Eu sempre leio o livro antes de ver o filme.

Dessa vez, no entanto, aconteceu o contrário. Quando o romance “A Última Carta de Amor” (Editora Intrínseca – 384 págs.), enviado pela editora , chegou, eu já tinha visto o filme.

Ainda assim, nem o spoiler dado pelo filme, atrapalhou a leitura do livro. O livro, como na maioria dos casos de adaptação literária, é melhor que o filme.

‘A Última Carta de Amor’, uma história emocionante e incrivelmente comovente,  escrita por Jojo Moyes – que também escreveu ‘Como Eu Era Antes de Você’, livro que deu origem ao filme homônimo, lançado em 2016 – acompanha duas linhas do tempo: uma em 1960 e outra em 2003. 

A primeira conta a história de Jennifer Stirling, uma mulher que acorda sem memória em um hospital após um acidente de carro. De volta a casa com o marido, ela tenta, em vão, recuperar a memória de sua antiga vida. Por mais que todos à sua volta pareçam amigáveis, Jennifer sente que alguma coisa está faltando. É então que ela descobre uma série de cartas de amor escondidas, endereçadas a ela e assinadas apenas por “B”, e percebe que não só estava vivendo um romance fora do casamento como também parece disposta a arriscar tudo para ficar com seu amante.

Quatro décadas depois, conhecemos a jornalista Ellie Haworth, que encontra as cartas secretas trocadas entre Jennifer e “B” nos arquivos do jornal em que trabalha. Obcecada pela ideia de reunir os protagonistas desse amor proibido, Ellie – que durante a investigação conta com o apoio do arquivista do jornal, Rory, com quem acaba se envolvendo – começa a procurar por “B”, e nem desconfia que, ao fazer isso, talvez esteja no caminho para encontrar uma solução para seu próprio relacionamento turbulento com um homem casado.

Com personagens realisticamente complexos e uma história fantástica, ‘A última carta de amor’ entrelaça as histórias de paixão, adultério e perda de Ellie e Jennifer, em um livro comovente e irremediavelmente romântico.

No filme, como normalmente acontece nos casos de adaptação, a trama sofreu algumas mudanças no enredo – para que pudesse ser contada em menos de duas horas na produção para o streaming. 

Na maior parte do tempo, o filme se mantém bastante fiel à história original. Muitas falas, inclusive, são reproduzidas da mesma maneira em que foram escritas. Mas, ainda assim, há algumas diferenças nas produções. Por exemplo, no livro, a cicatriz sofrida por Jennifer no acidente é no braço; no filme é no rosto.

Depois de  passar quatro anos se remoendo de culpa por achar que tinha causado a morte do amante em um acidente de carro, no dia em que eles fugiram, Jennifer e Anthony voltam a se encontrar. No longa, os dois se esbarram sem querer no meio de uma rua em Londres, em 1969. Já no livro, esse reencontro acontece quando Jennifer acompanha o marido em uma festa da alta sociedade. 

No filme, Ellie consegue encontrar tanto Jennifer quanto Anthony durante sua investigação. Ela passa a conversar com os dois quase que ao mesmo tempo para esclarecer os fatores que os separaram durante tantos anos e tenta reunir os amantes.

No livro, a trama se desenvolve de uma forma um pouco diferente. Ellie só localiza a mulher, que recebe a jornalista muito bem desde o primeiro encontro entre elas.

Na produção da Netflix, depois do último desencontro com Anthony O’Hare, quando ela deixa as cartas na redação do jornal e sai do local com a filha no colo, Jennifer explica que voltou a morar com o marido para não correr o risco de perder a herdeira e só se separou depois que a lei permitiu o divórcio. 

No entanto, no romance de Jojo Moyes, a personagem se esforçou muito mais para tentar reencontrar o amado. Ela descobriu que o rapaz tinha ido cobrir uma guerra no Congo e chegou a viajar até o país da África Central para encontrá-lo. 

A maior diferença entre as histórias está na revelação de que Anthony está vivo. No filme, o personagem liga para Ellie.

No livro, depois de pesquisar o nome do homem em vários jornais, a repórter descobre que o filho dele, Phillip, é jornalista na revista Times. Phillip é o responsável por contar que o pai não morreu e, além disso, revelar que O’Hare trabalha no mesmo veículo que Ellie desde 1964. 

Em resumo, o filme é bom. 

E o livro é ótimo.

*Ediel Ribeiro é jornalista e escritor.

P.S.: O livro foi enviado pela editora.

Jornalista, cartunista, poeta e escritor carioca. É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG) e Diário do Rio (RJ) Autor do livro “Parem as Máquinas! - histórias de cartunistas e seus botecos”. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) dos romances "Sonhos são Azuis" e “Entre Sonhos e Girassóis”. É também autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty", publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ), desde 2003, e criador e editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!"

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