Ezra Pound dizia que era preciso manter a língua eficiente.

No entanto, a língua que se fala hoje, na internet, não tem nada de eficiente. Ao contrário, depende de um grande conhecimento da linguagem tecnológica vigente.
Hoje, se alguém acha alguma coisa engraçada, não diz que é engraçado, diz: kkk.

O que significa isso? Potássio, potássio, potássio? Sim, porque o ‘K’ é o símbolo do potássio.

Outros, dizem: hahaha. Um som gutural e impreciso, como o malfadado ‘kkk’.

Outros, ainda, escrevem: rsrsrs. Que, só há pouco, na minha inocência tecnológica, descobri ser uma abreviação de risos. Que, frequentemente, confundia com ‘grrr’ que, dizem, significa rosnado ou rilhar de dentes.

Porque, então, não usamos mais o (risos), consagrado pelo ‘Pasquim’ em seus textos?

Invejo Luis Fernando Veríssimo, Caetano Veloso e Ruy Castro, as três personalidades que conheço que não usam celular.

Gostaria de ser como eles. Mas não consigo. Não sei, sinceramente, como eles conseguem viver sem esses aparelhinhos.

Hoje usamos o celular como computador, internet, câmera, vídeo, cinema, TV, filmadora, MP3, iPod, FM, jogos e telefone.

Tenho um amigo que diz que se o celular dele aprendesse a lavar e passar, ele deixaria a mulher.

Falando sério, não há como negar a praticidade e a importância do telefone celular nos dias de hoje. Principalmente, com o fim das mídias físicas.

Prefiro o jornal de papel. Gosto do volume, do cheiro e do toque. Mas o jornal é uma mídia física e, como todas as mídias físicas, está em vias de extinção. O jornal do futuro, infelizmente, será um celular a ser levado na palma da mão para ser lido no ônibus, no trem, no metrô…

Também prefiro o livro físico. Pelos mesmos motivos. E mais, nenhum autor consegue autografar um celular. O livro, por fim, também é uma mídia física e como tal também corre perigo de extinção.

De repente, concluo que não temos como escapar da tecnologia. No futuro, só os mais idosos ainda terão uma vaga lembrança do que seja o livro ou o jornal impresso.

Não temos como escapar da tecnologia, mas espero que possamos nos livrar do famigerado kkkkkkk.

Sem perder o humor.

Jornalista, cartunista, poeta e escritor carioca. É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG) e Diário do Rio (RJ) Autor do livro “Parem as Máquinas! - histórias de cartunistas e seus botecos”. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) dos romances "Sonhos são Azuis" e “Entre Sonhos e Girassóis”. É também autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty", publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ), desde 2003, e criador e editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!"

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