Belmonte da Rua Dias Ferreira, no Leblon, Zona Sul do Rio - Foto: Reprodução/Internet

Circula pelas redes sociais um áudio, em tom de desabafo, atribuído a Antônio Rodrigues, dono do Boteco Belmonte, famosa rede de bares do Rio de Janeiro, sobre a retomada das atividades comerciais na capital fluminense. Nele, o homem – supostamente o empresário – diz que, além da arrogância dos agentes que fiscalizam os estabelecimentos, criando empecilhos para o funcionamento dos mesmos, há parcialidade nas vistorias, que, segundo ele, só acontecem na Barra da Tijuca, Leblon e Ipanema, e não na cidade inteira.

Na conversa, Antônio aparenta estar enviando o áudio a um grupo no WhatsApp e dialoga especificamente com um suposto outro empresário, chamado Serrado, dizendo que os comerciantes precisam se unir para tomar alguma providência, pois, ”do jeito que está, não dá para continuar”. Ele ainda sugere que se feche tudo e cogita, inclusive, encerrar as atividades do Belmonte e se mudar para Portugal, onde diz ter 2 estabelecimentos comerciais e que lá pode-se trabalhar mais tranquilamente.

Uma das principais redes de bares da cidade, o Belmonte tem 9 unidades no Rio: Leblon, Ipanema, Jardim Botânico, Urca, Copacabana, Leme, Flamengo, Praça XV e Lapa.

O DIÁRIO DO RIO tentou contato tanto com o Boteco Belmonte quanto com a Vigilância Sanitária, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) e a Subsecretaria de Licenciamento, Fiscalização e Controle Urbano, responsáveis pelas vistorias, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve retorno de nenhuma das partes citadas.

Confira, na íntegra, o desabafo de Antônio Rodrigues no áudio:

”Serrado, quem tá falando aqui é Antônio, do Belmonte. Cara, o que eu passei no Belmonte ontem foi humilhante. Um cara altamente estúpido, grosso, e uma mulher coordenando a fiscalização completamente sem controle nenhum. Eles brigaram entre si, pois queriam que o fiscal da Vigilância Sanitária me multasse, e o fiscal disse que não iria me multar, pois não tinha motivo para isso. Eu acho que temos que fazer alguma coisa, todo mundo se unir, pois nós não somos bandidos, estamos trabalhando para tentar sobreviver, pagando imposto, pagando funcionário, sem ajuda de governo. Indo pra Caixa Econômica e sendo coagido, pra pegar empréstimo tem que fazer seguro. Temos que tomar alguma atitude. Ou fechamos tudo, ou tomamos outra atitude, pois tá impossível de trabalhar. Tem 40 ou 50 homens na porta da casa. No Belmonte do Leblon, ontem, entraram 4 fiscais da Vigilância dentro da cozinha, 5 guardas municipais e 2 PMs. Eu nunca vi isso na minha vida. Enquanto isso, ninguém vai em outros lugares do Rio. Tem um menino que trabalha comigo que passou pela Praça Varnhagen [Tijuca] meia-noite e tava tudo cheio. Então, o negócio é Barra da Tijuca, Leblon, Ipanema e só. Então, eu queria registrar aí pra todos do grupo que está impossível de trabalhar. Eu tô pensando seriamente em arriar as portas de tudo e ir embora para Portugal. Eu tenho dupla cidadania, tenho 2 comércios lá, que estão abertos há 2 meses. Nunca foi um fiscal lá. Não vão perturbar. A gente fecha lá às 23h, mas o cara dá uma hora para você se organizar, e nunca apareceram na hora do fechamento. E nem em hora nenhuma, ninguém perturba. Você pode trabalhar tranquilo. E lá, o governo disponibilizou uma linha de crédito 0.30% de juros ao ano para você começar a pagar em 2 anos e tem 6 anos no total para quitar. E aqui, além da gente não ter ajuda nenhuma do poder público, ainda somos esculachados e tratados como bandidos. Nem os bandidos são tratados assim. Eu não sei o que vamos fazer, mas acho que é hora de nos unirmos e, ou parar tudo, ou tomar outra atitude, pois não dá pra continuar do jeito que está.”



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4 COMENTÁRIOS

  1. Pois é bandido sim. Sou testemunha das unidades de ipanema e leblon abertas em plena alta da pandemia, muito antes de qualquer liberação do governo. Deveria era se calar e, ao menos uma vez, acatar autoridade ao invés de se portar como tal. Paz e luz.

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