No espetaculoso mundo das redes sociais, um DJ nem tão famoso ganha, de um dia para o outro, milhares de seguidores, e como ele conseguiu essa façanha? A resposta? Essa não seria, provavelmente, nem imaginada pelos roteiristas de Black Mirror, tal cruel é a face da nossa sociedade exposta nesse episódio da vida real.

Sim, ele bateu em uma mulher, sim era sua ex mulher, sim, foi na gravidez e depois na  frente do bebê que tiveram, sim, foram diversas vezes, sim, havia testemunhas e sim nenhuma se meteu, mas o que acontece com ele? Ganha seguidores e fica famoso no país inteiro.

A cultura do cancelamento tão presente hoje em dia parece funcionar muito bem quando a pessoa escolhida é mulher, como aconteceu com a cantora Karol Conká, que pelo seu comportamento no Big Brother perdeu milhares de seguidores e contratos, mas para homem que bate em mulher, não. O resultado são mais seguidores ávidos pelos próximas episódios desse “reality” da vida real, que parecem se deliciar com as cenas brutais da mulher sendo espancada e que ao invés de clamar por justiça, clamam pelas cenas do próximo capítulo.

O que nos difere daqueles espectadores de batalhas mortais travadas nas arenas e coliseus da antiguidade? Me arrisco a dizer, que evoluímos muito pouco de lá pra cá, quando ao invés de exigir justiça, nos escondemos atrás de nossas telas coloridas esperando pelo próximo episódio, que indiretamente ou não, nós também participamos, seja como observadores fiéis ou fãs fervorosos, mas ambos já escolheram o seu lado e não foi o da mulher agredida. Para ela recaem os olhares desconfiados, as dúvidas sobre seu caráter, a pulga atrás da orelha que insiste em dizer, “mas será que ela não mereceu?” “o que ela fez?”, “será que não provocou?”…

Não sejamos como aquele homem que aparece no vídeo, cúmplice silencioso e observador passivo de um crime que se desenrola ao seu lado ou como os novos seguidores de muitos Ivis, que pode ser o seu vizinho de porta, o seu amigo próximo, aquele tio que você admirava tanto, esses, assim como as plateias que lotavam as arenas da antiguidade, já escolheram o seu lado e suas mãos também guardam as marcas dos socos que ajudaram a dar nas muitas Pamelas, Marias, Luanas e tantas outras que talvez nem tenham tido a “sorte” de terem os seus nomes conhecidos e divulgados nas redes sociais.

Não podemos mais aceitar passivamente sermos espectadores de casos assim, por essa razão criei, com um grupo de amigos, o abaixo assinado para  a criação da Lei Pamella de Holanda, que institui agravante de pena máxima na Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006) para mulheres que tenham sido agredidas enquanto grávidas e puérperas!

Precisamos de 20.000 assinaturas para poder entregar ao Congresso Nacional! Faça sua parte, assine essa petição e diga não à violência doméstica!

#LeiPamellaDeHolanda

Assine neste link: http://chng.it/VdqMTDvdsr

1 COMENTÁRIO

  1. Tudo ia tão bem até citar a tal Carol, como se o gosto de sangue tivesse algo a ver com o gênero. A torpeza Humana excede isso. Mas já q se falou em cancelamento, pense na revolta contra o hipócrita, que condena em público, mas faz em oculto, ainda q esse oculto seja no BBB. Que será do dia em que a democracia através do voto da maioria legitimar essas aberrações…

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