A Grande Jogada: Capa do Livro (Foto: Reprodução Internet)

Histórias reais sempre dão bons livros. E bons filmes. A história da americana Molly Bloom é uma dessas histórias.Escrito pela própria Molly, “A Grande Jogada” (Editora Intrínseca, 272 páginas), livro de estréia da autora, narra a história real da mulher que por vários anos comandou a mesa de pôquer mais concorrida, famosa e exclusiva do mundo.

Escrito na primeira pessoa, para a minha surpresa, a autora já no prólogo cria uma expectativa quando dá uma espécie de “spoiler” do final do livro, narrando a cena de sua prisão pelo FBI.

Esse fato já é, por si só, capaz de incitar a desconfiança e a imaginação do leitor, mas nada que possa comprometer o ritmo construído pela autora.

O livro vai construindo a história de Molly Bloom, uma americana de pouco mais de 30 anos que foi presa e acusada pelo FBI, de estar envolvida em um esquema de jogo que inclui até a Máfia Russa.

Filha de um pai exigente, Molly sempre conviveu em um ambiente competitivo. Ela e os irmãos deveriam lutar diariamente para serem os melhores em tudo. Enquanto Jeremy, o irmão caçula seguia conquistando o mundo como o melhor esquiador norte-americano, Molly que abandonou o esqui, após um acidente, não sabia o que fazer.

Após muito peregrinar sem rumo, ela partiu para Los Angeles, trabalhou como garçonete de bar e lá conheceu Reardon, que coordenava o jogo mais disputado da cidade.

Em Los Angeles, Molly usa sua inteligência para assessorar jogos de pôquer entre homens importantes que apenas querem se divertir. Se antes Molly não tinha uma vocação, agora ela havia se encontrado. E em grande estilo graças ao seu carisma e beleza.

Após conviver semanalmente com Reardon e aprender os trâmites da organização do jogo, Molly começou a gerenciar as próprias partidas que se tornariam as mais disputadas da cidade.

Pelas suas mesas passariam, nos anos seguintes, centenas de milhões de dólares, em partidas que aconteciam em luxuosas suítes de hotéis, para uma seleta lista de convidados dispostos a desembolsar quantias que partiam dos seis dígitos. Entre eles, astros como Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire e Ben Affleck, mandachuvas da indústria do entretenimento, líderes estrangeiros, grandes magnatas e até mesmo a máfia russa.

Molly é uma mulher tentando se sobressair em um mundo masculino. Ela sabe muito bem como deve se portar, se vestir, o que fazer e o que não fazer. Molly consegue se destacar entre homens poderosos, sem, no entanto, brilhar mais do que eles.

Bonita e atraente, cortejada por homens poderosos, a “Princesa do Pôquer”, como ficou conhecida, parecia mais uma estrela de Hollywood que uma criminosa.

Uma história única, perigosa e surpreendente. Apesar de ser uma obra de estreia, “A Grande Jogada” conquista por sua história original e texto excelente, duas ótimas razões para ler o livro. (O livro foi enviado pela editora).

Jornalista, cartunista, poeta e escritor carioca. É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG) e Diário do Rio (RJ) Autor do livro “Parem as Máquinas! - histórias de cartunistas e seus botecos”. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) dos romances "Sonhos são Azuis" e “Entre Sonhos e Girassóis”. É também autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty", publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ), desde 2003, e criador e editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!"

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