Cropped image of beautiful pregnant business woman using a laptop and holding one hand on her belly while working at home

Hoje vou contar a história da chamada Sabrina, mulher branca de classe média carioca, daquelas que foram criadas para ser o que quisesse na vida, e não decepcionou, construiu uma carreira sólida no sistema bancário, passou por inúmeras funções, até atingir o topo de sua carreira.

Nascida na década de oitenta, estudou em bons colégios privados, cursinho pré vestibular, até ser aprovada em economia na UFRJ, o mundo sorria, uma brilhante carreira, construída na base de muitos estudos e alguns privilégios.

Desde criança escutava de sua mãe que os estudos eram prioridade, diversão, relacionamentos deveriam vir após as lições, casar só depois de formada, não deveria depender de ninguém, aos 34 anos disse sim ao seu namorado, um pouco mais tarde que a maioria das suas amigas, mas no momento certo de acordo com seus planos de carreira.

O casal tinha uma vida estável, ela no auge, ele ainda em um patamar financeiro inferior, as contas se equilibravam, parecia que os planos de sua mãe tinham dado certo, não dependia de ninguém, tinha sua independência financeira.

De forma não planejada veio a surpresa, seu primeiro filho estava na barriga, uma grande felicidade a tomou, sentia-se radiante, recebia os parabéns de amigos e tentavam adivinhar o sexo da criança, os mais próximos davam sugestões de nomes ao casal.

Uma gravidez transcorreu tranquilamente, os nove meses passaram rápido, chegou a tão amada e esperada Julia, com ela o pedido de licença maternidade, quatro meses de pausa em sua consolidada carreira para dedicação exclusiva a pequena.

Ser mulher em um mundo de trabalho machista, já não é tarefa das mais simples, agora ser mãe em um mundo de homens, baseados na inflexibilidade do trabalho, é uma tarefa quase impossível, levando em conta que a grande maioria delas precisam optar entre as suas carreiras ou cuidados com as crianças.

Segundo pesquisa da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV) “a queda no emprego se inicia imediatamente após o período de proteção ao emprego garantido pela licença. Após 24 meses, quase metade das mulheres que tiram licença-maternidade estão fora do mercado de trabalho”

Seu marido não teve sua vida afetada no trabalho, agora Sabrina, seis meses após o seu retorno foi mandada embora, alegaram reestruturação de seu setor, ainda tentou um acordo, uma tentativa de negociar horários, diminuição do salário, sistema híbrido, nada convenceu o recursos humanos de que a reestruturação era a solução da empresa.

Essa é uma história baseada em fatos reais, de milhares de mulheres como Sabrina que pagam um preço, infelizmente muito desproporcional com relação aos homens, na opção de engravidar.

Em minha impressão, mulheres são penalizadas quando se tornam mães, não depende de sua capacidade, suas entregas, pagam um preço já pré estabelecido, talvez os executivos da empresa de Sabrina, não lembrem que um dia necessitaram de cuidados, e que sem suas valorosas mães, talvez não estivessem em tais postos.

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