.
    A família é a constituição basilar da formação do caráter e da educação. Logo, qualquer mudança neste ambiente fundamental para o equilíbrio e segurança emocional dos filhos será muito sensível e terá consequências imprevisíveis.
    E essas consequências serão tão mais positivas quanto mais equilibrados e civilizados forem os pais e padrastos…

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