Hangar do Zepplin, em Santa Cruz (Foto: Reprodução Redes Sociais)

Em uma era de avanços tecnológicos cada vez mais frenética, com o desenvolvimento de aeronaves super velozes e, até de carros voadores. Onde uma viagem do Brasil à Alemanha dura em torno de 12 horas, é inimaginável debruçar em passado relativamente recente, na década de 1930, quando a aviação comercial internacional estava marcada pelos grandes dirigíveis alemães, conhecidos como Zeppelins.

Segundo reportagem publicada na revista Aerovisão, da Força Aérea Brasileira, em 2016, a história registrou a primeira viagem experimental entre a Alemanha e o Brasil com o Graf Zeppelin, que pousou no Campo dos Afonsos, na Zona Oeste do Rio, em 1930. Já em 1933, os alemães da empresa Luftschiffbau Zeppelin estiveram no Rio de Janeiro, capital do Brasil na época, para escolher um local adequado para servir como campo de pouso e abrigo definitivo para os imponente dirigíveis.

Foi escolhido um terreno de 80 mil m² pertencente ao Ministério da Agricultura, localizado no subúrbio de Santa Cruz, próximo à Baía de Sepetiba, também na Zona Oeste da cidade. A escolha só se deu após serem levados em conta diversos aspectos como o clima, a direção e a velocidade dos ventos, e a possibilidade de locomoção por outros meios de transporte, ligando o bairro à cidade.

Em 1934, começou, então, a construção do aeroporto para os dirigíveis, que recebeu o nome de Bartolomeu de Gusmão, uma homenagem ao sacerdote brasileiro, pioneiro do balonismo. Concebido por engenheiros alemães, foi edificado pela Companhia Construtora Nacional, com mão de obra brasileira, supervisionada por técnicos alemães.

A inauguração ocorreu em 26 de dezembro de 1936, com a ativação de uma linha regular de transportes aéreos que ligava a Alemanha ao Brasil.

Hangar do Zepplin (Foto: Força Aérea Brasileira)

Incialmente, dois Zeppelins faziam a linha para a América do Sul, por serem os melhores e os maiores: Graff Zeppelin e o Hindenburg. Partiam de Frankfurt, na Alemanha, e atracavam em Recife, em Pernambuco, para, posteriormente, descer no Rio de Janeiro, onde eram recolhidos dentro do hangar para manutenção, reabastecimento e embarque de passageiros.

Hangar do Zepplin (Foto: Força Aérea Brasileira)

O hangar foi pouco utilizado pelos dirigíveis: quatro vezes pelo Hindemburg e cinco vezes pelo Graf Zeppelin, pois o projeto dos Zeppelins foi cancelado após o acidente que ocorreu em Nova Jersey, nos Estados Unidos, com o Hindenburg, em maio de 1937.

Posteriormente, durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942, o Governo Brasileiro expropriou o Aeroporto Bartolomeu de Gusmão dos alemães e implantou lá a Base Aérea de Santa Cruz (BASC), da Força Aérea Brasileira (FAB). E o hangar encontra-se preservado até os dias de hoje.

Patrimônio histórico

Assentado sobre 560 estacas de sustentação, o hangar é uma edificação de grandes dimensões: são 274m de comprimento, 58m de altura e 58m de largura. Tem quatro plataformas rolantes sob o teto, que facilitava a manutenção no topo dos Zeppelins, além de três vigas especiais, caso fosse necessário erguer o dirigível.

As instalações elétricas eram revestidas por uma blindagem para evitar o surgimento de qualquer fagulha, que poderia causar um incêndio catastrófico nos dirigíveis. No interior do hangar há duas escadas com patamares, uma de cada lado, e um elevador elétrico que transporta 450kg ou seis pessoas, além de 23 janelas envidraçadas de cada lado. As telhas são originais de fibrocimento. No topo, a 61 metros, fica a torre de comando.

A construção está orientada no sentido norte/sul. O portão sul, o principal, pode ser aberto em toda a extensão de altura e largura do hangar, por motores elétricos ou manualmente, por um sistema de contrapesos; cada lado pesa 80 toneladas. Já o portão norte, com 28m de largura por 26m de altura, servia apenas como passagem de ventilação e saída da torre de atracação e só é aberto manualmente. 

Hangar do Zepplin (Foto: Força Aérea Brasileira)

O hangar serviu de base para o 1º Grupo de Aviação de Caça da FAB, que atuou na segunda guerra mundial. No local é realizada periodicamente a manutenção da aeronave administrativa da BASC. 

Nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos da Rio 2016, o hangar serviu como apoio a 12 esquadrões de aeronaves de caça, transporte e reconhecimento, que foram deslocados de diversas regiões do País e passaram a operar a partir da BASC. Às vezes, é usado para embarque e desembarque de paraquedistas. E também é muito procurado para atividades de balonismo. O hangar já foi utilizado, inclusive, para anúncio publicitário e recebe constantemente a visita de arquitetos por ser uma referência arquitetônica da década de 30. 

Hangar do Zepplin (Foto: Força Aérea Brasileira)

Desde março de 1998, o hangar é considerado patrimônio histórico brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Como o próprio IPHAN descreve, é um patrimônio cultural que tem sua vinculação com “fatos memoráveis da história do Brasil”. 

*Com informações da Força Aérea Brasileira

3 COMENTÁRIOS

  1. A construção ficou a cargo do Engenheiro Civil, do Ministério da Aeronáutica, Jorge Moniz, filho do renomado arquiteto Adolfo Morales de Los Rios Filho e neto do importante arquiteto Adolpho Morales de Los Rios.
    Sua mãe tirou-lhe o sobrenome Morales de Los Rios, após a separação.
    Jorge Moniz também foi um dos fundadores do Aeroclube de Manguinhos, do Clube dos Marimbas, ao lado do Forte de Copacabana, e um dos responsáveis pela construção do Aeroporto do Galeão, sua última obra, antes da aposentadoria.
    Aliás, seu pai e seu avô deveriam ser retratados por este diário.

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